Reescrita
Por Aluno 24
Na minha cidade Eldorado do Sul existe um meio de transporte não legalizado conhecido
como Clandestinos; é um serviços de locomoção de Eldorado para a Capital. Onde
os Clandestinos coletam passageiros com seus veículos pessoais ou alugados, cobrando
o mesmo valor da passagem de ônibus. Esse tipo de transporte alternativo sempre
foi muito utilizado por mim para deslocamento mais rápido para Porto Alegre.
Então
numa manhã de sábado chuvosa do mês de julho, após alguns minutos de espera na
parada de ônibus da minha cidade, estaciona um carro. Recordo-me que era na cor
vermelha, modelo 4 portas, com os vidros escurecidos. Muito gentilmente o condutor
me pergunta se eu estava indo para o Centro, digo ao motorista do
automóvel que sim e entro no carro. Ao
entrar no veículo, percebo que sou a única passageira, porem, pergunto para o
motorista se ele não conseguiu pegar ninguém no meio do caminho e ele me
responde dizendo que não era um Clandestino ,ou seja, ele não praticava esse
tipo serviço de transporte de passageiros. Concluí ,portanto, dizendo que
apenas estava me oferecendo uma carona, porque tinha me achado uma mulher
bonita.
Quando
ele terminou de proferir as palavras meu coração estava batendo aceleradamente
e o nervosismo tomava conta de mim. Naqueles míseros segundos que tinha acabado
de entrar no automóvel comecei a pensar na besteira que fiz e de que
maneira iria sair daquela cilada. Diante
dessa situação que me encontrava, procurei
não demonstrar o quanto estava apavorada por estar ali naquele carro com
uma pessoa cheia de segundas intenções. Nesse dia o percurso parecia uma
eternidade, por que em dias “normais” ,no máximo, em 30 minutos estou na
capital. No trajeto, conversei com o motorista, perguntei coisas simples do
cotidiano, como por exemplo, profissão, residência; da mesma forma, ele também me perguntava:
- tu é casada, tens filho, qual é o teu telefone; respondia
tudo sempre omitindo a verdade inclusive o meu nome; lembro que nesse dia me
chamei de Maria.
Enfim, cheguei
ao meu destino sã e salva. Desci daquele carro o mais rápido possível e segui
andando pelas ruas do Centro de Porto Alegre. Em vistas do ocorrido fiquei
pensando:
- nunca mais eu pego carona com estranhos, com clandestinos,
com ninguém. Posso dizer que aprendi uma grande lição, pois eu era acostumada a
andar com os Clandestinos sem me preocupar, sem saber quem eles eram,
simplesmente pagava a carona, seguia o meu trajeto. Sem duvida foi preciso uma
situação assim para mim perceber o quanto eu estava colocando a minha vida em
risco porque no final das contas eu não sabia se os motoristas daqueles
veículos que usava para me deslocar eram pessoas de bem ou maldosas; além disso
poderia me envolver num acidente de trânsito e a culpa seria exclusivamente
minha, porque eu havia me colocado naquela situação de risco.
Tudo na
vida serve de aprendizado! Ao pegar carona com uma pessoa totalmente
desconhecida sem se quer ser um Clandestino e me ver em perigo, eu aprendi que
o ônibus da empresa Expresso Guaíba é o meio de transporte mais seguro da minha
cidade; hoje faço dele a minha única opção de transporte, e não me aventuro
mais a andar com estranhos. Afinal
"de seguro morreu o velho" , eu quero morrer velha e segura
também.
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