sexta-feira, 1 de maio de 2015

“Um ‘eu’ determinado”

Aluno 63
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      Difícil tarefa esta de tornar objetivo algo que nos é subjetivo, mesmo que isso nos acompanhe diariamente. Descrever-se é muito mais do que pôr adjetivos avulsos em uma folha de papel, mas, sim, trazer à tona tudo aquilo que produz seu próprio caráter, trazer à tona a realidade. E talvez seja esse o motivo que torne tão dificultoso o trabalho de se auto-descrever: enxergar a realidade; que muitas vezes nos apresenta duras verdades.

      Sou Paloma, de sobrenome Jaeger. Nascida no dia 31 de julho de 1996, em Venâncio Aires. Estatura baixa, cabelos curtos e castanhos, olhos claros. Porém, se há uma palavra que me descreva como pessoa, essa palavra é: determinação. Pois, se me imponho objetivos vou à busca deles até que os consiga, ainda que haja inconvenientes. Ademais disso, para que se tenha determinação, são necessários objetivos claros e concretos; para tanto é necessário que se tenha consciência do que poderá acontecer enquanto se buscam seus anseios.

      Como exemplo não posso deixar de mencionar o fato de estar aqui, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estudando no curso que há anos tenho por intento. Apesar de na primeira tentativa de ingressar na faculdade através do vestibular não ter atingido o êxito, minha determinação fez com que eu não desistisse no primeiro entrave. No ano de 2014 iniciei os estudos em um curso pré-vestibular; concomitante a este fato, passei a residir sozinha em Porto Alegre - a tão grandiosa e amedrontadora capital - o que tornou minhas responsabilidades ainda maiores. Além dos estudos, haviam os cuidados com a casa. Nada disso, porém, fez diminuir meus esforços e no vestibular seguinte - do ano de 2015 - mais um objetivo foi alcançado e pude, então, principiar meus estudos de Letras na faculdade. 

      Talvez existam muitas outras características que sejam relevantes aos que estão ao meu redor, porém, essa é a que tenho como mais interessante em meu ver. Pois a diferença entre o possível e o impossível está, apenas, na determinação da pessoa. E, enfim, essa sou eu: uma jovem determinada e que agora, na universidade, já possui muitos outros objetivos.

Independência

Aluno 60
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“Amanhã você vai acordar e a mãe não estará em casa, tá? A mãe deve chegar ao meio-dia. Não abra a porta pra ninguém e não conte pra Nini que você tá sozinha”, disse ela, mais preocupada com o fato de que a minha avó poderia vir a saber do que comigo sozinha.
Sou filha única, mas nem por isso mimada. Desde pequena fui ensinada a me virar por conta própria, seja caminhando até as aulas de ballet ou cuidando da parte chata da cozinha – a louça.
Descobri que algumas coisas podem ser bem mais práticas quando feitas apenas por mim mesma. Por que fingir que os trabalhos em grupo são produzidos em grupo, por que depender sempre de amigos para fazer o que dá vontade?
Acabei morando sozinha junto do meu pai, com quem eu passava as noites no escuro comendo pipoca. Ao contrário da minha avó, ele podia sim sonhar que eu ficava por minha conta desde criança; isso o fez respeitar minhas decisões em relação a tudo, acompanhando-me e aconselhando-me. Assim, quando eu disse que queria estudar numa universidade de outro estado, ele olhou super sério nos meus olhos e assentiu. Mais tarde ele disse que estava se cagando, claro.
Bom, o fato é que eu consegui a vaga na tal faculdade, para orgulho, surpresa e desespero geral. Optei por me mudar pelos benefícios que o curso no outro estado me ofereceria – Como estudar duas línguas e o reconhecimento a nível nacional da UFRGS, por exemplo.
Ouço de muitos um “eu não teria coragem” quando conto o que estou fazendo, mas não é questão de coragem. Eu sei o que vale à pena, e sei o quanto a experiência de morar sozinha é importante. Tenho o suporte dos meus pais, minha avó pode sonhar com a minha independência e continuo me virando melhor sozinha do que acompanhada.

Apresentação Pessoal

Aluno 60
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Eu me chamo Michele e possuo 17 anos. Penso que não importa como sou fisicamente, portanto não me descreverei nesse aspecto. Se te deixo curioso, paciência, você consegue lidar com isso. Sou de Florianópolis, Santa Catarina, e estou estudando letras na UFRGS em Porto Alegre. Meu objetivo profissional é seguir uma carreira que trabalhe com línguas, seja no ensino, na tradução ou na edição de textos.
Me permiti sair da minha terra natal porque dessa forma posso adquirir ainda mais experiência do que a universidade por si só já me proporcionaria. Facilmente encantada por arte, música e literatura, e também por estar disposta a desconstruir e trabalhar novas perspectivas, acredito ter em certa dose o estereótipo do estudante de humanas.
Uma coisa que realmente me deixa nervosa são pessoas me apressando quando já estou com pressa. Procuro ser pontual, não de chegar meia hora adiantada, mas de estar nos lugares na hora marcada; se tenho algo para entregar numa data específica, tenho certeza de que ficará pronto. Assim, se estou atrasada, tenha certeza de que eu sei disso.
Sou filha única, mas ao contrário do que o senso comum diria, não sou mimada e sei me virar sozinha – talvez melhor do que quando acompanhada. E não gosto do senso comum. Isso não quer dizer que eu seja solitária, mas talvez controladora. Não no sentido de dominar o mundo, mas de ter controle sobre as minhas coisas.
Se me disseres para ir a um lugar que desconheço, eu procurarei informações e irei, é o que faço quase todo dia. Se me colocares para trabalhar em grupo, perguntarei se posso fazer sozinha e, caso a resposta seja negativa, tentarei organizar o máximo de coisas possíveis para ter certeza de que tudo dará certo. Se quiseres ou necessitares falar comigo sobre qualquer coisa, sinta-se à vontade para ser franco, e lidarei com isso sem que precises enrolar. No fim, acho que sou apenas prática. E você?

EU, POR NÓS MESMOS

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Reescrita


Escrever de modo objetivo sobre si mesmo é uma tarefa difícil, posto que há sempre em nós, não importa o quanto tentemos nos desencobrir por completo, uma subjetividade muito sutil que nos individualiza. Obviamente não há forma concreta de firmarmos nossa existência senão em nós mesmos, contudo, atrevo-me a valer-me das palavras que ouvi já há algum tempo considerável: um amigo meu, suficientemente próximo para fazê-lo, disse que em apenas um dia consigo carregar em mim o potencial de um ano inteiro. De minha parte, discordar seria fechar os olhos para a razão – para as faces que sou.
Quando damos aquele tropeço abrupto e involuntário da infância para a mocidade, muita coisa fica para trás ao passo que tantas outras despencam em nossa cabeça. Foram as certezas que mais me fizeram falta, turvadas na poeira que levantei ao tropicar. Mas percebi que passar a vida em busca de respostas absolutas para tudo significa perdê-la absolutamente, e as incertezas que me tontearam foram tão logo abrindo espaços para pontos de vista tão diferentes que de súbito me vi entremeado por eles; acolhido e ao mesmo tempo violentado. Logo veio a consequência.
Ia mergulhando de pouco a pouco nas águas turvas destes pontos de vista e cada vez achava-me alguém novo. Desse modo, cheguei ao ponto de não me ver apto a apresentar-me de forma absoluta; tenho como característica regular a própria irregularidade. Passei pra além da inconstância própria de todo ser humano, de maneira que somente com ela sinto-me identificável. Pela mesma pessoa durante um dia posso ora nutrir o amor mais puro, ora – embora nunca o extremo ódio – uma irritação extremamente profunda e desgostosa. Posso dar um passo na calçada e me sentir leve e em harmonia com tudo em minha volta, alegre por fazer parte do meio em que estou, e no próximo passo sentir o peso do mundo contra meu pé e seguir me arrastando no dissabor de tudo aquilo que abomino em dado momento; ambos ou na tranquilidade ou na ânsia de passadas furiosas. É como se me equilibrasse em cima de um muro de inúmeros lados e somente os ventos do acaso determinassem para qual deles penderei. Essa é a melhor explicação que alguém poderá ter ao se perguntar o motivo de uma repentina arfada minha mediante uma conversa animada ou a razão pela qual ando cabisbaixo e soturno após ter, momentos antes, gargalhado por qualquer coisa.
Com tudo isso, compreendo o que se há de pensar: como ver identidade em alguém tão pouco inteiro e tão firmado na contradição? Mas também a luz do dia oscila; dá lugar às sombras noturnas e assim mesmo volta a brilhar, e assim mesmo é reconhecida. E se mudam as estações, haverei eu também de mudar constantemente, mesmo que de dia em dia, de hora em hora, pois sim, comprimo em mim o potencial de todo um ano. Disse Pessoa que “quem tem alma não tem calma”; e também eu não sei quantas almas tenho. Multifacetado que sou, não encontro firmeza e identidade senão na inconstância.

EU, POR NÓS MESMOS

Por Aluno 50
1 Versão


Escrever de modo objetivo sobre si mesmo é uma tarefa difícil, posto que há sempre em nós, não importa o quanto tentemos nos desencobrir por completo, uma subjetividade muito sutil que nos individualiza. Obviamente não há forma concreta de firmarmos nossa existência senão em nós mesmos, contudo, atrevo-me a valer-me das palavras que ouvi já há algum tempo considerável: um amigo meu, suficientemente próximo para fazê-lo, disse que em apenas um dia consigo carregar em mim o potencial de um ano inteiro. De minha parte, discordar seria fechar os olhos para a razão – para as faces que sou.
Quando damos aquele tropeço abrupto e involuntário da infância para a mocidade, muita coisa fica para trás ao passo que tantas outras despencam em nossa cabeça. Foram as certezas que mais me fizeram falta, turvadas na poeira que levantei ao tropicar. Mas percebi que passar a vida em busca de respostas absolutas para tudo significa perdê-la absolutamente, e as incertezas que me tontearam foram tão logo abrindo espaços para pontos de vista tão diferentes que de súbito me vi entremeado por eles; acolhido e ao mesmo tempo violentado. Logo veio a consequência.
Ia mergulhando de pouco a pouco nas águas turvas destes pontos de vista e cada vez achava-me alguém novo. Desse modo, cheguei ao ponto de não me ver apto a apresentar-me de forma absoluta; tenho como característica regular a própria irregularidade. Passei pra além da inconstância própria de todo ser humano, de maneira que somente com ela sinto-me identificável. Pela mesma pessoa durante um dia posso ora nutrir o amor mais puro, ora – embora nunca o extremo ódio – uma irritação extremamente profunda e desgostosa. Posso dar um passo na calçada e me sentir leve e em harmonia com tudo em minha volta, alegre por fazer parte do meio em que estou, e no próximo passo sentir o peso do mundo contra meu pé e seguir me arrastando no dissabor de tudo aquilo que abomino em dado momento; ambos ou na tranquilidade ou na ânsia de passadas furiosas. É como se me equilibrasse em cima de um muro de inúmeros lados e somente os ventos do acaso determinassem para qual deles penderei. Essa é a melhor explicação que alguém poderá ter ao se perguntar o motivo de uma repentina arfada minha mediante uma conversa animada ou a razão pela qual ando cabisbaixo e soturno após ter, momentos antes, gargalhado por qualquer coisa.
Com tudo isso, compreendo o que se há de pensar: como ver identidade em alguém tão pouco inteiro e tão firmado na contradição? Mas também a luz do dia oscila; dá lugar às sombras noturnas e assim mesmo volta a brilhar, e assim mesmo é reconhecida. E se mudam as estações, haverei eu também de mudar constantemente, mesmo que de dia em dia, de hora em hora, pois sim, comprimo em mim o potencial de todo um ano. Disse Pessoa que “quem tem alma não tem calma”; e também eu não sei quantas almas tenho. Multifacetado que sou, não encontro firmeza e identidade senão na inconstância.