segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sem título

Aluno 60
1 Versão


Nas últimas décadas, a tecnologia tem evoluído de forma extraordinária num período de tempo surpreendentemente curto. Desde o surgimento do primeiro televisor em 1925 até o lançamento do último iPhone em 2014, passaram-se menos de cem anos.
Devido à criação de diversos aparelhos para modificar o meio ambiente com o objetivo de satisfazer as necessidades humanas, o modo de realizar trabalhos, ver o mundo e relacionar-se em sociedade mudou. A inserção da tecnologia da informação na vida do ser humano alterou o seu próprio modo de vida.  O “ideal” de como relacionar-se com essa tecnologia é debatido, e é questionada até onde vai (ou deveria ir) sua influência.
Como conviver com a tecnologia e como utilizá-la no cotidiano são conhecimentos que adquirimos conforme nossa convivência com ela e nossas necessidades. Com o objetivo de descobrir sobre o uso dos recursos tecnológicos no dia-a-dia de nossos leitores, os entrevistamos com uma pergunta principal a ser respondida: a tecnologia facilita ou atrapalha a vida?
Ainda que os entrevistados afirmassem possuir níveis de conhecimento variado sobre tecnologia, desde o básico até a visão de um programador, todos afirmaram fazer uso tanto do celular quanto do computador. Exceto por Maurílio Simões, de 30 anos e garçom, todos os outros utilizam ambos os recursos diariamente. Assim como Josias Amorim, de 57 anos e bancário, ele usa o celular todos os dias, mas com diferentes funções. Enquanto Josias trabalha com as ferramentas básicas, para ligações, mensagens e despertador, Maurílio aproveita o recurso para ler e-books, fazer listas e esquemas.
Invariavelmente, a tecnologia foi apontada como meio de diversão e facilitadora no que tange à comunicação. Julia Rosar, estudante de 13 anos, ressaltou o uso da televisão, e Maurílio o videogame. Rogerbesson Florindo Amor, estudante de 18 anos, assinalou a importância dos recursos para trabalho e material acadêmico. Maurílio comentou não só o uso da tecnologia para realizar o trabalho, mas nos próprios locais de trabalho, como, por exemplo, no cartão ponto eletrônico. Josias, além de reconhecer as ferramentas como facilitadoras de contato, também as destacou como meio de atualização.
Para todos os entrevistados, a tecnologia facilita a vida. “O computador me ajuda porque eu tenho umas centenas de partituras e não preciso imprimi-las todas, posso tocar flauta olhando na tela do computador mesmo. Posso assistir filme, de repente um documentário, sem ter que locá-lo e ir até a locadora fazer isso. Se eu preciso de algum programa para estudo, consigo muito fácil no computador. O celular também oferece essa facilidade, é um pouco menor, mas consigo estudar através dele, e me ajuda nos estudos porque posso anotar meus afazeres, agendas, despertadores e ainda serve para manter contato com as pessoas. O videogame não facilita nada porque é um lazer”, atesta Maurílio.
Para Josias, cujo aspecto mais importante da tecnologia é a comunicação, o que mais ajuda no cotidiano é a possibilidade do contato instantâneo, de certa forma sem custo elevado. Porém, o atrapalha porque exige dedicação quase exclusiva para se manter atualizado, de forma que se passa muito tempo em função dessa atualização. Tanto para Julia quanto para Rogerbesson, o problema da tecnologia é a distração causada nos momentos em que é preciso estudar.
Sendo assim, ainda que a tecnologia possa ser usada para diferentes funções dependendo do usuário, ela facilita parcialmente o cotidiano da população. Seu uso, com objetivos determinados, pode beneficiar tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Todavia,ela também pode ser uma grande fonte de distração.

Experiências

Aluno 60
Reescrita


Durante a minha infância não tive uma relação muito amigável com o mundo da leitura. Os livros, que eram quase sempre indicados por professores, não me cativavam com suas histórias. Isso porque essas histórias de fato não eram muito relevantes para minha formação na visão de meus educadores, mas serviam de pretexto para a aplicação de exercícios didáticos baseados na análise do texto. Assim, ao invés de ler, era muito mais fácil apenas procurar as palavras-chaves na história, onde deveriam se encontrar as respostas que os professores queriam ouvir.
De “pessoal” a interpretação dos exercícios encontrados nos livros didáticos tradicionais não tinha nada. As respostas das questões possuíam fórmulas prontas a serem copiadas dos textos e as únicas que deveriam ser de fato pessoais eram tão desinteressantes e previsíveis (por causa da linha de raciocínio do exercício) que se tornavam chatas.
Nenhum saber novo era construído através dessas leituras, nem a livre interpretação permitida. O próprio exercício de “interpretação” servia como um cabresto, limitando a visão e as possibilidades que a obra oferecia. A informação se encontrava toda no texto para ser apenas decodificada e copiada pelo aluno, e a concepção de leitura era a dos anos 50 e 60 sendo aplicada pelos livros didáticos do ano 2000. A explicação dessa minha experiência com a leitura é explicitada por Rottava (1998) ao discorrer sobre as teorias de leitura: “Ler, até o final dos anos 60, era entendido como atividade ascendente (botton up), ou seja, ler é extrair sentidos pelo leitor como decodificação dos elementos linguísticos contidos no texto”.
Porém, no início da minha adolescência precisei de uma válvula de escape para os problemas familiares advindos do divórcio dos meus pais. Por ser filha única e, portanto, sozinha em casa, os livros se tornaram uma companhia sem igual e um meio de viajar e conhecer outros universos e épocas sem precisar sair do lugar. Pude conhecer a Segunda Guerra Mundial através de O diário de Anne Frank e de A menina que roubava livros, assim como entrei em contato com a Bretanha do Rei Arthur em As Brumas de Avalon.
Era mais que apenas distração; era um meio de estimular o processo de criação e ter contato com diferentes formas de exposição e visão da realidade. As histórias ali eu mesma escolhia, de acordo com o meu interesse. Os livros que não correspondiam à minha demanda de leitura eram deixados de lado sem problemas, pois havia outros que a suprissem até eu estar preparada para digerir os antigos. Os autores viravam referência para encontrar mais obras, e dessa forma eu passava o tempo.
Os textos que não correspondiam à minha demanda na época eram-me estranhos por eu não ter experiências o bastante para desfrutá-los.  É perceptível assim a questão da interatividade do leitor com o texto, levantada pela concepção de leitura dos anos 80. Aquelas leituras eram-me estranhas tanto por não ter vivido certas situações que as envolviam, quanto por não ter familiaridade com os tipos de texto registrados.
“A partir dos anos 80, a leitura tem sido pesquisada em uma perspectiva interativa, ou seja, a construção dos sentidos em leitura pelos leitores é resultante da interação do leitor com os elementos linguísticos, textuais e discursivos do texto, mais as interferências, estratégias e o conhecimento anterior – das experiências vividas e das leituras de outros textos (cf. Grabe). O modelo interativo tem como pressuposto que a construção de sentidos é um processo dinâmico.” (Rottava, 1998, p. 62).
Dessa relação positiva a convivência com os livros tornou-se um hábito e um lazer. Comecei a querer produzir meus próprios contos, mundos e personagens. Posteriormente, decidi cursar letras para ser professora, decisão que só foi possível devido à afinidade adquirida com a leitura. Ser professora, inclusive, para poder mostrar a outros o universo da leitura.

Bibliografia:
ROTTAVA, Lucia. A leitura e a escrita na pesquisa e no ensino. Espaços da escola. V. 4, n 27, p. 61-68, 1998.

Experiências

Aluno 60
1 Versão


Durante a minha infância não tive uma relação muito amigável com o mundo da leitura: os livros eram quase sempre indicados por professores e não me cativavam com suas histórias. Essas, geralmente eram apenas um pretexto para a análise do texto, e era muito mais fácil apenas pegar as palavras-chave para responder as perguntas.
De “pessoal” a interpretação dos exercícios encontrados nos livros didáticos tradicionais não tinha nada. As respostas das questões possuíam fórmulas prontas a serem copiadas dos textos e as únicas que deveriam ser de fato pessoais eram tão desinteressantes e previsíveis (por causa da linha de raciocínio do exercício) que se tornavam chatas.
Nenhum saber novo era construído através dessas leituras, nem a livre interpretação permitida. O próprio exercício de “interpretação” servia como um cabresto, limitando a visão e as possibilidades que a obra oferecia. A informação se encontrava toda no texto para ser apenas decodificada e copiada pelo aluno, e a concepção de leitura era a dos anos 50 e 60 (botton up), sendo aplicada pelos livros didáticos do ano 2000.
Porém, quando entrei na pré-adolescência, precisei de uma válvula de escape para os problemas familiares advindos do divórcio dos meus pais. Por ser filha única e, portanto, sozinha em casa, os livros se tornaram uma companhia sem igual e um meio de viajar e conhecer outros mundos sem precisar sair do lugar. Era mais que apenas distração; era um meio de estimular o processo de criação e ter contato com diferentes formas de exposição e visão da realidade.
As histórias ali eu mesma escolhia, de acordo com o meu interesse. Os livros que não correspondiam à minha demanda de leitura eram deixados de lado sem problemas, pois havia outros que a suprissem até eu estar preparada para digerir os antigos. Os autores viravam referência para encontrar mais obras, e dessa forma eu passava o tempo.
Dessa relação positiva a convivência com os livros tornou-se um hábito e um hobby. Os textos que não correspondiam à minha demanda na época eram-me estranhos por eu não ter experiências o bastante para desfrutá-los.  É perceptível assim a questão da interatividade do leitor com o texto, levantada pela concepção de leitura dos anos 80. Aquelas leituras eram-me estranhas tanto por não ter vivido certas situações que as envolviam, quanto por não ter familiaridade com os tipos de texto registrados.
Bibliografia:
ROTTAVA, Lucia. A leitura e a escrita na pesquisa e no ensino. Espaços da escola. V. 4, n 27, p. 61-68, 1998.

Comentário por Aluno 60

Aluno 47, 
A primeira versão do teu texto apresenta várias imagens que o leitor visualiza no decorrer da leitura, o que torna a experiência muito interessante. O próprio tema é bem delineado, garantindo a unidade temática. Escrevestes de forma que a leitura é fácil e a identificação com o evento descrito, da ansiedade pelo nascimento de uma criança, também.
A progressão de acontecimentos que criastes na tua primeira versão ficou ainda melhor na reescrita, porque os elementos ficaram ainda mais conectados entre si a partir da especificação de situações (como por exemplo, a localização da casa da tua dinda, situando o leitor no espaço), o que enriqueceu a concretude. Fostes objetiva na medida em que construísse todo o teu texto a favor do tema escolhido, e o questionamento ficou a cargo da resposta à tua ansiedade.
Bom trabalho!"

Para leitura use a mente.

Aluno 55
Reescrita


     Lembro que aos seis ou sete anos de idade quando fui viajar de carro para a praia minha mãe pegou a direção e meu pai sentou no banco de trás ao meu lado, perguntou se eu estava pronta e eu animada respondi que estava. Então, em seguida ele abriu um livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, e leu em voz alta para que eu escutasse.
    Para mim, essa foi a primeira experiência com leitura que tive. Lembro que a cada palavra que meu pai lia era como se ele estivesse criando um novo mundo em minha mente. Senti, ao escuta-lo ler, que o poder das palavras era infinito pois em meu cérebro ia se armazenando cada vez mais palavras, mais ideias, mais imaginação.  Foi exatamente por esse sentimento de aprendizado com a leitura que comecei a criar um gosto enorme por ler.
    Mais ou menos aos doze anos eu li Coração de Tinta da Cornelia Funke, um livro de 455 páginas, que era ao meu ver o maior livro do mundo, mas que foi bom o suficiente para prender minha atenção por todas as páginas. O que me marcou nele foi que ele se trata de uma jovem que quando lia livros em voz alta dava vida às palavras, coisas e seres. Eu achava o fato da menina fazer aquilo simplesmente maravilhoso, mas eu me contentava em ler e dar vida à tudo que lia na minha imaginação que cada dia aumentava.
    O simples ato do meu pai ter lido para mim quando eu ainda era criança serviu de um enorme começo na relação entre eu e os livros. Ele poderia simplesmente ter sentado ao lado da minha mãe no banco da frente, como muitas vezes ele fez, mas com o objetivo de proporcionar a mim o gosto pela leitura, sentou ao meu lado e leu. Imagino que se não fosse por essa minha primeira experiência marcante com a leitura, talvez, minha paixão por ler nunca tivesse sido despertada. E apesar de já ter tido contato com livros na creche e no início da escola foi esta ação de um familiar, de alguém mais próximo de mim, que me fez querer ler. Então, de acordo com Rottava (2000) em que ela diz que “ ..., a família também não deve deixar somente para a escola o papel de despertar, incentivar e motivar a leitura. ” (ROTTAVA, 2000, p. 13), o papel do familiar é essencial para que uma criança tenha o incentivo, o gosto, a vontade de ler.
    A segunda experiência de leitura que me marcou bastante foi um passo para eu compreender o que é leitura. Eu acreditava que ler era perda de tempo, que no lugar de estar sentada com um livro podia estar fazendo outras coisas, como saindo com amigos, estudando, praticando esportes, etc. Entretanto, ao ler Coração de Tinta compreendi que as palavras possuem poder, que não estamos meramente perdendo tempo, mas sim acumulando conhecimento, aprendendo palavras e conceitos. Assim, como está no texto de Rottava (2000) “...ler é utilizar-se da linguagem para determinado objetivo...” (ROTTAVA, 2000, p. 14) e o meu objetivo era aprender ao mesmo tempo em que me divertia num mundo diferente proporcionado pela autora. É, portanto, “Segundo Wallace (1993, p. 6-7), o propósito da leitura pode ser: ... (2) a aprendizagem (leitura do contexto direcionada a um objetivo); (3) o prazer (leitura negligenciada pela prática escolar).” (ROTTAVA, 2000, p. 14).
   Além dessas duas leituras marcantes, tentei ler aos 14 anos o livro 1984 do George Orwell, um livro de leitura não muito complicada, mas nem muito fácil. Contudo, para mim com poucos anos de vida ler esse livro foi muito complicado, faltava aprender conceitos que eram relatados no livro. Faltava o conhecimento prévio, pois é por esse conhecimento que se pode ter perfeito entendimento do texto, livro lido, como relata Britto: “A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. ” (BRITTO, 2012, p. 13). Então, para a compreensão completa desse livro para mim só foi realizada aos 15 anos, após a ajuda de um professor de filosofia. Ressaltando, assim, também o papel do professor para a ajuda da compreensão da leitura.