sexta-feira, 1 de julho de 2016

VIVER VERBO (IN)TRANSITIVO

Aluno 83
1 Versão


Somos eternos em nosso modo, sempre buscando o Paraíso.
            Somos como bicicletas atravessando o mundo, atravessando a vida. Passamos pelas estradas calmas e caóticas da nossa infância, quase semore.ou nem sempre.
            Aos primeiros pedregulhos enfrentados, a nossa correia balança, mas como bicicletas novas saímos ilesas.
            A montanha se torna uma pequena subida na rua que. não, nada se compara ao encarar o Vale da Morte. NADA, nada se compara ao encarar a possível e avistada morte, mesmo que nossos pneus estejam calibrados, jamais estamos preparados para ela, não quando a tinta ainda está fresca.
            Quanto MAIS a bicicleta anda, MAIS areia se acumula nos pneus, e após vencer o Medo e continuar a esmagar pedras cada vez maiores pelo caminho. Ah!vida!Oh estrada! BELA E TORTUOSA estrada. Cá estou eu à procura da tua ETERNA busca pelo Paraíso

Comentário por 99


Olá, aluno 87. Lamento que não tenhas mais tua reescrita, impossibilitando assim a avaliação do processo em teu texto. No entanto, pontuo algumas coisas na tua V1:
No quarto parágrafo teu texto parece realmente começar a atender o processo de descrição que demandava a tarefa; antes disso, há uma introdução, por sinal muito gostosa de ler, mas é preciso refletir que ela em si não se coloca de maneira indispensável para teu texto e para tua unidade temática: ela é nada mais que um preâmbulo sobre a maneira como se chegou a esse bolo de dois recheios; assim, repensá-la seria uma forma de assegurar tua unidade temática vigente evitando que uma segunda apareça no texto.  Essa descrição do bolo caberia no momento que descreves o corte dele, a faca, evidentemente atravessaria as camas as quais descreves. 

Para tua parte da descrição que já se consiste em uma, eu sugeriria que pensasses como se teu leitor nunca houvesse comido um pedaço de bolo antes, assim, terias mais subsídios para trabalhar a concretude do texto, trazendo um texto rico em imagens. Ressalto novamente: teu texto tem um enorme potencial. 

Comentário por 90

1ª versão:
Não tenho muito a adicionar que já não foi dito pelo parecer, infelizmente. As poucas anotações que posso fazer são positivas – com a exceção do “houvessem” no final do quinto parágrafo, o qual não soaria estranho oralmente, mas acaba se destacando negativamente na leitura. Também fiquei ligeiramente intrigado pelo “granito”, embora o seu propósito/orientação física seja nitidamente compreensível a partir do texto. Mas enfim: seguiu a proposta à risca, com um certo minimalismo interessante. A prosa está excelentemente escrita. Os pequenos toques de ironia ajudam a quebrar a monotonia. Concordo, entretanto, que seria bom começar com um gancho/problematização para atiçar a curiosidade do leitor. Já discordo que haveria de se remover a última frase: não é, sem dúvida, fortemente integral ao propósito do texto, mas lhe dá um fechamento com estética apropriada.

2ª: Novamente, há pouco a ser dito. Gostei das adições ao início do texto, pois complementam o seu tom humoroso. Ainda assim, falta a problematização: tu diz bastante como, mas falta o porquê – haveria uma boa oportunidade aqui, inclusive, para alguma colocação humorosa convidativa do tipo que tu faz em outras frases, que seria muito bem catalisada pela circunstância de ter que justificar a importância de algo tão banal quanto lavar a louça. Não obstante, o “objetivo superior” de descrever instruções ainda é cumprido com grande êxito – parabéns.

Comentário por 90

1ª versão: pequenas observações: cuidar a colocação de aspas (faria essa parte do teu título como a “A flor ‘do Ala’”, ou A flor “do Ala”, ou “A flor do Ala”) e a sinalização de diálogo (“- Entra tu primeiro [...]” – poderia fazer o que tu fez nos diálogos seguintes: incluí-los entre aspas para que se distingam do resto da narração).
Observação principal: concordo com as qualidades apontadas pelo parecer – a narração é fluída e bem-escrita, e o leitor pode empatizar facilmente com o assunto (especialmente porque tu soa bastante natural: “velho, não são seis horas da manhã [...]”, por exemplo, demonstra ótima oralidade e cotidianidade). O problema acaba sendo a temática, que não é detalhada o suficiente. Há uma indicação de causalidade na tua conclusão, que liga o evento do teu avô com o teu autodescobrimento, mas resta, para o proveito do leitor, explicitar mais como isso acontece. Para esse propósito, alguns elementos poderiam ser exemplificados: o significado da flor-metáfora para tu e a tua avó, o teu relacionamento com o teu avô, o porquê da tua afeição (não quero, porém, dizer que não haja importância: muito pelo contrário, há um conflito contundente e relevante a muitos de nós na perda de um ente querido – e essas qualidades ficam ainda mais fortes quando o leitor entende mais e, portanto, empatiza melhor).
2ª: pequenas observações: separaria a explicação “que davam duas mãos da minha” ao colocá-la entre parênteses ou travessões, assim evitando uma falsa concordância com “morena, gélida e cheirosa”.
Observação principal: a narração está mais coesa devido à simplificação dos últimos trechos, quando comparada à 1ª versão. São menos elementos para desviar a atenção do leitor e um tanto mais de detalhe. As demais qualidades se mantêm. Porém, ainda acho que falta detalhar a vivência e a importância do teu avô, fazer com que o leitor saiba quem foi o teu avô da maneira que tu mesmo sabe – ou, mais razoavelmente, de uma maneira aproximada a isso. Que características fizeram o teu avô alguém tão ligado, tão forte para ti? Também penso que, para melhor efeito da conclusão, poderia antecipar o conflito que é resolvido na aprendizagem. Instigaria bastante o leitor se ele soubesse de quão diferente tu era antes daquela resolução. Há grande potencial neste texto, pois tu tem um bom olho para detalhes, estética e expressão: os momentos em que tu expõe trechos da vivência do teu avô me fizeram querer conhecer mais, por exemplo.

Abraços.

Comentário por 90

Tendo em mente que alguma complicação preveniu a presença da primeira versão neste blog, tratarei da segunda versão exclusivamente.
Comparando com o que foi dito no parecer, tu conseguiu escolher um dentre muitos tópicos e fazer dele a tua coesão textual. Bom trabalho. Essa qualidade do teu texto é mantida até o penúltimo parágrafo, depois do qual ele é enfraquecido porque tu não detalha o teu descobrimento de não se importar com números, e sim com os efeitos nas pessoas. O último parágrafo até provém um “fio da meada” lógico a ser seguido – a indecisão, a oscilação – mas este é cortado abruptamente pela conclusão pouco explicada.

Mas em geral, esse é o único desvio cometido no teu texto. Nele, também é laudável a concretude, com cada evento sendo preenchido por exemplos tangíveis e até engraçados, particularmente no caso do lança-chamas de acetona. Tuas motivações também são justificadas, inicialmente, de maneira satisfatória: talvez pudesse conectá-las de maneira mais regular ao longo do texto, mostrando como a tua curiosidade (inicialmente influenciada pela materialidade das ciências naturais) acaba se transformando num desejo de conhecer aspectos mais característicos das ciências humanas.

Ademais, peço que cuide quanto a algumas incorreções. São elas: o “mau podia” (mal podia), algumas frases que poderiam receber uma vírgula (“Quando os nomes dos colocados começaram a ser chamados, minha mão gelou [...]”), e o efeito desconcertante que a frase “O que torna possível imaginar a minha reação (...)” causa: o que exatamente torna possível isso? Mais tarde, é entendível que a entrada no colégio de Aplicação motiva isso, mas a maneira com que a frase está estruturada deixa o leitor se perguntando sobre a sua motivação, a qual deveria vir antes.

Abraços.