sexta-feira, 28 de julho de 2017

Comentário por 132

Comentário sobre a proposta 4 do aluno 153:
A primeira versão da proposta está bem escrita e traz um assunto interessante, fugindo daquele parâmetro esperado do início da leitura mesmo. O aluno optou por fazer um memorial de releitura, o que deu ao texto um caráter interessante e um ponto de vista peculiar ao leitor. Porém, a proposta pedia um embasamento teórico, e assim como dito no parecer, também percebi que o aluno somente utilizou uma fonte de referências, o que deixa esse ponto específico que fora pedido em segundo plano, tornando o texto mais uma narrativa do que um memorial embasado.

Apesar de constar no parecer uma opção a mais para embasamento teórico, o aluno optou por não utilizar, e acho que fez somente algumas mudanças sutis de vocabulário, o que não gerou grandes alterações entre as versões. Por conta disso, o texto continuou embasado de forma simples e vaga, mas com qualidade narrativa.

Comentário por 131

Segue o comentário sobre o aluno 148 - Proposta 4
Muito legal sua experiência  com os efeitos da leitura e a forma como você incluiu uma aprendizagem ao longo de sua narração, 148!  Além disso, o texto esta bem organizado e você fez boas relações com a teoria. A cronologia que você usa para contar guia o leitor ao longo do texto. Assim, acredito que conseguiste explorar bem a ideia de "não julgar pela capa", parabéns.

A mudança que vem de fora

Aluno 154
Reescrita


Um dia, conversando com um amigo mais velho, fui questionado acerca de minha escolha de curso no vestibular. A questão da decisão de profissão está presente durante toda a vida, mas, dado o caráter até então inusitado de ser obrigado a escolher um caminho que, tomado em detrimento de outros fecharia algumas portas e abriria outras, me encontrei desolado quando provocado a buscar minha proficiência. Era claro para mim que, se pudesse, estaria até o dia de minha morte estudando e compondo textos e músicas, mas como sustentar-me com a produção e consumo de arte? Afrontado por essa dúvida, percebi que não conhecia qualquer vocação própria que pudesse significar um trabalho rentável. Não soube responder a pergunta de meu amigo e essa foi por muito tempo uma preocupação voraz em minha vida. Simplesmente não me ocorria resposta razoável.
Li “A Morte de Ivan Ilitch” (1886), de Tolstói, aos 15 anos, e passou-se que me condoí profundamente pelo protagonista, que morre após ter descoberto que não fez durante a vida o que gostaria de ter feito, morrendo arrependido da vida que levou. A personagem fez um efeito devastador em mim, de forma que a experiência dessa leitura pareceu não ser obra do acaso, encaixando-se perfeitamente ao momento, como fosse algo que saísse do livro e invadisse a realidade: “(...) acredito que a leitura deva provocar no leitor uma reação. Essa, por sua vez, permitirá que sejam emitidas opiniões, pois aceitar ou recusar um assunto é, muitas vezes, o ponto de partida para a construção do conhecimento.” (ROTTAVA, 2000, p. 16). Após a leitura, percebi o que representaria para mim escolher um trabalho que a mim não fizesse sentido, senão a ganância por dinheiro, e pude decidir-me a tomar a decisão de dar importância primaz ao gosto pelo que faria.

"A leitura só é parte da construção do conhecimento como prática social que se insere nas práticas discursivas de que o leitor participa no cotidiano. (...) O que é, então, leitura como prática social? É uma leitura que envolve o propósito de que ler é utilizar-se da linguagem para determinado objetivo, bem como para alguém e em certas circunstâncias." (ROTTAVA, 2000, p. 13-14).
Tolstói criou uma personagem que trouxe à tona uma reflexão que me dizia respeito, que se encaixava na pergunta que eu fazia a mim mesmo, de modo que o fato de ter escolhido um curso pensando na importância que teria o gostar ou não daquilo que faria foi diretamente influenciado pela leitura do livro. Assim, me pareceu mais assertivo fazer o que me traria felicidade do que o que me traria retorno financeiro, de modo que se confirma a afirmação de Rottava (2000), de que ler é construir sentidos: "É a construção de uma mensagem, cujas intenções e significado são próprias desses interlocutores, onde se instala uma complexa rede de representações características de cada falante".























REFERÊNCIAS:

1 ROTTAVA, Lucia. A importância da leitura na construção do conhecimento. Espaços da Escola, ano 9, n. 35. p. 11-16. Editora Unijuí. Janeiro/março de 2000.

Parecer_Al154

PROPOSTA 4


No primeiro parágrafo você faz uma metáfora, não muito clara, relacionando escolha da profissão na infância e conhecimento prévio na leitura; no segundo parágrafo muda de assunto, trazendo algumas experiências de leitura na pré adolescência; retoma a questão da escolha de profissão no terceiro, dessa vez relacionando à realidade em que se encontrava – um terceiro assunto é apresentado; por fim, no quarto parágrafo, você aborda uma experiência de leitura que foi marcante pela reflexão acerca da escolha profissional.
A partir disso, perceba que seu texto não possui uma unidade temática, mas sim algumas reflexões acerca de concepções de leitura e uma pequena abordagem que relaciona sua vida. Me parece que a experiência mais marcante é a relatada apenas no final do texto, em relação a “A morte de Ivan Ilitch”. Quem sabe você narra esse episódio do início ao fim do texto, relacionando com os conceitos teóricos acerca de leitura?
Eu diria para você pensar “qual a experiência que quero narrar? Por quê? Como posso relacionar aos textos teóricos”. Me parece que uma possibilidade de resposta seria: a leitura de A morte de Ivan Ilitch, porque foi impactante no momento de decisão quanto à escolha de profissão, relacionando, assim, com os conceitos do(s) artigo(s) que leu, principalmente quando remetem à construção da subjetividade. Assim, informações/metáforas/conceitos teóricos que não sejam importantes para o entendimento desse episódio devem ser descartados, por serem irrelevantes.
Quanto à formatação do texto, é imprescindível que ele esteja justificado, e não alinhado à esquerda. Revise, também, a formatação de títulos nas referências. Boa reescrita!









A mudança que vem de fora

Aluno 154
1 Versão


Uma criança quando questionada sobre o que, em sua vida adulta, tomará por profissão, normalmente responde buscando páreos em seus gostos veementes no momento, ignorando questões que desconhece por possuir pouca experiência de vida. Prontamente responde “detetive!”, como se não houvesse nessa decisão inumeráveis considerações a serem levadas em conta, que não o gosto pelo ideal de detetive que foi inculcado em sua mente. Assim é a relação das pessoas com a leitura se, conforme Rottava (2000, p. 11), “A leitura como construção do conhecimento, portanto, deve ser autêntica, ou seja, vincular-se à realidade do leitor, responder a sua necessidade, suscitar-lhe interpretações livres e liberdade de aprendizado da língua.”, pois não se pode ansiar (da mesma forma que não se pode esperar de uma criança uma resposta coerente acerca de sua futura profissão) que, por exemplo, um leitor que desconhece a história soviética compreenda sua referência intrínseca em “A Revolução dos Bichos” (1945), de Orwell; da mesma forma que não se pode ler um texto escrito em inglês sem saber inglês.
Aos 13 anos acabei me aproximando da arte e me afastando da maior parte de meus amigos, de modo que tornou-se minha principal motivação na vida a interpretação daquilo que consumia. A literatura e a música se fizeram meu principal foco, motivo pelo qual passei a compreender o que via em meu cotidiano, a ver o que não via antes dessa inclinação. O que ocorria na escola, em minhas relações interpessoais, o que notava dentro de mim mesmo, e na sociedade, para tudo aquilo que via em minha vida, encontrava relações na literatura, seja Emil, de Demian (1919), descobrindo a diferença entre o mundo de sombras e o mundo de luz, onde estava protegido; seja na obstinação teimosa de Santiago, de O Velho e o Mar (1952), em pescar o imenso espadarte com quem batalhou até a morte; procurava conselhos em minhas leituras, procurava afirmações para poder me afirmar; poder encontrar resoluções que explicassem como agia ou como agisse: “A leitura só é parte da construção do conhecimento como prática social que se insere nas práticas discursivas de que o leitor participa no cotidiano” (ROTTAVA, 2000, p. 13)
A questão da escolha de profissão está presente durante toda a vida, mas, dado o caráter até então inusitado de ser obrigado a escolher um caminho que, tomado em detrimento de outros fechará algumas portas e abrirá outras, me encontrei desolado quando provocado a buscar minha proficiência. Era claro para mim que, se pudesse, estaria até o dia de minha morte estudando e compondo textos e músicas, mas como sustentar-me com a produção e consumo de arte? Afrontado por essa dúvida, percebi que não conhecia qualquer vocação própria que pudesse significar um trabalho rentável. Essa foi por muito tempo uma preocupação voraz em minha vida. Simplesmente não me ocorria resposta razoável.
Li “A Morte de Ivan Ilitch” (1886), de Tolstói, aos 15 anos, e passou-se que me condoí profundamente pelo protagonista, que morre após ter descoberto que não fez durante a vida o que gostaria de ter feito, morrendo arrependido da vida que levou. A personagem fez um efeito devastador em mim, de forma que a experiência dessa leitura pareceu não ser obra do acaso, encaixando-se perfeitamente ao momento, como fosse algo que saísse do livro e invadisse a realidade: “(...) acredito que a leitura deva provocar no leitor uma reação. Essa, por sua vez, permitirá que sejam emitidas opiniões, pois aceitar ou recusar um assunto é, muitas vezes, o ponto de partida para a construção do conhecimento.” (ROTTAVA, 2000, p. 16). Após a leitura, percebi o que representaria para mim escolher um trabalho que a mim não fizesse sentido, senão a ganância por dinheiro, e pude decidir-me a tomar a decisão de dar importância primaz ao gosto pelo que faria.
REFERÊNCIAS:
1 ROTTAVA, Lúcia. A Importância da Leitura na Construção do Conhecimento. Espaços da Escola, ano 9, n. 35. p. 11-16. Editora Unijuí. Janeiro/março de 2000.