quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Escrever é vida

Aluno 130
Reescrita


Quando eu estava no maternal queria de uma vez por todas aprender a desenhar letras no papel. Lembro até hoje de um episódio no colégio onde eu estudava, em que, um dia, passando pelo corredor das séries superiores à minha, vi uma frase escrita num cartaz e quis muito saber o que significava. Pensei em esperar minha hora de aprender a ler e a escrever, mas em seguida percebi que quando ela chegasse o cartaz talvez já não estivesse mais lá. Então todos os dias eu o fitava por um tempo e decorava a forma de duas letras e as desenhava num papel quando chegava em casa. Consegui desenhar a frase inteira depois de alguns dias e perguntei à minha mãe o que significava: “skate é vida”. Nunca gostei de skate, mas me senti realizada por ter, pela primeira vez, escrito uma palavra.
Deixei a frase exposta no armário do meu quarto por um tempo, e toda vez que a via, eu me encantava em saber que era possível definir sentimentos, gostos, objetos, tudo, enfim, por meio de palavras, que para mim nada mais eram do que o contorno de letras no papel. Eu não sabia o nome do autor daquele cartaz, tampouco sabia à qual turma pertencia, mas mesmo assim me sentia, naquele momento, agradecida pela revelação inconsciente que ele me fazia: “você nasceu para brincar com as letras”.
No ano seguinte aprendi a ler e a escrever, e no mesmo estilo do cartaz que iniciou minha história nesse mundo, escrevia quase todos os dias frases que expressassem coisas das quais eu gostava, como “futebol é vida”, “família é vida”, “desenhar é vida”, “escrever é vida”. “Skate é vida” já nem existia mais fisicamente, tinha sido arrancado do corredor da escola e do armário do meu quarto, mas toda a vez que eu conseguia escrever algo mais complexo, como frases mais longas, eu me lembrava daquele cartaz.
Quando percebi já estava completamente inserida no mundo das letras, mergulhada na vastidão de significados da Língua Portuguesa. No ensino médio, um dia, na escola, meus amigos me convidaram para uma aula de skate. A prática em si foi desastrosa, nunca soube praticar esse esporte, mas enquanto eu tentava andar, o cartaz me veio à cabeça como uma lembrança do início da minha vida de escritora, que naquele momento era mais assídua do que nunca: escrevia poemas, contos, dissertações e crônicas, que iam para os corredores do colégio ficar expostos, do mesmo modo que o cartaz “skate é vida” ficou. De alguma forma, eu o devolvi à parede, mas com uma pequena alteração: diferentemente do que afirmaram em “skate é vida”, a vida, para mim, é escrever.

Parecer_Al130

Proposta 1


Você inicia o texto destacando um acontecimento referente à iniciação à escrita; esse ponto de partida é ótimo e parece promover a unidade temática. Note, no entanto, que o fato abordado somente volta a aparecer na conclusão do texto. Ao desenvolver, você lista experiências que não deixam de ser interessantes, mas não se conectam diretamente ao fato que você introduz, a não ser por seguirem uma ordem cronológica.
Destaco que o interlocutor precisa visualizar, a partir de um fato/acontecimento/tema, a resposta para a pergunta “como você começou a escrever?”. Sugiro, então, que você selecione as informações que mais lhe parecem relevantes para expor o tema central do texto. Pense em informações que podem acrescentar ao acontecimento que você cita na introdução.
Seu texto tem dados claros, que dão concretude ao texto. Um exemplo é sua abordagem do episódio do cartaz, na introdução. Portanto, a sugestão segue a mesma: repense se todos os dados são relevantes, você não necessariamente precisa expor toda trajetória na escrita, é necessário um único tema que faça o interlocutor ter vontade de ir até o final. Ou seja, chegar à conclusão do problema que você destacou.

Boa reescrita!

Escrever é vida

Aluno 130
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Quando eu estava no maternal queria de uma vez por todas aprender a desenhar letras no papel. Lembro até hoje de um episódio no colégio onde eu estudava, em que, um dia, passando pelo corredor das séries superiores à minha, vi uma frase escrita num cartaz e quis muito saber o que significava. Pensei em esperar minha hora de aprender a ler e a escrever, mas em seguida percebi que quando ela chegasse o cartaz talvez já não estivesse mais lá. Então todos os dias eu o fitava por um tempo e decorava a forma de duas letras e as desenhava num papel quando chegava em casa. Consegui desenhar a frase inteira depois de alguns dias e perguntei à minha mãe o que significava: “skate é vida”. Nunca gostei de skate, mas me senti realizada por ter, pela primeira vez, escrito uma palavra.
Muito antes de saber o que era Literatura, o que era estrutura formal e quais eram as regras da gramática, eu já despertava interesse em enxergar o mundo de forma diferente, queria saber usar as palavras do mesmo jeito que faziam os autores dos livros que minha tia me dava para ler. Ela tentou em todas as crianças da família despertar uma paixão que lhe movia: as letras. Felizmente, cedi às suas tentativas e me tornei hoje uma leitora e escritora talvez mais assídua do que ela própria.
Com o tempo, fui me acostumando a ganhar livros como presente de Natal e de aniversário em vez de brinquedos. Eu ganhava alguns brinquedos também, mas preferia passar mais tempo brincando com as palavras e tentando desvendá-las.  À medida que fui crescendo, o contato com a leitura ia aumentando cada vez mais e eu sentia que muitas palavras iam se acumulando na minha cabeça.
Comecei a escrever com frequência por me encantar com o conteúdo que lia nos livros, e já aos 10 anos usava a metalinguagem, que eu sequer sabia que existia, para fazer poesias sobre poesias, usar palavras para descrever a importância delas no meu dia a dia.
Quando percebi já estava completamente inserida no mundo das letras, mergulhada na vastidão de significados da Língua Portuguesa. No ensino médio, depois de ser devidamente apresentada à Literatura e ao Português, tive certeza de que todo o amor que eu desenvolvi pelas linguagens era verdadeiro e fui aprimorando naturalmente meu jeito de escrever.
Muitas criações minhas, como poemas, contos, dissertações e crônicas foram para os corredores do colégio ficar exportas, do mesmo modo que o cartaz “skate é vida” ficou. De algum modo, eu o devolvi à parede, mas com uma pequena alteração: diferentemente do que afirmaram em “skate é vida”, a vida, para mim, é escrever.

Sobre ler e aprender

Reescrita
Aluno 121


  No texto Leitura: Acepções, Sentidos e Valor, Luiz Britto identifica o consenso social de que ler é bom, relacionando-o ao papel humanizadora da leitura. Para isso, o autor destaca a ampliação da subjetividade e a ação com propriedade na sociedade oriundas da leitura. Tendo como base essa teorização, percebi que a minha história como leitor se divide em duas fases.
      A primeira, mais inocente, foi estimulada pelos livros infantis que minha mãe lia para mim, e também pela devoção familiar em relação à literatura. Algo me fascinava quando via meus pais lendo. Talvez o somatório da quietude, concentração, deleite e leveza envolvidos e que de alguma forma pareciam refrescar as energias da casa. A minha experiência, no entanto, era bem mais simples. Me aventurava pelos livros tendo como único objetivo o entretenimento imediato, especialmente compartilhar as aventuras das personagens.
      A grande mudança tornou-se viável na sexta-série. As aulas de Língua Portuguesa começaram a tratar mais sobre literatura. As leituras solicitadas, além de mais consagradas, como contos de Allan Poe e de Machado, eram mais numerosas e deliciosamente discutidas em aula. A partir das contextualizacões da professora acerca do autor e do gênero literário, os alunos expressavam suas conclusões e opiniões sobre as obras. Foi então que percebi, que minha leitura ate aqui era um tanto quanto descomprometida.  Como era muito mecânica, não obtida tantas conclusões como os outros. Enquanto meus colegas desenvolviam fatos subentendidos, inter-relações entre os personagens e o cenário e outras variadas significações, eu ficava mais restringido aos fatos  principais da narrativa.
        A partir de então, comecei a me dedicar mais ao ler. Acredito que quando investigamos as significações e sentidos que os textos possibilitam, tomamos mão de estratégias, buscamos nossas referências de mundo, de conhecimento e então uma leitura mais crítica naturalmente se estabelece. Como o pedagogo Paulo Freire teoriza, o ato de ler passa a ser mais do que a simples decodificação mecânica da palavra escrita, torna-se uma relação dinâmica entre linguagem e realidade.
     O mais bonito para mim é que ao mesmo tempo em que adotei uma postura crítica como leitor, também me permiti aprender muito mais a partir do que leio. Para nos abrirmos ao texto, primeiro nos colocamos numa posição de humildade e daí a intelecção de saberes se enriquece automaticamente. Seja se for uma ficção ou texto teórico ou outras abordagens, procuro ler sem pressa nem preguiça e explorando, por consequência, o poder humanizador e formativo da leitura.




REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRITTO, Luiz;Leituras: Acepções, Sentidos e Valor. Nuances: estudos sobre Educação, 2012
FREIRE, Paulo; A Importância do Ato de Ler: em tes artigos que se complementam, Cortez Editora. 1989

Sobre ler e aprender

Aluno 121
1 Versão


No texto Leitura: Acepções, Sentidos e Valor, Luiz Britto identifica o consenso social de que ler é bom, relacionando-o ao papel humanizadora da leitura. Para isso, o autor destaca a ampliação da subjetividade e a ação com propriedade na sociedade oriundas da leitura. Tendo como base essa teorização, percebi que a minha história como leitor se divide em duas fases.
      A primeira, mais inocente, foi estimulada pelos livros infantis que minha mãe lia para mim, e também pela devoção familiar em relação à literatura. Algo me fascinava quando via meus pais lendo. Talvez o somatório da quietude, concentração, deleite e leveza envolvidos e que de alguma forma pareciam refrescar as energias da casa. A minha experiência, no entanto, era bem mais simples. Me aventurava pelos livros tendo como único objetivo o entretenimento imediato, especialmente compartilhar as aventuras das personagens.
      A grande mudança tornou-se viável na sexta-série. As aulas de Língua Portuguesa começaram a tratar mais sobre literatura. As leituras solicitadas, além de mais consagradas, como contos de Allan Poe e de Machado, eram mais numerosas e deliciosamente discutidas em aula. A partir das contextualizacões da professora acerca do autor e do gênero literário, os alunos expressavam suas conclusões e opiniões sobre as obras. Foi então que percebi, que minha leitura ate aqui era um tanto quanto descomprometida.  Como era muito mecânica, não obtida tantas conclusões como os outros. Enquanto meus colegas desenvolviam fatos subentendidos, inter-relações entre os personagens e o cenário e outras variadas significações, eu ficava mais restringido aos fatos  principais da narrativa.
        A partir de então, comecei a me dedicar mais ao ler. Acredito que quando investigamos as significações e sentidos que os textos possibilitam, tomamos mão de estratégias, buscamos nossas referências de mundo, de conhecimento e então uma leitura mais crítica naturalmente se estabelece. Como o pedagogo Paulo Freire teoriza, o ato de ler passa a ser mais do que a simples decodificação mecânica da palavra escrita, torna-se uma relação dinâmica entre linguagem e realidade.
     O mais bonito para mim é que ao mesmo tempo em que adotei uma postura crítica como leitor, também me permiti aprender muito mais a partir do que leio. Para nos abrirmos ao texto, primeiro nos colocamos numa posição de humildade e daí a intelecção de saberes se enriquece automaticamente. Seja se for uma ficção ou texto teórico ou outras abordagens, procuro ler sem pressa nem preguiça e explorando, por consequência, o poder humanizador e formativo da leitura.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRITTO, Luiz;Leituras: Acepções, Sentidos e Valor. Nuances: estudos sobre Educação, 2012
FREIRE, Paulo; A Importância do Ato de Ler: em tes artigos que se complementam, Cortez Editora. 1989