sábado, 28 de junho de 2014

Parecer_Aluno 8

              Seu texto está bem escrito, porém apresente alguns problemas referentes às qualidades discursivas. O início do seu texto, por exemplo, está um pouco vago e não situa o leitor sobre qual será o tema principal relacionado à leitura abordado por você. Nesse mesmo parágrafo você não fornece parâmetros suficientes para o leitor criar uma imagem, resultando nessa falta de concretude que, ao longo do texto, é um problema recorrente.
            A quarta proposta de escrita trata-se de um memorial acadêmico. Por meio de um exercício mnemônico você deve escrever uma narrativa descritiva e reflexiva sobre sua trajetória como leitora. Durante a leitura do texto é perceptível uma busca entre suas memórias, porém não basta apenas relatar suas experiências, é preciso convocar o leitor. Para convocá-lo, seria interessante fornecer os parâmetros necessários para que ele “vivencie” suas memórias. Imagine que você tem uma máquina do tempo e você quer apresentar suas memórias enquanto leitora para alguém. Você tem duas opções: chamar alguém para lhe acompanhar, e se isso acontecer essa pessoa poder acompanhar seu passado de perto e de forma detalhada, ou você pode deixar essa pessoa de fora observando seu passado numa televisão velha, sem cores e com riscos, o que impossibilita que se percebam todos os detalhes. Repare que a primeira opção é a ideal para quem vai acompanhar sua história, enquanto a segunda pode ser um pouco confusa. Você faz o relato de suas memórias, mas acaba fazendo com que seu leitor veja naquela televisão pequena e velha com riscos, pois em inúmeros momentos o leitor tem conhecimento do seu contato com os livros, porém ele não consegue visualizar nada. Aqueles riscos impedem que se veja algo.  Observe o seguinte trecho do quarto parágrafo “... e por isso me comprou meu primeiro livro favorito, que nada tinha a ver com geógrafos: Bruxa Onilda vai à Nova York (CAPDEVILA, Roser), e que não englobava a Pangeia ou Big Bang. Comecei então minha trajetória pelos livros de ficção, com os quais troquei aqueles universo de meteoros que dizimavam  répteis gigantes por fadas, bruxas e princesas”. Por ser seu primeiro livro, seria interessante mostrar o porquê de ele ter ganhado o adjetivo “favorito”, talvez descrever o que você aprendeu e explicar qual era aquele universo de meteoros e répteis mencionados, pois não há explicações sobre ele. O quinto parágrafo é interessante e tem potencial para apresentar uma bela cena, porém novamente você não fornecesse os parâmetros necessários para fazer o leitor imaginar: “Adorava ler, criar novas histórias repletas de magia e façanhas dos meus heróis prediletos, com monstros horrendos e princesas aprisionadas por dinossauros...” Seria interessante que você explicasse como você criava essas histórias, como elas te ajudavam, talvez relacionar com algum dos textos teóricos e mostrar o efeito desse exercício no presente (visto que você tem uma bagagem literária grande e escreve muito bem). Releia seu texto e perceba que ao longo do seu texto você apenas apresenta uma lista dos livros que você leu.

            Lembre-se que a quarta proposta trata-se de um memorial acadêmico, por isso, ao contrário das propostas anteriores, atente-se aos aspectos formais de uma escrita acadêmica, como introdução, citações, recuos, espaçamentos, conforme as regras da ABNT. Nos momentos em que você introduz a ideia de um autor, você não faz de acordo com as normas da ABNT. Quanto aos aspectos formais, seu texto está bem escrito, o que mostra um bom domínio da norma.

Memorial de Leitura

1ª Versão
 Por Aluno 8


Na estante de madeira escura, próxima a janela que dava para um grande abacateiro, encontravam-se livros dos mais diversos tamanhos e cores. Havia alguns da finura de um dedo, outros grossos como um punho, cheios de códigos a serem decifrados e imagens coloridas.
Essa era a decoração da sala onde passei boa parte de minha infância, na qual minha mãe se sentava na poltrona laranja e lia durante horas e horas. E eu, um tanto curiosa em saber que graça tinham aquelas páginas de papel, tentava imitá-la, franzindo a testa, estreitando os olhos e fingindo que compreendia os seus mapas de geografia e as classificações de rochas.
Após alguns pequenos desastres, as prateleiras foram rebaixadas para que, quando esticasse meus pequenos dedos, alcançasse os livros sem derrubá-los no aquário localizado mais abaixo. Mais tarde, eu não os buscava apenas para folheá-los, mas lia explicações sobre como os vulcões entravam em erupção (infantis, é claro), o sistema solar e muitos, muitos livros sobre dinossauros.
Minha mãe se preocupava seriamente com a possibilidade de eu ser professora (de geografia, como ela), por isso me comprou meu primeiro livro favorito, que nada tinha a ver com geógrafos: Bruxa Onilda vai à Nova York (CAPDEVILA, Roser), e que não englobava a Pangeia ou o Big Bang. Comecei então minha trajetória pelos livros de ficção, com os quais troquei aquele universo de meteoros que dizimavam répteis gigantes por fadas, bruxas e princesas.
Mal sabia ela que, me apresentando ao mundo mágico onde as bruxas voavam para desfiles de moda, estava o meu novo mundo. Adorava ler, criar novas histórias repletas de magia e façanhas dos meus heróis prediletos, com monstros horrendos e princesas aprisionadas por dinossauros (ainda tinha influência deles).
A partir daí, na escola, meu objetivo de ler acabou virando a inspiração. Queria que os livros me ajudassem a criar histórias, histórias mágicas, com pontes levadiças, lutas e encantamentos. Meu propósito era instigar a imaginação e entrar em universos de mistério, pois este propósito se definia em meu contexto social e atendia às minhas expectativas como leitora na infância (ROTTAVA, 2000).
            Para tanto, eu achava que devia ser criativa, inovadora. Meus pais sempre proporcionavam o acesso e o incentivo à leitura, parte que hoje compreendo ser muito importante no papel de formação de um leitor letrado (ROTTAVA, 2000).
         Segui com os livros de aventura durante boa parte da pré-adolescência, passei por leões e armários em Crônicas de Nárnia (LEWIS, Clive Staples), os feitiços e profecias de Harry Potter(ROWLING, J.K.) até o submundo de elfos e gênios do crime de Artemis Fowl(COLFER, Eoin). Essas leituras, apesar de nitidamente não representarem o mundo “real”, eram autênticas e vinculavam-se à minha realidade, se encaixavam no processo de construção de meu conhecimento (ROTTAVA, 2000).
            Conhecimento esse que era formado também pelos temas universais dessas obras. Sim, me encantavam os elfos e os faunos, mas havia mais do que isso; temas como a valorização da família e da amizade para vencer os obstáculos também eram abordados, e isso me forneceu margem para dar início a outro tipo de leitura.
            Comecei a me interessar por livros um pouco mais densos. Agora eu me interessava pelos romances policiais, como Criatura e Criador (K, Sarah) e Sherlock Holmes (DOYLE, Sir Arthur Conan). Desejava descobrir o que estava por trás dos mistérios, não mais criados sem explicação alguma, mas com soluções para resolver as tramas.
             Nessa época, eu intercalava os assassinatos e roubos do detetive de Baker Street com o jornal de meu pai, que ele lia religiosamente todas as manhãs. Queria estar informada sobre as notícias, mas achava tão entediante que minhas pálpebras pesavam e eu bocejava até achar algo que me interessasse, como as tirinhas de humor, as palavras cruzadas ou o horário do cinema.
Hoje percebo que parte desse desinteresse se devia à falta de conhecimento textual, pois eu tinha pouca familiaridade com assuntos (ROTTAVA, 2000) como a política, a economia e as polêmicas do noticiário.  Desistia e voltava novamente aos enredos de suspense, com sombras desconhecidas que andavam pelas ruas da cidade em meio à neblina londrina.
Ao chegar ao ensino médio, no entanto, percebi a necessidade de me tornar uma “leitora dinâmica”. Deveria deixar de lado meus casos criminais e me ater à literatura, aos jornais e tudo aquilo que fizesse parte do universo do vestibular.
Honestamente, não lia quase nada do que me pediam. Faltava-me o estímulo, o brilho nos olhos, aquela sensação de estar dentro de um mundo diferente e inovador. Iniciei minha jornada de tentativa para me inserir nesse universo novamente, relendo meus antigos livros preferidos.
Para minha decepção, eles já não eram tão motivadores quanto antes. A linguagem era simples demais, as soluções (antes tão criativas!) para os problemas dos personagens já pareciam previsíveis. O sentido que atribuía aos livros de minha infância já mudava, pois a construção de sentidos depende dos modos de processamento assumidos pelo leitor (ROTTAVA, 1998), e o meu processamento havia se transformado junto comigo.
            Levei meu problema a minha professora de literatura. Perguntei a ela se haveria livros mais parecidos com os que eu apreciava ler, conversamos durante um tempo e ela me entregou um pequeno volume adaptado, com a capa vermelha, páginas amareladas e letras de forma que diziam: MacBeth, William Shakespeare.
            Concluí, ao final da leitura, que era curioso o fato de que um livro clássico pudesse ser interessante. Sim, eu havia gostado, lido mais de uma vez até, e me entusiasmado com aquela atmosfera nova de histórias que me mostravam novas perspectivas cada vez que as lia novamente.
            Uma delas foi Os Miseráveis, de Victor Hugo. Li e reli a obra (adaptada para uma versão bem menor do que a original) e, cada vez que o fazia, relacionava ora a obras com temas parecidos, ora a realidade que via toda vez que andava na rua, com todas as pessoas “miseráveis” que encontrava e que já faziam parte de meu cotidiano. Passava então a notá-las, imaginar o quanto fora fácil buscar a descrição para os pobres daquele enredo, era só abrir a janela e observar o que ocorrera durante toda a história da humanidade; a exclusão social, a injustiça, a miséria.
            Isso me instigou a iniciar a leitura de periódicos. Eu lia agora livros menos fantasiosos e ligados à história e às diferenças sociais, como em O Continente (VERISSIMO, Erico), que me fascinava por revelar a força e a determinação das mulheres na trajetória de formação do Rio Grande do Sul. Havia exemplos que me inspiravam, como o da personagem Ana Terra, ao defender sua família de bandidos com nada mais do que sua coragem, ou de Bibiana Cambará, que sofria e ainda assim cuidava de seus filhos, de seu patrimônio e família.
            Meus propósitos de leitura, durante minha trajetória com os livros, foram vários. Quis me esconder por trás deles e buscar abrigo em condados de hobbits e elfos (Senhor dos Anéis) e câmaras secretas, para depois procurar tramas com o suspense de assassinatos e investigações. Por último, dediquei-me a leitura de livros mais literários, pois procurava enredos que “não terminavam de dizer aquilo tinham a dizer”. Queria debater, interpretar e variar minhas leituras.
Hoje tento ler um pouco de tudo. Consigo utilizar o que já sei para compreender os textos (conhecimento prévio, (KLEIMAN, 1995)) e procuro livros que provoquem uma reação, pois a leitura deve permitir o estímulo a novas opiniões (ROTTAVA, 2000).
Ainda aprecio reler e fazer parte dos mundos de fadas aos quais eu dava tanto valor, mas tento conciliá-los com outros enredos, que me instiguem a refletir sobre novas metáforas e problemas (como em Os Miseráveis e tantos outros). A partir desse caminho traçado, encontrei meu interesse pela literatura e acompanho meus pais em suas leituras, eu com meus monstros, detetives e heroínas da realidade, eles com seus mapas e debates políticos.


Referências Bibliográficas
KLEIMAN, Angela.; Aspectos Cognitivos da Leitura; v. 4; p. 7-27; 1995
ROTTAVA, Lúcia.; Espaços da Escola; A importância da Leitura na Construção do Conhecimento; n. 35; p 11-16; 2000

ROTTAVA, Lúcia.; Espaços da Escola; A Leitura e a Escrita na Pesquisa e no Ensino; n. 35; p 61-68; 1998 

Leitura: um caminho de descobertas

Reescrita
Por Aluno 1

Minha experiência com a leitura começou bem cedo, quando eu tinha mais ou menos seis anos de idade. Não era exatamente a ideia de leitura que tenho hoje, mas a considero porque foi aquele início que, tempo depois, despertaria a minha curiosidade pelos livros.
Naquela época, minha mãe contava para mim e para minha irmã histórias antes de dormirmos, aquelas de princesas e finais felizes. Minha mãe sempre me incentivou a ter interesse por histórias de qualquer gênero, assim, quando fosse grande demais para ouvir histórias antes de dormir, poderia buscá-las em outro lugar. Esse outro lugar seria os livros.
Lembro de uma noite em que estava no quarto dos meus pais com eles, os dois estavam lendo e eu decidi que também queria ler. Peguei o primeiro livro que vi na estante da minha mãe. Para mim, que era pequena, aquele livro pareceu enorme, o nome dele era Crianças do Além de Chico Xavier. Considero aquele o meu primeiro livro “grande”, embora hoje saiba que ele não é tão grande assim.
Eu não fazia ideia de que estava lendo um livro espírita, sequer sabia o que era um livro espírita. Tampouco lembro o que meus pais me disseram sobre aquele livro, se disseram alguma coisa. Só sei que, após terminar a leitura, me senti vitoriosa e queria ler mais livros.
Gostaria de salientar, sobretudo, a importância que meus pais tiveram nesse início da vida como leitora. Eles me incentivaram não de forma forçada, mas sutilmente: sentando comigo para fazer os temas da escola, contando-me histórias, lendo na minha frente para eu ver que é uma atividade normal e saudável.
É interessante que em Rottava (2000) esse é um tópico trabalhado: não deixar apenas para a escola a tarefa de despertar e incentivar o interesse pela leitura, e sim, os pais estarem conscientes de que esse é um trabalho deles também. Nesse aspecto, meus pais nunca falharam e devo a eles, mais do que a escola, o meu gosto por tal atividade.
Os livros que li a seguir não consigo me recordar. Lembro que em determinado momento tive que ler para a escola O Fantástico Mistério de Feiurinha de Pedro Bandeira. Era um teatro, e eu o li com tamanha voracidade que o terminei em um dia. Mais tarde, a história viria a ser um filme estrelado pela Xuxa, não quis assisti-lo para não estragar a ideia que eu tinha do livro.
Sinto essa sensação com os dois livros: não quero relê-los e nem quero ver o filme da Xuxa, porque em minha mente tenho a ideia de terem sido maravilhosos e se eu os ler outra vez, agora mais velha, provavelmente, irei achá-los toscos. Tenho apenas flashbacks das histórias e, às vezes, não sei mais se eles são realmente o que estava escrito ou se já começo a imaginar algo que eu quero lembrar. Provavelmente, deve ser os dois.
A leitura que realizei naquele tempo e que me encantou pode se incluir no contexto de leitura como prática social, feita em determinado contexto, com determinados interesses, onde o leitor tem seus próprios propósitos ao se dedicar para leitura, relacionados às experiências do leitor como sujeito participante de uma cultura ou de um meio social (ROTTAVA, 2012). Aquelas minhas leituras que pareceram tão maravilhosas, hoje podem ser vistas com outros olhos. Primeiro, porque eu, como leitora, mudei meus interesses, e segundo, porque o contexto social ao qual estou inserida também mudou.
Devo ter lido mais alguns livros nesse meio tempo, mas não me recordo. O próximo livro a despertar interesse pela leitura foi um de Paulo Coelho, a pedido da professora de português da escola. O mais incrível é que aquela foi a única profissional da área que pediu para os alunos lerem Paulo Coelho. Eu acho que estava na sexta série do Ensino Fundamental. Li três obras do autor e as deixei de lado para partir para novas leituras.
Hoje, ouço com muita frequência críticas ao autor. Não reli os livros para saber se são assim tão ruins, mas a crítica me influenciou a pensar que sim, Paulo Coelho é ruim. Um dia perguntei o porquê a uma amiga que também alegava a má qualidade das obras de Paulo Coelho, e ela me respondeu: é uma leitura muito fácil, por isso é ruim. Perdi a chance de perguntar a ela por que uma leitura fácil seria ruim. Aquela explicação não fez muito sentido para mim, e ninguém me deu uma melhor, então dei o assunto por encerrado.
Por isso creio que não é exatamente o porquê de Paulo Coelho ser ruim que mudou a minha ideia sobre ele, mas sim as repetições dessa afirmação. E, somado a isso, a forma com que as pessoas ficavam espantadas quando eu comentava que li diversos livros dele, geralmente essas eram as reações delas: “como você consegue? É tão ruim!”; “Nossa! sério? Que podre”; “do Paulo Coelho? Nossa!”. Eu não precisava nem citar ter lido os livros, os próprios professores em aula os usavam como exemplo de texto “mal escrito”.
Contudo, ele tem um significado na minha trajetória com a leitura, porque a partir de então comecei realmente a ter um convívio mais frequente com os livros. E essas diversas críticas ao autor e ao seu texto me causam, diferentemente dos outros dois livros citados, curiosidade em reler. Preciso fazê-lo agora com os olhos críticos de alguém que já leu mais do que um livro espírita e teatro infanto-juvenil.
Ao mesmo tempo em que essa curiosidade pela releitura das obras de Paulo Coelho, pode ser justificada pela ideia a seguir:
“Ler é também desempenhar uma tarefa comunicativa com o propósito real. O propósito real é determinado socialmente pelas necessidades de leitura que os aprendizes deparam.” (ROTTAVA, 1998; p. 62)
Dessa forma, a releitura agora seria movida por um novo propósito, onde eu desempenharia uma tarefa comunicativa com ele, que seria buscar e entender os defeitos da obra daquele autor.
 De fato, a leitura aconteceu em minha vida desde muito cedo. Lia as imagens que via em livros infantis e nos desenhos animados, lia a cena de minha mãe estar contando histórias para mim. Mas essas leituras perdem um pouco do valor na sociedade, segundo Britto (2012) apenas leituras de livros e de conteúdos que estão além daquelas que praticamos no dia a dia que são consideradas construtivas para um leitor.
Acredito que esse pensamento é totalmente desestimulante aos futuros leitores, pois os faz crer que ler é apenas ler textos extensos e chatos. Aqui, retomamos o conceito de leitura como prática social, pois, dessa forma, a criança perceberá aos poucos, conforme toma maturidade, que tipo de leitura lhe agrada. Essa prática deve ser considerada como uma escada, em que se deve subir um degrau de cada vez.
Confesso que até entrar na graduação e trabalhar com esses conceitos não possuía noção de estímulo à leitura. Na verdade, um leitor não se tornará um bom leitor se ler por obrigação, a obrigatoriedade torna as coisas tediosas, mas sim, deve-se mostrar a criança possibilidades de leitura, que ela escolherá de acordo com suas vontades.
Olhando por esse lado, percebo que meus pais fizeram isso comigo durante toda a minha infância. Nunca me forçaram a ler nada que eu não tivesse interesse, mas sim, de forma sutil, como eu disse anteriormente. Aos poucos comecei a imitá-los, por exemplo, meu pai costumava ler jornal, eu o via lendo e isso despertou vontade de ler aquilo também. Minha mãe sempre gostou de romances, eu a via lendo – achava, na verdade, os títulos desinteressantes –, mas vê-la lendo, me fez despertar também interesse por romances, não os mesmos que os dela, mas outros títulos e outros autores.
Fui criando meus próprios interesses através da minha livre escolha de leitura, e assim fazendo-a cada vez mais frequente em minha vida. Até que então, ainda nova demais para compreender, atingi um tipo de leitura que estava um pouco fora do meu alcance de entendimento: parti para o primeiro livro de filosofia, peguei-o na instante de meu pai.
Ora, meu pai disse que aquele livro era bom, por que não acreditar? Nos primeiros capítulos, parei. Ficou ali, na minha cabeceira, uns dois meses sem que eu o tocasse. O nome da obra era Zen e a arte da manutenção de motocicletas de Robert M. Pirsig.
Passado um tempo, tive que enfrentar a fera. Recomecei a leitura, e, dessa vez, fui até o fim. Percebi, então, que ler vai além de um passatempo. Ler é, sobretudo, adquirir conhecimentos e pensamento crítico. Até aquele momento, não pensava em leitura como construção de pensamento crítico, e isso mudou completamente a minha ideia de leitura e do que gostaria de ler.
O sentimento que tive ao terminar de ler Zen e a arte da manutenção de motocicletas foi de uma nova visão de vida: ser mais curiosa e buscar entender as coisas, ao invés de negá-las por simplesmente achar que são tediosas. Isso quem me ensinou não foi a leitura, mas sim o próprio livro. Era essa a mensagem que ele tinha no seu texto. E, ao terminar, entendi, e isso passou a tornar o livro interessante. Eu considero esse entendimento final de algum texto como o responsável pela formação do pensamento crítico. É quando percebemos que há algo a mais naquela leitura, e, mais que isso, conseguimos perceber o que é esse algo a mais e pensar a respeito dele.
Depois disso, passei a gostar mais de leituras que me trazem essa compreensão ao final do que daquelas que não me trazem nada. Preciso de um esforço, é claro, não é uma leitura fácil, mas quando fecho o livro, dou aquele suspiro e fico saboreando o gostinho daquilo que li, procurando juntar os sentidos para entender o que aquelas folhas tentaram me dizer. E, ao compreender, experimentar a sensação de vitória: eu consegui!
Obviamente, esse tipo de leitura não se tornou o único, contos e romances leves ainda se fazem muito presentes. Histórias de Paris de Mario Benedetti são meus contos favoritos e olho para aquele livro, fininho e leve na estante todos os dias, esperando ansiosamente para relê-los e sim, encontrar sentido. Porque afinal, todo texto tem um sentido, nem que seja apenas divertir.

REFERÊNCIAS
BRITTO, Luiz P. L.; Leitura: acepções, sentido e valor In Nuances: estudos sobre Educação; v. 21. n. 22; p. 18-22; 2012
ROTTAVA, Lucia; Leitura e Escrita na Pesquisa e no Ensino In Espaço da Escola; n. 26; p. 61-68; 1998
ROTTAVA, Lucia; A Importância da Leitura na Construção de Conhecimento In Espaço da Escola; n. 35; p. 11-16; 2000

ROTTAVA, Lucia; A leitura em contexto acadêmico: o processo de construção de sentidos de alunos do primeiro semestre do curso de letras In Signo; v. 37 n.63, p. 160-179, 2012.

Leitura: um caminho de descobertas

1ª Versão
Por Aluno 1


Minha experiência com a leitura começou bem cedo, acredito que eu tinha mais ou menos seis anos. Não era exatamente a ideia de leitura que tenho hoje, mas a considero porque foi aquele início que, tempo depois despertaria a curiosidade pelos livros.
Naquela época, minha mãe, antes de dormir contava, para mim e minha irmã, uma história, aquelas de princesas e finais felizes. Minha mãe sempre me incentivou a ter interesse por histórias de qualquer gênero, assim, quando fosse grande demais para ouvir histórias antes de dormir, poderia buscá-las em outro lugar. Esse outro lugar seriam os livros.
Lembro de uma noite em que estava no quarto dos meus pais com eles, os dois estavam lendo e eu decidi que também queria ler. Peguei o primeiro livro que vi na estante da minha mãe, para mim, que era pequena, aquele livro pareceu enorme. O nome dele Crianças do Além de Chico Xavier. Considero aquele o meu primeiro livro “grande”, embora hoje eu saiba que ele não é tão grande assim.
Eu não fazia ideia de que estava lendo um livro espírita, sequer sabia o que era um livro espírita. Tampouco lembro o que meus pais me disseram sobre aquele livro, se disseram alguma coisa. Só sei que, após terminar a leitura me senti vitoriosa e queria ler mais livros.
Os livros que li a seguir não consigo me recordar. Lembro que em determinado momento tive que ler para a escola O Fantástico Mistério de Feiurinha de Pedro Bandeira. Era um teatro, e eu o li com tamanha voracidade que o terminei em um dia. Mais tarde, a história viria a ser um filme estrelado pela Xuxa, não quis assisti-lo para não estragar a ideia que eu tinha do livro.
Sinto essa sensação com os dois livros, não quero relê-los e não quero ver o filme da Xuxa, porque na minha cabeça tenho a ideia de terem sido maravilhosos. E se eu lê-los outra vez, agora mais velha, provavelmente, vou achá-los toscos. Tenho apenas flashbacks das histórias e, às vezes, não sei mais se eles são realmente o que estava escrito ou se já começo a imaginar algo que eu quero lembrar, mas que não existiu. Provavelmente, deve ser os dois.
A leitura que realizei naquele tempo e que me encantou, pode se incluir no contexto de leitura como prática social, feita em determinado contexto, com determinados interesses. Quando o leitor tem seus próprios propósitos ao se dedicar para leitura, relacionados às experiências do leitor como sujeito participante de uma cultura ou de um meio social (ROTTAVA, 2012). Aquelas minhas leituras que me pareceram tão maravilhosas, hoje podem ser vistas com outros olhos. Primeiro porque eu, como leitora, mudei meus interesses e, também, o contexto social ao qual estou inserida.
Devo ter lido mais alguns livros nesse meio tempo, mas não me recordo, o próximo livro a despertar interesse pela leitura, foi um de Paulo Coelho, a pedido da professora de português da escola. O mais incrível é que aquela foi a única profissional da área que pediu para os alunos lerem Paulo Coelho. Eu acho que estava na sexta série do Ensino Fundamental. Li três obras do autor e as abandonei.
Hoje ouço com muita frequência críticas ao autor, não reli os livros novamente para saber se são assim tão ruins, mas a crítica me influenciou a pensar que sim, Paulo Coelho é ruim. Contudo, ele tem um significado na minha trajetória com a leitura, porque a partir de então comecei realmente a ter um convívio mais frequente com os livros. Diferentemente dos outros dois livros citados, as obras de Paulo Coelho quero reler, preciso fazê-lo agora com os olhos críticos de alguém que já leu mais do que um livro espírita e teatro infanto-juvenil.
De fato, a leitura aconteceu em minha vida desde muito cedo, lia as imagens que via em livros infantis e nos desenhos animados, lia a cena de minha mãe estar contando histórias para mim. Mas essas leituras perdem um pouco do valor na sociedade, segundo Britto (2012) apenas leituras de livros e de conteúdos que estão além daquelas que praticamos no dia a dia que são consideradas construtivas para um leitor.
Eu acredito que esse pensamento é totalmente desestimulante aos futuros leitores, pois os faz crer que ler é apenas ler textos extensos e chatos. Aqui, retomamos o conceito de leitura como prática social, pois, dessa forma, a criança perceberá aos poucos, conforme toma maturidade, que tipo de leitura lhe agrada. Essa prática deve ser considerada como uma escada, que se suba um degrau de cada vez.
Confesso que até entrar na graduação e trabalhar com esses conceitos não possuía noção de estímulo à leitura. Na verdade, um leitor não se tornará um bom leitor se ler por obrigação, a obrigatoriedade torna as coisas tediosas, mas sim, deve-se mostrar a criança possibilidades de leitura, que ela escolherá de acordo com suas vontades.
Olhando por esse lado, percebo que meus pais fizeram isso comigo durante toda a minha infância. Nunca me forçaram a ler nada que eu não tivesse interesse, aos poucos comecei a imitá-los, por exemplo, meu pai costumava ler jornal, eu o via lendo e isso despertou vontade de ler aquilo também. Minha mãe sempre gostou de romances, eu a via lendo – achava, na verdade, os títulos desinteressantes –, mas vê-la lendo, me fez despertar também interesse por romances, não os mesmos que o dela, mas sim, outros títulos e outros autores.
Fui criando meus próprios interesses através da minha livre escolha de leitura, e assim fazendo-a cada vez mais frequente em minha vida. Até que então, ainda nova demais para compreender, atingi um tipo de leitura que estava um pouco fora do meu alcance de entendimento: parti para o primeiro livro de filosofia, peguei-o na instante de meu pai.
Ora, meu pai disse que aquele livro era bom, por que não acreditar? Nos primeiros capítulos, parei. Ficou ali, na minha cabeceira, uns dois meses sem que o tocasse, Zen e a arte da manutenção de motocicletas de Robert M. Pirsig. Passado um tempo, tive que enfrentar a fera. Recomecei a leitura, e dessa vez, fui até o fim. Percebi, então, que ler vai além de um passatempo. Ler é, sobretudo, adquirir conhecimentos e pensamento crítico. Até aquele momento, não pensava em leitura como construção de pensamento crítico, e isso mudou completamente a minha ideia de leitura e do que gostaria de ler.
O sentimento que tive ao terminar de ler Zen e a arte da manutenção de motocicletas foi de uma nova visão de vida: ser mais curiosa e buscar entender as coisas, invés de negá-las por simplesmente achar que são tediosas. Isso quem me ensinou não foi a leitura, mas sim o livro. Era essa a mensagem que ele tinha no seu texto. E, ao terminar, entendi, e o entendimento passou a tornar o livro interessante. Hoje olho para ele e penso o quanto é bom tê-lo lido.
Depois disso, passei a gostar mais de leituras que me tragam esse entendimento ao final do que daquelas que não me trazem nada. Preciso de um esforço, é claro, não é uma leitura fácil, mas quando fecho o livro, dou aquele suspiro e fico saboreando o gostinho daquilo que li, procurando juntar os sentidos para entender o que aquelas folhas tentaram me dizer. E, ao compreender, experimentar a sensação de vitória: eu consegui!
Obviamente, esse tipo de leitura não se tornou o único, contos e romances leves ainda se fazem bastante presentes. Histórias de Paris de Mario Benedetti são meus contos favoritos e olho para aquele livro, fininho e leve na estante todos os dias, esperando ansiosamente para relê-los e sim, encontrar sentido. Porque afinal, todo texto tem um sentido, nem que seja apenas divertir.

REFERÊNCIAS
BRITTO, Luiz P. L.; Leitura: acepções, sentido e valor In Nuances: estudos sobre Educação; v. 21. n. 22; p. 18-22; 2012
ROTTAVA, Lucia; A leitura em contexto acadêmico: o processo de construção de sentidos de alunos do primeiro semestre do curso de letras In Signo; v. 37 n.63, p. 160-179, 2012

Parecer_Aluno 1

Há vários episódios de sua vida referentes à leitura relatados no texto, os quais dão consistência à parte do memorial que se encarrega de convencer o interlocutor. Como sugestão, no entanto, a autora poderia intercalar essas experiências com mais conceitos teóricos dos textos disponibilizados ao longo da cadeira. Quando fala sobre o modo como foi introduzida ao mundo da leitura (através dos hábitos familiares), pode, por exemplo, trazer a ideia do culto da leitura como sendo uma prática familiar (ideia trabalhada por Rottava, 2000).
No sétimo parágrafo, parece haver um período que está inacabado, pois a autora inicia uma ideia e aparentemente não a finaliza. Cuidado, inclusive, com a ambiguidade ao fim desse mesmo parágrafo, pois o que sintaxe da última frase sugere é que a autora também modificou o contexto social em que está inserida, e não que o próprio contexto social sofreu uma mudança por si mesmo.
No nono parágrafo, você diz que o jeito como percebia a obra de Paulo Coelho mudou de positivo para negativo, devido às críticas ao autor. Como suas transformações como leitora a fizeram achá-lo ruim, por exemplo? Ou de que forma as críticas influenciaram sua compreensão da obra de Paulo Coelho? Da mesma maneira, seria interessante explicar, no décimo quinto parágrafo, por que ler é adquirir pensamento crítico ou de que forma o pensamento crítico pode decorrer da prática da leitura. Suas concepções sobre essas questões, se impressas no texto, talvez possam dar ainda mais indícios da sua constituição como leitora, uma vez que elas são parte de sua trajetória literária. A proposta deste memorial é, sobretudo, fazer um percurso pelo processo de letramento do autor para que, dessa forma, sua identidade literária se faça perceptível ao interlocutor.

Por fim, sugiro que releia seu texto, para que encontre algumas inadequações referentes aos aspectos formais. Por exemplo, no décimo primeiro parágrafo, há de se rever o modo verbal do verbo “subir”; no penúltimo parágrafo, o modo verbal do verbo “trazer”; no antepenúltimo parágrafo, a ausência de “ao” em “invés”, etc. Algumas vírgulas, além disso, estão empregadas em situações nas quais poderiam ser empregados outros sinais de pontuação mais adequados, como no décimo terceiro parágrafo: o segundo período contém duas orações que não mantêm relação direta de ideia (Nunca me forçaram a ler nada que eu não tivesse interesse, aos poucos comecei a imitá-los). Nesses casos, prefere-se o ponto final, por exemplo. Reveja, também, a ausência de espaço entre os títulos das obras que mencionou e seus respectivos autores. Enfim, reforça-se aqui a importância da releitura de seu próprio texto.