segunda-feira, 20 de julho de 2015

Parecer_Aluno64

Há problemas na objetividade com que seu texto se inicia, pois, ao invés de ir direto ao ponto, você primeiro convida o leitor a divagar sobre o processo de elaboração de seu memorial. Leve em conta que se o seu propósito inicial para com o memorial de leitura é, como pressupõe a proposta textual em questão, o de discorrer sobre suas memórias em relação à prática literária e de tramá-las com a teoria trabalhada em aula, divagações sobre pontos externos e não pertinentes, como o processo de escrita, são um tanto quanto irrelevantes para esse fim. Ou seja, é preferível que você se mantenha fiel ao tópico central, ou então o texto ficará tematicamente fragmentado, confuso e incompreensível em seu propósito. Se quiser introduzir como seus familiares se incluem em seu processo de letramento ou alfabetização, portanto, talvez você queira fazê-lo mais diretamente.
Pela falta de objetividade, além disso, o seu texto acaba por se tornar um tanto quanto sinuoso, sem uma clara linearidade lógica no encadeamento de ideias. Note como o seu raciocínio no segundo parágrafo se comporta de forma inexata: você conta como sua mãe a ajuda no resgate de memórias, volta-se para os dizeres de Rottava (2000) e os abandona para, outra vez, explicitar brevemente seus esforços sobre a elaboração do memorial. Repare, além disso, na extensão desse e do terceiro e último parágrafo: ela, por si só, indica que a autora aborda uma série de coisas apenas nesses dois parágrafos. Ao lê-los com atenção, você perceberá que eles não se desenvolvem em torno de um único tópico ou ideia central, e isso é contrário à natureza do parágrafo.
Todos esses apontamentos, em resumo, dizem respeito à objetividade e à unidade temática e devem ser considerados para a reescrita de seu texto. A autora precisa pensar em uma maneira de reorganizar as ideias inclusas no memorial, de forma a dispô-las em parágrafos motivados e que sigam um mesmo fio condutor.

Outro ponto a ser avaliado é o emprego da pontuação, que, no seu caso, não é algo grave, mas que pode mudar a fluidez com que a leitura de seu texto transcorre. Percebe-se um uso abundante do ponto e vírgula e, em alguns trechos de seu texto, ele parece ter um propósito de uso questionável. Sabendo, todavia, que esse sinal de pontuação não tem uma definição de uso muito clara, você talvez queira reler seu texto e, quando achar necessário ou conveniente, substituir o ponto e vírgula por outro sinal de pontuação cujo emprego se adeque melhor à função. É uma sugestão apenas.

Memorial de Leitura

Aluno 64
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A ideia de escrever um memorial sobre as minhas experiências literárias pareceu muito simples, observada à distância; e acaba de colocar as garrinhas para fora, “quais experiências? quais memórias?”, parece que não há nada. Antes que o pânico tome assento, abandono o cansativo processo de pesquisa mental e assumo o papel de pesquisadora de campo, deixando aqui e ali perguntas e colocações diversas sobre a minha infância; meu público alvo são aqueles que sentem orgulho ao revisitar essas memórias, meus pais, avó e madrinha, que não demoram a morder a isca.
Minha mãe sugere que a falha em recordar não mostra desleixo de minha parte, ou desinteresse pela leitura; não há lembrança vívida pois o interesse pelas letras nunca foi um acontecimento espetacular, mas algo tão natural que destacar um único momento torna-se difícil. Enquanto ela discursa sobre seus próprios hábitos como leitora e comenta a minha trajetória, vai de encontro ao texto de Rottava (2000), solene ao dizer que os pais têm o dever de proporcionar à prole o contato com a literatura e incentivá-los a cultivar o hábito de ler. Vai além: ler não apenas livros ou jornais, mas tudo que pode ser lido; histórias em quadrinho, legendas na televisão, bulas de remédio, outdoors. Estou prestes a perguntar se a moral da história é que devemos ler “porque sim”, e me dou conta que a resposta é muito mais complexa do que “sim” ou “não”. Concentro-me nas memórias das tardes após a escola, quando ainda pequenina eu tentava decifrar as palavras dos livros da biblioteca, juntando letra com letra para formar a sílaba e então sílaba com sílaba para formar palavra; pouco entendia nessa época, mais interessada na lógica do processo de leitura do que em seu conteúdo. Mais tarde, descobri um novo mundo, onde não era necessário criar situações e personagens, adivinhar o enredo com base nas figuras impressas. Aprendera a ler, e com isso decifrar a mensagem, atribuir-lhe sentido. Rottava (2000) explicita a relação entre o compreender e o conhecimento prévio do leitor, citando Kleiman (1995), que elucida:
A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento linguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto; […] Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão. (KLEIMAN, 1995, p. 13)
Assim sendo, concluo que cada leitor terá uma interpretação diferente de um texto, com base em seu conhecimento prévio, e imagino que um mesmo leitor construirá novos sentidos a cada leitura - a passagem do tempo e novas experiências farão com que a mensagem se modifique. A lembrança que melhor ilustra essa situação está relacionada ao livro Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer. O volume chegou em minhas mãos quando eu tinha apenas treze anos, na forma de presente de formatura do Ensino Fundamental. Apesar de nunca ter ouvido falar a respeito da obra, minha madrinha garantiu que era uma ótima história, recomendada por outras meninas da minha idade, alunas suas que ela consultara a fim de encontrar um bom presente. Aos treze anos, julguei a história envolvente e interessante. Aos dezessete, quando quis rememorar as sensações da primeira leitura, o livro me pareceu infantil e abandonei-o antes de chegar à metade. Hoje, aos dezenove, ele serve como peso para papel na estante. O que me coloca em uma posição desagradável: há muitos livros que gostaria de revisitar, por reconhecer sua importância em meu desenvolvimento como leitora e como pessoa; ao mesmo tempo, temo profanar as memórias com minha nova percepção de mundo. A boa notícia é que nunca esgotarei as possibilidades; para achar um texto que complemente a vida cotidiana, aqueça o coração ou amplie meus horizontes, basta perceber que é hora de abandonar os títulos que me são tão queridos e encontrar um novo amor.
REFERÊNCIAS
ROTTAVA, Lucia. A importância da leitura na construção do conhecimento.  In Espaços da Escola, ano 9, n 35, p. 11-16, 2000.
KLEIMAN, Angela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 4ª ed. Campinas: Pontes, 1995.

Área de transferência

Aluno 64
Reescrita


Estamos no século XXI e minha mãe ainda se atrapalha quando eu peço que "copie o link". Considerando o quão raro é encontrar uma família que não tenha computador em casa, o fato de algo tão básico quanto a operação "copia e cola" ainda causar confusão é preocupante. Venho por meio deste texto tentar remediar o problema, oferecer auxílio às pobres almas que ainda desconhecem essa ferramenta. Pedir ajuda ao adolescente emburrado, nunca mais!
Pulemos diretamente ao que interessa: o conhecimento mágico que trará para mais perto a sua independência tecnológica. A chamada "área de transferência" é um recurso que armazena dados, a fim de (surpresa!), transferi-los para outro documento ou aplicativo. Esta informação é muito importante, pois deixa claro o que precisamos para que o procedimento funcione: uma fonte, um pedaço de texto ou imagem que será copiado, e um destino, o local onde queremos que a informação apareça, como uma mensagem ou e-mail. Certifique-se de que o computador está ligado. Lembre-se que e-mails, vídeos e mídias similares requerem conexão à internet.
O primeiro passo é identificar a fonte e o destino. Digamos que você precise escrever um trabalho sobre sacrifícios humanos realizados nos rituais da civilização Inca; digitar o conteúdo encontrado na Wikipédia dá muito trabalho, especialmente depois de ter gasto tanto tempo lendo toda aquela baboseira para encontrar a parte que interessa. Nada tema! Não há necessidade de submeter-se a esse martírio. Antes de começarmos, reprima a vontade de clicar sobre o "X", geralmente na cor vermelha, presente no canto superior direito do navegador; ele corresponde ao comando "fechar janela" que, caso executado, tornará o processo mais trabalhoso. É hora de criar um novo documento no editor de textos de sua escolha (não, repito, não feche a janela do navegador, ambas podem coexistir sem qualquer problema); para isso, perceba a existência de uma barra (cores e desenhos podem variar) na parte inferior da tela, e então localize, no lado esquerdo, um botão em formato similar ao de uma bandeira. Com sorte, a nova tela terá um ícone contendo a letra "W" - se esse não for o caso, tecle a palavra "Word", e pressione a tecla "Enter". Se você foi agraciado com um retângulo em branco com fundo azul, bom trabalho! Retorne à página de onde copiaremos as informações, clicando no símbolo que lhe parece mais familiar (aquele utilizado para acessar sites como Google, Facebook ou Wikipédia). O primeiro passo está concluído - parabéns!
O segundo passo é um pouco mais complicado, e requer mais atenção. Com a mão sobre o mouse, clique sobre a primeira letra do parágrafo a ser roubado e, sem soltar o botão, arraste o cursor para a direita e para baixo, até que todo o texto tenha sido destacado. Afaste-se do computador e prepare-se para o próximo momento. Observe atentamente o teclado: dos lados esquerdo e direito, encontra-se uma tecla chamada “Ctrl”. Ela será de suma importância daqui para frente. Localize também as teclas “C” e “V”. Quando estiver preparado, pressione, nesta ordem: a tecla “Ctrl” e a tecla “C”. Perceba que nada acontecerá, mas não entre em pânico. Você está indo bem. Traga para primeiro plano o documento criado durante o passo anterior. Clique em qualquer lugar da parte branca (que representa a folha) para certificar-se de que o procedimento será um sucesso. Pressione a tecla “Ctrl”, e então a tecla “V”. A operação “control cê control vê” está concluída; abra o champanhe e não esqueça de clicar o ícone em formato de disquete, presente no canto superior esquerdo da tela, para salvar o seu trabalho.

Parecer_Aluno64

Aluno 64, teu texto está muito bom. A minha sugestão para a reescrita é você descrever mais a tela do computador, criando uma imagem e situando o leitor no que você descreve. Dessa forma, você não exige um conhecimento prévio do leitor sobre o computador.  Apenas observe isso na reescrita e o texto ficará completo.

Boa reescrita.

Área de transferência

Aluno 64
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Estamos no século XXI e minha mãe ainda se atrapalha quando eu peço que "copie o link". Considerando o quão raro é encontrar uma família que não tenha computador em casa, o fato de algo tão básico quanto a operação "copia e cola" ainda causar confusão é preocupante. Venho por meio deste texto tentar remediar o problema, oferecer auxílio às pobres almas que ainda desconhecem essa ferramenta. Pedir ajuda ao adolescente emburrado, nunca mais!
Pulemos diretamente ao que interessa: o conhecimento mágico que trará para mais perto a sua independência tecnológica. A chamada "área de transferência" é um recurso que armazena dados, a fim de (surpresa!), transferi-los para outro documento ou aplicativo. Esta informação é muito importante, pois deixa claro o que precisamos para que o procedimento funcione: uma fonte, um pedaço de texto ou imagem que será copiado, e um destino, o local onde queremos que a informação apareça, como uma mensagem ou e-mail. Certifique-se de que o computador está ligado. Lembre-se que e-mails, vídeos e mídias similares requerem conexão à internet.
O primeiro passo é identificar a fonte e o destino. Digamos que você precise escrever um trabalho sobre sacrifícios humanos realizados nos rituais da civilização Inca; digitar o conteúdo encontrado na Wikipédia dá muito trabalho, especialmente depois de ter gasto tanto tempo lendo toda aquela baboseira para encontrar a parte que interessa. Nada tema! Não há necessidade de submeter-se a esse martírio. Crie um novo documento no editor de textos de sua escolha (não, repito, não feche a janela do navegador, ambas podem coexistir sem qualquer problema) e retorne à página de onde copiaremos as informações. O primeiro passo está concluído - parabéns!
O segundo passo é um pouco mais complicado, e requer mais atenção. Com a mão sobre o mouse, clique sobre a primeira letra do parágrafo a ser roubado e, sem soltar o botão, arraste o cursor para a direita e para baixo, até que todo o texto tenha sido destacado. Afaste-se do computador e prepare-se para o próximo momento. Observe atentamente o teclado: dos lados esquerdo e direito, encontra-se uma tecla chamada “Ctrl”. Ela será de suma importância daqui para frente. Localize também as teclas “C” e “V”. Quando estiver preparado, pressione, nesta ordem: a tecla “Ctrl” e a tecla “C”. Perceba que nada acontecerá, mas não entre em pânico. Você está indo bem. Traga para primeiro plano o documento criado durante o passo anterior. Clique em qualquer lugar da parte branca (que representa a folha) para certificar-se de que o procedimento será um sucesso. Pressione a tecla “Ctrl”, e então a tecla “V”. A operação “control cê control vê” está concluída; abra o champanhe e não esqueça de clicar o ícone em formato de disquete para salvar o seu trabalho.