Reescrita
Por Aluno 5
Eu
estava arrumando o meu quarto quando encontrei aquela foto. Nela estávamos eu e
Kelly, minha cadelinha que ganhei quando tinha seis anos. Sentadas na grama, eu
com um sorriso no rosto, ela com a língua para fora. Sorri ao ver aquela
imagem, e comecei a pensar nos momentos que passei com ela. Veio em minha
cabeça, então, o que eu considero o dia mais especial que passei ao lado dela,
o dia em que ela me ensinou o significado de amizade.
Eu
tinha 16 anos e a Kelly tinha 11. Ela já não era mais aquela de antes, animada,
que corria sem parar, que destruía o que via pela frente (incluindo o sofá e os
nossos chinelos), que ficava buscando os brinquedos que nós jogávamos pra ela.
No lugar disso ela preferia passar seu tempo dormindo, não levantando para
quase nada, só para se alimentar e para me seguir para todos os lugares que eu
ia – hábito que ela possuía desde filhote -.
Kelly
foi ficando cada vez mais fraca e sem vontade para nada. Não comia e não se
levantava mais. Preocupados, meus pais e eu decidimos levar ela ao veterinário.
Ele receitou alguns remédios e disse que se caso ela piorasse, teríamos que
voltar lá e ela seria operada. Naquela semana tive que viajar, então meus pais
ficaram cuidando dela. Eu ligava para casa todo dia para saber como a Kelly estava.
Eles diziam que em alguns dias ela melhorava, em outros piorava. No dia de
minha volta liguei para minha mãe para avisar que estava indo para casa.
Lembro-me que ela me disse que achava que Kelly não passaria daquele dia, e que
era para eu ir rápido para casa me despedir dela. Eu fiquei desesperada, ela
não podia ir sem se despedir de mim, sem eu dar adeus para ela.
Cheguei
em casa naquela noite fria de domingo e a encontrei, mais triste do que nunca,
sem força e cansada. Ao me ver ela tentou se levantar, mas não conseguiu, então
sentei ao seu lado e fiquei fazendo carinho em sua cabeça, com as lágrimas já
escorrendo por meu rosto, imaginando que aquele poderia ser o último momento
que passaríamos juntas. Eu a deixei por um para ir ao banheiro e nesse tempo
Kelly faleceu. A tristeza tomou conta de mim e eu não conseguia parar de chorar
por um segundo. Na hora de dormir, um pouco mais calma, me dei conta de que ela
tinha me esperado, esperado nosso adeus, esperado eu chegar em casa para me
despedir dela. Naquele dia, Kelly me ensinou o significado de ser um amigo. A
Kelly foi minha amiga até o último segundo de sua vida, e eu nunca vou me esquecer
da amizade mais pura que eu já tive.
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