quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sobre muitos advérbios de dúvida e precipícios artísticos

1ª Versão
Por Aluno 32



Cinco anos atrás, em uma quarta-feira, nos dois períodos do meio. Ele se apresentou para mim de mansinho. Olhei-o, a princípio, desconfiada. Depois, curiosa. Interessada e, de repente, apaixonada. Joguei-me em seus braços. Eu, que não sou nem um pouco impulsiva. Ele criou raízes na minha vida rápido, como o mato que volta a crescer no jardim da minha mãe não importa quantas vezes ela arranque.
            Teatro. TE-A-TRO. A divisão silábica até fica parecida com TE-A-MO. O que é conveniente, já que isso vai ficar muito parecido com uma declaração de amor. Afinal, o que é o teatro, se não uma declaração de amor à vida, às pessoas e ao próprio amor?
            Mas é melhor ir ao ponto. Qual foi o aprendizado que o teatro me trouxe?
Ele me ensinou que eu podia – e, mal sabia eu, iria – mostrar pro mundo várias versões de “Natasha”. De inocente princesa usando um vestido florido, eu podia me tornar uma femme fatale de jaqueta de couro e batom vermelho. Passei da bruxa que tinha a entrada mais triunfal de todos os tempos, com raios, trovões e rock metal, para uma doente senhora em um dilema familiar, até chegar na moça do vestido roxo, que contemplava o lago como se ele pudesse trazer respostas aos seus questionamentos. Sinto falta de todas as Natashas que eu interpretei, já que elas são o início do meu legado. O que me consola é que, talvez, elas também sintam minha falta.
Além disso, que nem a minha mãe arranca o mato dos cantos mais obscuros dos canteiros, o teatro arrancou minha timidez. Bom, pelo menos parte dela. Bem como o mato, ela sempre aparece de novo. Mas cada vez com menos força. Será que isso também se aplica aos trevos que a minha mãe, com tanto desprezo, retira da terra? Vou dizer para ela continuar tentando.
            O teatro me ensinou a amar, a admirar, a admitir toda forma de arte. O teatro me mostrou a perspectiva de quem está em cima do palco. O palco é janela, é mar. É abismo no qual eu já quis me jogar. E, agora, eu sei que todos deveriam experimentar o ponto de vista lá de cima alguma vez na vida. 

Por fim, o teatro me ensinou que eu posso não apenas ver cenas bonitas, mas sim fazer parte delas. Que eu tenho de deixar as pessoas verem essas Natashas mesmo quando eu estiver fora do palco. Porque o grupo maravilhoso que subia comigo em cima do palco não vai estar sempre ao meu lado. Às vezes vão subir pessoas novas, que podem ser tão maravilhosas quanto as anteriores. Às vezes eu vou fazer um monólogo. Mas eu não preciso me preocupar e entrar em pânico a cada cena nova ou improvisada. Porque as pessoas podem gostar da Natasha mesmo sem figurino e cenário. E, talvez, eu possa ser aplaudida mesmo fora do palco. 

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