1ª
Versão
Por Aluno 32
Cinco
anos atrás, em uma quarta-feira, nos dois períodos do meio. Ele se apresentou
para mim de mansinho. Olhei-o, a princípio,
desconfiada. Depois, curiosa. Interessada e, de repente, apaixonada. Joguei-me
em seus braços. Eu, que não sou nem um pouco impulsiva. Ele criou raízes na
minha vida rápido, como o mato que volta a crescer no jardim da minha mãe não
importa quantas vezes ela arranque.
Teatro. TE-A-TRO. A divisão silábica até fica parecida
com TE-A-MO. O que é conveniente, já que isso vai ficar muito parecido com uma
declaração de amor. Afinal, o que é o teatro, se não uma declaração de amor à
vida, às pessoas e ao próprio amor?
Mas é melhor ir ao ponto. Qual foi o aprendizado que o
teatro me trouxe?
Ele
me ensinou que eu podia – e, mal sabia eu, iria – mostrar pro mundo várias
versões de “Natasha”. De inocente princesa usando um vestido florido, eu podia
me tornar uma femme fatale de jaqueta
de couro e batom vermelho. Passei da bruxa que tinha a entrada mais triunfal de
todos os tempos, com raios, trovões e rock metal, para uma doente senhora em um
dilema familiar, até chegar na moça do vestido roxo, que contemplava o lago
como se ele pudesse trazer respostas aos seus questionamentos. Sinto falta de
todas as Natashas que eu interpretei, já que elas são o início do meu legado. O
que me consola é que, talvez, elas também sintam minha falta.
Além
disso, que nem a minha mãe arranca o mato dos cantos mais obscuros dos
canteiros, o teatro arrancou minha timidez. Bom, pelo menos parte dela. Bem
como o mato, ela sempre aparece de novo. Mas cada vez com menos força. Será que
isso também se aplica aos trevos que a minha mãe, com tanto desprezo, retira da
terra? Vou dizer para ela continuar tentando.
O teatro me ensinou a amar, a admirar, a admitir toda
forma de arte. O teatro me mostrou a perspectiva de quem está em cima do palco.
O palco é janela, é mar. É abismo no qual eu já quis me jogar. E, agora, eu sei
que todos deveriam experimentar o ponto de vista lá de cima alguma vez na
vida.
Por
fim, o teatro me ensinou que eu posso não apenas ver cenas bonitas, mas sim
fazer parte delas. Que eu tenho de deixar as pessoas verem essas Natashas mesmo
quando eu estiver fora do palco. Porque o grupo maravilhoso que subia comigo em
cima do palco não vai estar sempre ao meu lado. Às vezes vão subir pessoas
novas, que podem ser tão maravilhosas quanto as anteriores. Às vezes eu vou
fazer um monólogo. Mas eu não preciso me preocupar e entrar em pânico a cada
cena nova ou improvisada. Porque as pessoas podem gostar da Natasha mesmo sem
figurino e cenário. E, talvez, eu possa ser aplaudida mesmo fora do palco.
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