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Aluno 179
Eu tinha 13 anos e estava na sétima série, minhas notas estavam preocupantes, principalmente em matemática. Tinha ótimos amigos, e enquanto minha família, todos estavam bem, entretanto, minha mãe apesar de sempre aparentar estar bem, já não costumava ser como era.
Tudo parece passar muito rápido naquela época, há apenas imagens surgindo que logo se vão. Não parece haver tempo para que toda a intensidade de diferentes fatos fique marcada em sua memória, nada parece ser crucial, cada ação não te faz levar a pensar nos resultados do futuro, mas quando você percebe, já está chegando ao futuro, do qual, não temos tempo para voltar. Mas eu estou voltando agora, partindo dos meus tempos de colégio aonde as coisas iam indo de mal a pior com a matemática, passava mais tempo desenhando nas aulas do que tentando achar o X da questão enquanto a professora, que já não muito nova, dava aquelas suas toses de fumante. Desenhava personagens de animes, praticava esportes e começava a tocar violão. Tudo era muito agradável acompanhado dos meus colegas que eu adorava e que sempre estavam ao meu lado pelo pátio do colégio.
Meus colegas costumavam falar sobre eu estar sempre sorrindo, talvez nessa época que tenha surgido o breve apelido de "risadinha". O sorriso e até mesmo a covinha do lado esquerdo da bochecha do qual falavam vem de minha mãe, a pessoa que eu claramente mais admiro. Mulher da qual eu não aprendi a admirar, eu cresci admirando, meu melhor exemplo de superação, ou melhor, de encanamento, afinal, não é qualquer pessoa que fica com uma doença tão agressiva como o câncer de mama e mesmo assim não demonstrar seu desânimo com a vida.
Certo dia em uma noite surge o barulho de uma máquina de cortar cabelo, e logo que fui ao encontro deste barulho, avistei minha mãe em frente ao espelho de seu quarto e meu irmão mais velho olhando minha mãe enquanto ela terminava de raspar o cabelo que ainda havia, e por mais incrível que pareça, não era uma cena triste, pois minha mãe falava brava que se fosse pra cair era melhor tirar tudo de uma vez mesmo e meu irmão brincava com ela sobre seu novo penteado que depois havia ficado muito melhor com sua peruca estilo chanel. Eu não entendia muito bem a realidade naquela época, sabia da gravidade existente, mas a forma com que minha mãe conseguiu tratar os fatos era realmente incrível, parecendo ser apenas uma gripe da qual você repousa, come uma ganja de galinha e depois fica melhor. Não era uma gripe, mas ela realmente melhorou depois de realizar a cirurgia e suas sessões de quimioterapia, sessões das quais eu lembro muito bem de um dia estar lhe acompanhando e até mesmo ali dentro daquele quarto branco, encostada com substancias químicas entrando pela sua veia, ela conseguia ser uma mulher forte.
O sorriso de minha mãe independente das situações e problemas sempre esteve presente assim como sua força. Por isso quando me dizem algo sobre eu sempre estar sorrindo não consigo saber exatamente o porquê, mas sei que esse sorriso deve continuar independente da situação. E enquanto ao colégio e meus amigos, aquele foi o melhor ano da minha vida no ensino fundamental, embora não tivesse passado de ano, mas não se engane ao pensar que isso teve ligação com a doença de minha mãe porque ela nunca demonstrou estar doente com aquele seu sorriso capaz de alegrar qualquer um e fazer você acreditar que tudo estava bem.
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