Aluno 128
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Um dia, ouvi minha mãe narrando um diálogo que ouvira no ônibus entre duas desconhecidas. Ambas comentavam a maneira como os feriados tendem a nos deixar menos dispostos para retornar às tarefas rotineiras. Embora a conversa fosse bastante trivial, ela se surpreendeu ao ouvir uma das falantes dizer que a pior parte dos feriados era ter que ficar em casa com o esposo e os filhos.
Além de evidenciar a provável má convivência dessa mulher com seus entes (não tão) queridos, a sua fala chocou minha narradora, a qual sempre procurou reunir nossa família nesse tipo de ocasião.
Quando ouvi essa história, ainda em terna idade, iniciei uma série de questionamentos acerca da importância de se estar próximo de quem nos é caro. Passei, então, a lamentar a infelicidade familiar dessa mulher. Depois de refletir muito sobre isso, percebi que eu já estava apta a integrar, de fato, meu núcleo familiar. Com isso quero dizer estar presente e se fazer necessário.
É possível que, não fosse essa reprovação materna da fala de uma estranha, eu precisasse de um tempo maior para perceber meu papel como filha, irmã, neta e tudo mais. Todavia, não foi minha mãe quem me ensinou isso. Ela foi uma mediadora. Quem me fez pensar em quem eu era e como eu poderia ser para os meus entes queridos foi aquela mulher, provavelmente uma desafortunada em seu relacionamento familiar.
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