1ª
Versão
Por Aluno 6
Desde o nascimento o ser
humano é obrigado a se defrontar com situações não planejadas ou esperadas que,
no entanto, resultam em experiências, ensinamentos que imperceptível são
incorporados em sua vida. O primeiro, talvez um dos mais importantes, ocorre no
nascimento. Neste momento todos somos submetidos a uma baforada de ar
semelhante ao fogo expelido pelos dragões dos desenhos animados, que nos obriga
abrir os pulmões e respirar. Claro que este acontecimento vem acompanhado de
choro, quem sabe dor sentida nos frágeis pulmões pueris. Mas dessa parte
ninguém lembra o que fica é o resultado: aprendemos a respirar com os alvéolos.
Assim seguimos, utilizando este conhecimento de maneira automática até o último
sopro.
Entretanto, a nossa
cultura não costuma chamar este tipo de acontecimento de aprendizado uma vez
que se dá de forma inconsciente e é imanente do ser humano. Classificamos como
aprendizado as experiências externas. Por isso ao tratar do tema me recordei de
quando comecei a utilizar um instrumento de fazer furos, vulgo furadeira.
Tudo começou quando me
mudei de Esteio, onde morava com meu pai, para São Leopoldo. Como ocorre em toda
a mudança, depois de abertas às caixas, organizados os móveis e roupas chega o
momento da decoração. Vasos com flores se espalham pela casa, tapetes já se
encontram sob os pés, mas ainda falta algo. Vejo a luz de o sol entrar pela
janela e lançar suas garras de águia sobre os móveis. Percebo, então, o que
falta: as cortinas. Surge então a pergunta: a quem pedir auxilio para
colocá-las? Já não posso mais contar com meu pai, pois se mudou para uma cidade
do interior do Estado. Entretanto, me deixou o importante legado de resolver por
nós mesmo os problemas domésticos sempre que possível. Ele fazia tudo em minha
casa, desde trocar uma simples lâmpada a consertos hidráulicos e elétricos.
Seguindo seus passos resolvi me arriscar e utilizar a furadeira. O resultado
foi positivo. Os furos da parede e os buracos dos suportes da cortina encaixaram-se
como luvas nas mãos. Dominada a ferramenta não parei mais, e estantes aéreas,
quadros, varais de roupas começaram a fazer parte do ambiente.
Percebi que aprender é
incorporar experiências. Não importando se são de origem inconsciente ou
racional e assim a cada dia somos mais sábios que no dia anterior.
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