terça-feira, 13 de maio de 2014

A furadeira em minha vida.

Reescrita
Por Aluno 6

É interessante como em uma sociedade dita moderna o manuseio de furadeira - instrumento destinado a furar paredes, madeiras e outros materiais- por mulheres ainda cause surpresas e por vezes até espanto. Isso porque este trabalho é tido como tipicamente masculino. Quando menciono o fato de que faço instalações de objetos pendentes nas paredes a familiares e amigos ou mesmo conhecidos logo me indagam com ares surpresos:
- sério que tu mesma fura?  
Então respondo:
- sim, aprendi, pois não queria depender de outros para executar o serviço quando precisasse instalar estantes, cortinas, ou outros aparatos suspensos.
Desde adolescente, ou mesmo antes ainda na infância não lembro bem, desenvolvi a “mania” de tentar resolver os probleminhas ditos domésticos como trocar lâmpadas, interfones, gás, o que para muitas pessoas é motivo de medo, pintar paredes, em síntese, realizar atividades gerais de manutenção de uma casa. Por isso, saber utilizar uma furadeira não seria um item estranho em minha lista de conhecimentos.
Pode-se dizer que minha relação especificamente com a furadeira é recente. Tudo começou no ano de 2012, não lembro exatamente do mês, mas foi um ano após minha mudança para São Leopoldo cidade onde resido atualmente. Meu novo lar, um apartamento em um prédio de esquina bem localizado no centro da cidade possui dois quartos e uma sala com amplas janelas iluminadas pela luz solar da aurora. Adoro este astro e a claridade proporcionada por ele. Sua falta me faz sentir incompleta como uma cadeira de três pés. No entanto, o calor que provém de seus raios em todas as manhãs estava excessivo, sufocante, principalmente nos verões escaldantes dos últimos anos. Além disso, os móveis e aparelhos eletrônicos que eram atingidos por este jato de luz estavam tendo suas superfícies danificadas, ficando manchados como dálmatas. Então, resolvi que a instalação de cortinas findaria este pequeno inconveniente além de embelezar o ambiente.
Encontrada a alternativa de súbito me veio à mente uma pergunta: A quem pedir auxílio? Não tenho o instrumento necessário ao serviço e tão pouco sei utilizá-lo.
A solução foi encarar a furadeira de frente e domá-la como se faz com cavalo xucro ao manuseio. E foi exatamente o que fiz. Adquiri um equipamento simples, dito doméstico. Seu pequeno porte e peso permitem a um mulher  manuseá-lo tranquilamente com apenas uma das mãos. Junto com a ferramenta foi preciso adquirir também brocas e parafusos, pois descobri que sem eles o trabalho não seria possível. Com os materiais em mãos achei que estava com tudo que precisava e poderia começar a aventura. Puro engano. Ao me encontrar no topo do sexto degrau de uma escada simples de uso doméstico, branca feita de ferro, percebi que o fio do instrumento era curto demais para alcançava a tomada mais próxima. Era necessário, portanto, um fio mais longo em torno de uns três metros, neste caso quem desempenharia tal função seria uma extensão. Como não tinha tal artefato em casa voltei à ferragem e adquiri um cabo, capaz de suportar a corrente elétrica exigida pela ferramenta tão intensa que pode deixar o operador de cabelo em pé ou esticado no chão, e mais duas flechas não se comparam às indígenas e sim são peças que ficam nas extremidades desse fio conectando-o a outros objetos. Com estes materiais montei a extensão de que precisava e parti para a ação. Primeiro foi preciso decidir a altura das cortinas, só então medir a distância do teto ao local escolhido e marcar onde seriam feitos os furos. Até lembrei-me de colar fita crepe onde seriam feitos os buracos a fim de evitar que a poeira se espalhasse muito, já que é inevitável que todos os objetos ao em torno fiquem alvos de pó. Em seguida “fantasie-me” com as indumentárias de proteção: touca na cabeça, protetor auricular- o barulho de pedras sendo perfuradas próximo aos ouvidos é ensurdecedor – óculos de proteção, este numa tentativa vã de evitar que dos olhes desprendessem algumas gotas de lágrimas causadas pelo contato com o pó fino lançado da parede. Bem trajada entrei em ação com a peça principal: a furadeira. Liguei o instrumento e apliquei força suficiente com o braço direito até completa introdução da broca na parede e fiz o primeiro furo. Repeti a operação para os três outros que eram necessários. Mesmo tendo o braço já cansado após a força empreendida prendi o suporte da cortina com os parafusos nas cavidades e em seguida juntei o bastão, já com os panos atrelados. Missão concluída com sucesso: os encaixes ficaram na medida ajustando-se tal como luvas nas mãos.
Ao contemplar o resultado do meu aprendizado senti-me satisfeita por ter alcançado o objetivo de manusear uma furadeira e resolvido o problema que os salutares raios solares matutinos estavam causando a epiderme de meus móveis. Além disso, esta experiência me fez perceber que em muitas ocasiões a solução dos problemas está em nós mesmos e que podemos aprender tudo aquilo a que nos propomos sem preocuparmo-nos com a classificação social que o serviço possa ter.

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