Reescrita
Por Aluno 36
Caros
amigos que aqui estão presentes, agora vou contar-lhes um fato que ocorreu em
2010, quando eu era estagiária do setor de informática do Ministério Público do
Rio Grande do Sul. O fato a ser narrado resulta de uma estupidez minha, pela
qual paguei caro.
Eu não era apenas estagiária, eu era estudante também:
estudava Design Gráfico no Centro Universitário Ritter dos Reis. Na faculdade,
eu tinha uma colega que queria trabalhar comigo no Ministério Público.
Coitadinha, ela trabalhava para uma operadora de celular e nunca havia
trabalhado na nossa área, Design Gráfico. Eis aqui minha “brilhante” ideia: indicar
essa minha colega para trabalhar comigo. Genial! Logo mais vocês saberão o
porquê.
A
minha colega não sabia usar nenhum programa para efetuar as tarefas de um
designer gráfico, como Corel Draw e Photoshop. Fiquei com pena dela e quis dar
uma força para ela, pois afinal se ninguém der oportunidade não se consegue
experiência profissional. Meu chefe a contratou sem saber que ela não era
qualificada para a vaga, pois confiava em mim. Eu me senti um pouco culpada na
época, porque eu não havia dito para ele que ela não sabia usar os programas
necessários – Corel Draw e Photoshop.
Para
exercer a tarefa de um designer gráfico é necessário utilizar programas de edição
de imagens. Eu dominava tais ferramentas porque exercia tal função por pelo
menos um ano naquela instituição e também porque havia feito cursos
anteriormente. O setor de informática tinha apenas duas estagárias que
trabalhavam como designers. Ambas estagiárias deveriam ser responsáveis pela
tarefas dadas. O trabalho do estagiário funcionava da seguinte forma: a tarefa
nos era enviada via e-mail. Como eu disse anteriormente: “ambas estagiárias
deveriam ser responsáveis”. Coloquei “deveriam ser” em vez de “eram”
propositalmente. Ambas estagiárias recebiam o mesmo salário no final do mês,
ambas estagiárias recebiam a tarefa; só uma trabalhava de fato, a outra
aproveitava o tempo para fazer seus trabalhos acadêmicos no horário em que
deveria estar trabalhando.
Quando
a minha colega começou a “trabalhar” comigo, eu executava todas as tarefas
sozinha, ensinado-a a utilizar os programas citados anteriormente. Sempre que
ela tinha alguma dúvida, me perguntava. Eu respondia, contente por ajudar. E eu
sempre trabalhando por duas. O tempo foi passando e ela já não tinha dúvidas,
mas o trabalho continuava todo para mim. Estranho, né? Meu chefe não sabia de
nada: nem que ela aprendeu a usar os programas comigo e nem que eu fazia todo o
trabalho sozinha.
Foi
em junho de 2010, quando me ausentei por três dias devido a uma viagem, me dei
conta de que eu estava cheia de trabalho
acumulado. Achei muito estranho, pois só havia faltado três dias, como isso era
possível? Primeiramente verifiquei na caixa de entrada do e-mail quais tarefas
haviam sido dadas durante a minha ausência. Eram exatamente as mesmas que eu
tinha que fazer. Eis o fato ocorrido: a
minha colega não havia feito nada do nosso trabalho enquanto eu estava fora.
Foi a gota d’água! Minha aprendizagem: percebi que de fato eu estava sendo
explorada e que isso não deveria mais acontecer. Então, perguntei para a minha
colega o que ela havia feito nesse período que eu estava ausente. Ela ficou
brava comigo, alegando que eu não era chefe dela para ficar cobrando trabalho.
Ela não havia feito nada e, a Paula aqui, teve que fazer tudo sozinha, como
sempre.
Moral
da história: jamais indique alguém para trabalhar só porque essa pessoa é tua
amiga ou porque tem pena dela. Outra dica: nunca indique um só pessoa, assim só
será contratada se for qualificada para a vaga. Eu fui burra por ajudar uma
pessoa que se aproveitou da minha “bondade” ou burrice. Eu trabalhava por duas
e ganhava por uma. Ela ganhava a mesma coisa e aproveitava para fazer trabalhos
da faculdade no estágio, ao invés de trabalhar. Pessoas “malandras” sempre
existirão. Cabe a nós não nos deixarmos explorar.
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