terça-feira, 13 de maio de 2014

Aprendizado: não se deixe explorar!

1ª Versão
Por Aluno 36


Caros amigos que aqui estão presentes, agora vou contar-lhes um fato que ocorreu em 2010, no ano que a minha afilhada nasceu. Naquela época eu era estudante de Design Gráfico do Centro Universitário Ritter dos Reis e estagiária do setor de informática do Ministério público do estado do Rio Grande do Sul.
            No Ministério Público, para a função de designer gráfica, geralmente mantinham duas estagiárias, uma que trabalhava pela manhã e outra que trabalhava pela tarde. Em 2009, uma amiga minha que trabalhava lá havia saído e por esse motivo ela indicou para o seu chefe eu e mais outras duas amigas nossas para concorrer a vaga. Dentre as três amigas a escolhida para ocupar a vaga fui eu. Acho que eu devo ter sido a última a ter feito a entrevista, pois no final da entrevista fui informada que a vaga era minha.
            Quando comecei a trabalhar no Ministério Público, eu era a única estagiária, pois naquela época as duas estagiárias anteriores haviam saído. Eu era uma estagiária dedicada, meu turno era pela manhã. Eu sempre chegava cedo, algumas vezes antes do meu chefe, e ficava pela tarde também, afinal eu era a única estagiária daquele momento. Não, eu não ganhava hora extra. Eu gostava do que fazia lá e as horas passavam rápido. Eu saía do trabalho e ia direto para a faculdade.
            Eu tinha uma colega na faculdade que trabalhava para uma operadora de celular e nunca havia trabalhado na nossa área, design gráfico. Ela não sabia usar nenhum programa para efetuar as tarefas de um designer gráfico, mas queria muito trabalhar na área.
            Fiquei com pena dessa minha colega e quis dar uma força para ela, pois afinal se ninguém der oportunidade não se consegue experiência profissional. O meu chefe gostava muito de mim porque eu era muito dedicada e estava precisando de outra estagiárias para que eu não ficasse sobrecarregada. Foi aí que eu tive a “brilhante” ideia de indicar essa minha colega para trabalhar comigo. Meu chefe a contratou sem saber que ela não era qualificada para a vaga, pois confiava em mim. Eu me senti um pouco culpada na época porque eu não havia dito para o meu chefe que ela não sabia usar os programas necessários.
 Quando ela começou a trabalhar em 2010 eu ensinei ela, com toda a paciência, a usar Corel Draw e Photoshop. No início, todo o trabalho continuava para mim, pois ela estava aprendendo e não tinha a agilidade para fazer banners e lay-outs. Detalhe: o meu chefe não sabia disso. Ele pensava que nós duas trabalhvámos juntas.
            O tempo foi passando e eu me dei conta de que ela já tinha aprendido a usar os programas, pois sempre que ela tinha dúvidas, perguntava para mim e eu ia lá e ajudava. Fiquei feliz por ajudá-la e ver que havia aprendido. O problema foi que eu continuava a fazer a maioria do trabalho sozinha.
            Como eu trabalhava sempre muito mais horas do que devia e agora já tinha outra estagiária eu pedi para o meu chefe para me dispensar por alguns dias para eu ir para Erechim, no nascimento da minha afilhada. Eu tinha horas sobrando, a viagem não me prejudicaria. Se eu não tivesse também não teria problema pois as horas faltantes seriam descontadas no salário.
            Fui para Erechim e quando retornei para o trabalho eu estava cheia de trabalho acumulado. Achei muito estranho, pois só havia faltado três dias. Perguntei para a minha colega o que ela havia feito nesse período que eu estava ausente. Ela ficou brava comigo, alegando que eu não era chefe dela para ficar cobrando trabalho. Ela não havia feito nada e, a Paula aqui, teve que fazer tudo sozinha.
            Moral da história: jamais indique alguém para trabalhar só porque essa pessoa é tua amiga ou porque tem pena dela. Outra dica: nunca indique um só pessoa, assim só será contratada se for qualificada para a vaga.
            Eu fui burra por ajudar uma pessoa que se aproveitou da minha “bondade” ou burrice. Eu trabalhava por duas e ganhava por uma. Ela ganhava a mesma coisa e aproveitava para fazer trabalhos da faculdade no estágio, ao invés de trabalhar. Pessoas “malandras” sempre existirão. Cabe a nós não nos deixarmos explorar.

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