1 Versão
Aluno 102
Quando me perguntam sobre fatos
marcantes da minha vida, são poucos que consigo pensar. Em meu curto tempo de
vida até então, diria que vivi pouco, porém houve um dia que me marcou para
sempre. Pode parecer fanatismo, coisa de adolescente ou “apenas uma fase” como
dizem os mais velhos. Bem, o que há de errado nisso? Alguns buscam apoiar sua
fé na religião e eu apoiava a minha em uma pessoa: Lady Gaga.
O
dia 13 de novembro de 2012 foi o dia em que, mesmo que de longe, pude conhecer
essa mulher única. Sabendo da oportunidade de conseguir um lugar em uma pista
reservada especialmente para as 500 primeiras pessoas da fila, eu não poderia
desperdiça-la e lá estava eu às quatro da manhã. Nessas quinze horas de espera,
passei a ver o mundo com outros olhos. As pessoas que lá estavam possuíam uma
gentileza que eu nunca havia visto. Conversavam, riam, cantavam e dividiam seu
lanche com todos. Sem nos importarmos com as mudanças climáticas repentinas que
ocorreram, ora chovia, ora fazia um sol fortíssimo, estávamos lá firmes e
fortes pois possuíamos uma alegria em comum.
Até
hoje lembro com todos os detalhes uma das cenas mais emocionantes daquele dia.
Na hora da abertura dos portões fazia sol e chovia ao mesmo tempo. A chuva fina
se misturou às lágrimas dos 500 fãs emocionados que se posicionavam em frente
ao palco. Estava chegando a hora. E após os dois shows de abertura que nos
divertiram e tiraram um pouco da nossa tensão, chegou a hora.
As
luzes se apagaram, as lágrimas haviam retornado, os gritos entusiasmados já
eram ouvidos. Gaga surge no palco montada em um cavalo de metal acompanhada de
seus dançarinos. Ela passa pela passarela ao meu lado e ouve meu grito. Ela
olha para mim. Naquele momento nada mais existia ao meu redor, era apenas eu e
ela. Quando retornada a realidade, me perguntava se poderia chamar aquilo de
real. E assim foi até o final do show. Entre gritos e pulos, a cada canção que
terminava eu me perguntava “Isso está acontecendo de verdade?”. A boa notícia
era que sim, estava acontecendo; a má notícia era que não duraria mais por
muito tempo.
Após
viver toda essa loucura, estar entre o mundo real e o imaginário, foi difícil
voltar à rotina. Não havia um dia em que eu não revivia todos estes momentos em
minha memória. Ia contando os dias que precediam. Um dia, uma semana, um mês,
um ano. Pois bem, hoje fazem 3 anos, 5 meses e 4 dias. Não foi apenas uma fase.
O sentimento resiste ao tempo passado e se houvesse mais uma oportunidade eu
faria tudo de novo. Repetiria cada grito de novo, cantaria cada verso de novo,
derramaria cada lágrima novamente. Nesse um dia vivi muito mais do que nos
outros 17 anos de vida que tive.
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