Aluno 77
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Caros leitores, agora eu contarei uma
história sobre um querido companheiro: o meu gato, cujo nome é Godard. Alguns
poderão duvidar da veracidade do meu relato, mas a credibilidade não é de
alçada minha, somente o relato. Para começar a narrar, preciso enfatizar o meu
apreço pelo meu gato. Desde o princípio, ainda filhote, o Godard era um gato
afetuoso e senti-me ligada a ele imediatamente.
Desde
muito nova eu gostava de gatos, da serenidade que eles carregavam e da beleza
que esboçavam. O Godard era amarelo, possuía um corpo esguio e ágil. O seu
bigode era composto por fios brancos, porém, se sobressaía no conjunto um fio
longo e preto. Possuía olhos grandes e verdes. Era comum durante as noites vê-lo
dormindo sobre a escrivaninha do quarto. Seguia-me pelos cômodos da casa,
enlaçava-se entre as minhas canelas e miava pela comida. Éramos parceiros e eu
tinha tanto carinho pela sua companhia que dei a ele o nome de um diretor
francês cujos filmes gostava muito. Em uma tarde como qualquer outra, cheguei
em casa e não encontrei Godard em lugar nenhum. Não me assustei em princípio
porque o gato costumava se esconder pelos cantos da casa e às vezes passear
pelas casas vizinhas. Deparei-me, no entanto, com as horas que corriam rápido
no relógio, e me senti aflita. Sou uma pessoa otimista, por isso decidi esperar
até a manhã seguinte.
Logo outro dia surgiu. Abri as venezianas da
sacada e encontrei o pote de ração ainda cheio. Senti-me aflita e saí pelas
ruas, perguntei aos vizinhos se tinham visto o Godard. Não obtive notícia
nenhuma. Assim se passaram mais dois dias, e nenhum sinal do meu amigo. Já
bastante assustada, não achei outra solução além de espalhar cartazes pelo
bairro com fotos e conversar com os vizinhos, em busca de alguma informação ou
notícia sobre o paradeiro do Godard. Duas semanas se passaram e eu, sem êxito e
já desanimada, sentei-me na escrivaninha e me pus a escrever uma carta. O
destinatário era o próprio Godard. A escrita sempre foi uma fuga para mim,
sempre foi uma ferramenta fundamental para expressar minhas sensações e
experiências. Dessa forma, não achei melhor maneira de expressar como me sentia
a respeito do sumiço do meu amigo senão com a escrita. Adormeci sobre a mesa,
porém logo despertei com um som baixo e distante, que logo foi se tornando mais
claro. Desci as escadas rapidamente, e, não pude acreditar: lá estava o meu
amigo, de volta, faminto e com a expressão faceira de todos os dias.
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