Aluno 113
Reescrita
Para realizar a complexa tarefa de me
apresentar, comecei a refletir de que maneira poderia iniciar meu texto. Uma
boa alternativa seria começar do início, não? Pensando nisso, fui consultar
minha mãe sobre alguma informação da minha infância, da qual eu não me recorde
e que possa ter algum reflexo naquilo que sou hoje. Então lá vai, vamos ao
começo de tudo.
Nasci numa noite fria de outono, dez
dias antes do previsto pelos médicos. Dia de feriado nacional. Seria esse um
prenúncio de que minha vida seria um eterno feriado? Antes fosse, mas não é o
caso. A inquietação desde o momento de vir ao mundo só demonstra minha
ansiedade e desassossego diante de situações que precisam de alguma solução,
nos dias de hoje. O problema é que essa solução nem sempre vem tão rápido
assim, me deparo diversas vezes com o medo de errar, com a insegurança fazer
uma escolha da qual possa me arrepender depois e por isso acabo pensando e
repensando um pouco além da conta. Posso dizer que estou sempre entre “você não
pode errar” e a conhecida máxima “errar é humano”.
Sim, eu compreendo que errar é humano,
mas acertar também não é? Nós, seres humanos, somos submetidos a escolhas a
todo momento, desde a hora que acordamos até a hora de dormir. Imaginem vocês
que, ao sair de casa, você pode escolher um caminho até a faculdade e não outro
e perder o grande amor da sua vida, ou então escolher não jogar na loteria e
deixar de ser milionário. São muitas as possibilidades. Embora sempre
pensativo, vejo que são essas escolhas que podem ser certas ou erradas que dão
mesmo o curso da vida. Você escolhe algo hoje e amanhã já poderá escolher outra
coisa diferente e assim por diante. Me sinto sempre inquieto por fazer opções
que modifiquem meu dia, minha semana, minha vida.
Ansiedade, desassossego, insegurança,
vontade de fazer diferente é o que me divide e me move sempre. Acredito ser
impossível que essas três coisas caminhem separadas. Nos momentos em que
preciso tomar decisões sérias e concretas, como escolher cursar Letras, é um
grande problema. Por outro lado, quando posso pensar e repensar várias vezes,
postular hipóteses, como “será que posso mudar o mundo?”, é um grande deleite.
O mais importante é não deixar que essas forças tão próximas façam com que eu
deixe de escolher ser quem eu sou.
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