segunda-feira, 20 de junho de 2016

Um estranho na letras

Aluno 95
Reescrita


Me chamo 95 e tenho 28 anos. Sou objetivo e gosto de ir direto ao ponto. Por mim, minha apresentação terminaria aqui. Talvez, isso venha do meu grande interesse por disciplinas das exatas, como física, química e matemática. Estudo essas matérias como passatempo. Nessas atividades, dois mais dois são quatro e não há espaço para devaneios.
Mesmo  dentro do curso de direito no qual me formei, relacionado a humanas, sempre escrevi textos pragmáticos. Ainda hoje, no meu trabalho, quanto mais direto e objetivo são as peças jurídicas que escrevo, mais claras elas ficam. Esse fato, aliado ao meu interesse por exatas, anula minha escrita criativa.
Por outro lado, isso não quer dizer que não tenho emoções. Sou prático, mas também emotivo como qualquer bom pisciano: choro assistindo filmes, sofro com fins de relacionamento, preocupo-me com problemas familiares, entristeço-me com notícias de tragédias, sinto-me feliz com notícias boas, alegro-me em dias de sol, diverto-me na presença de amigos.
A questão é que, devido à minha objetividade acima da média, não costumo demonstrar claramente minhas emoções: falo apenas o necessário sou seco e posso até parecer ríspido para quem não me conhece. Isso leva a um outro problema que enfrento: sou muito introvertido. Detesto falar em público, realizar apresentações em sala de aula ou ler o que escrevi para os colegas. Também tenho dificuldades em fazer amigos, por isso tenho poucos, contudo sei que são os melhores. Hoje percebo que as pessoas necessitam de emoções para manter laços, algo que tenho dificuldade em manifestar.
Na letras, sou um estranho. Esse é um curso de humanas com pouco espaço para cabeças objetivas. Porém, sei que ele ajudará na empreitada para melhorar minhas capacidades oratórias, meu lado criativo e minhas dificuldades com o público.


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