1ª
Versão
Por Aluno 12
Existe uma sigla que tem o poder de causar
fortes reações à maioria dos alunos do Colégio de Aplicação da UFRGS, no qual
cursei toda a minha educação básica. É uma sigla curta, duas letras apenas, mas
ela pode soar desagradável, como um forte sopro de vuvuzela, aos ouvidos de
alguns alunos e causa reações adversas: de bufadas exauridas e ranger de dentes
até o olhar frustrado de quem poderia virar mesas e bater portas. Eu não
costumava agir diferente – nunca virei mesas nem bati portas, mas gastei muito
fôlego bufando e muito esmalte dos dentes rangendo-os por raiva de ter que
fazer a I.C.. Essa sigla quer dizer Iniciação Científica, e se hoje ela me
causa alguma reação frustrada é porque não percebi antes que a atividade não
era aborrecida – eu é que não sabia como fazê-la.
No
Aplicação, nosso currículo trazia períodos para a realização do projeto de
Iniciação Científica. Era responsabilidade do aluno desenvolver a hipótese, a
justificativa, a pergunta inicial e estabelecer seus objetivos de pesquisa. O
incentivo dos professores para que escolhêssemos um assunto de nosso interesse
para a pesquisa e que cumpríssemos suas etapas dentro do cronograma era grande
– e eu, no início, fui contagiada pelo entusiamo. Achei a I.C. uma ótima ideia.
Mas quando o trabalho começou, os assuntos que havia escolhido não pareciam
mais tão interessantes assim.
Tentei variados assuntos: pesquisei sobre
os monumentos históricos de Porto Alegre, afinal, eu gostava de arte e
história. Mas não era o suficiente. Desenvolvi um projeto sobre os
posicionamentos da mídia em relação à construção da usina de Belo Monte, pois
era um assunto polêmico, atual, crítico... porém não era o que eu queria.
Cheguei ao terceiro ano do Ensino Médio erguendo as mãos para os céus em
agradecimento por ter que fazer apenas mais um projeto de I.C.. Como um último
esforço para fazer aqueles períodos reservados à pesquisa valerem a pena, decidi
pesquisar sobre algo que eu realmente gostasse, sem me preocupar com nenhum
outro fator. Escolhi como tema “a representação da mulher celta na literatura
atual”; estava animada por trabalhar com base em um livro que eu gostava, A
Senhora de Avalon de Marion Zimmer Bradley, embora não esperasse que o projeto
fosse realmente render um trabalho de Iniciação Científica que alguém se
interessasse em ler.
Mas rendeu – meus professores me
incentivaram a montar um poster e levar o trabalho à feira de ciências do UFRGS
Jovem, onde se pode apresentar o projeto para qualquer visitante que pare perto
do seu banner. E mais, rendeu um
pequeno troféu retangular, em acrílico amarelo marca-texto que seria bem
repelente à vista se não fossem pelas letras em preto e pelo que elas
significam: Projeto Destaque VIII Salão UFRGS Jovem.
Agora, pensando em toda a minha
trajetória com a Iniciação Científica, percebo que havia só uma diferença entre
os dois primeiros projetos e o último: eu realmente gostava do que estava
fazendo em minha última pesquisa. Foi assim que percebi como realmente deveria
fazer pesquisa. E mais do que me permitir aprender sobre a cultura celta e
sobre romance histórico contemporâneo, a I.C. me levou a entender que quando se
faz o que se gosta, as coisas têm mais chances de dar certo, e o trabalho pode
trazer frutos mais concretos – como um troféu cor de marca-texto.
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