Aluno 113
1 Versão
Para realizar a complexa tarefa de me
apresentar, comecei a refletir de que maneira poderia iniciar meu texto. Uma
boa alternativa seria começar do início, não? Pensando nisso, fui consultar
minha mãe sobre alguma informação da minha infância, da qual eu não me recorde
e que possa ter algum reflexo naquilo que sou hoje. Então lá vai, vamos ao
começo de tudo.
Nasci numa noite fria de outono, dez
dias antes do previsto pelos médicos. Feriado nacional. Seria esse um prenúncio
de que minha vida seria um eterno feriado? Antes fosse, mas não é o meu caso. A
inquietação desde o momento de vir ao mundo só corrobora minha ansiedade e desassossego
diante de situações que precisam de alguma solução, nos dias de hoje. O
problema é que essa solução nem sempre vem tão rápido assim. Diante do dia e
hora que nasci, acabei sob um mapa astral decadente, que me coloca com sol em
touro e lua em câncer, ou seja, os processos são sempre lentos e graduais e às
vezes, nem processam. O que não é tão ruim, do ponto de vista que você sempre
terá grandes chances de acertar, porém, do ponto de vista prático, as
oportunidades acabam passando e sendo perdidas por estar pensando, pensando,
pensando.
Espero não estar causando uma impressão
diferente daquela que gostaria de passar, afinal o intuito da apresentação
pessoal escrita é justamente dizer como quero que os demais me conheçam.
Pensando nisso, me recordo agora de um texto de um autor do qual gosto muito,
Luís Fernando Verissimo, intitulado “A tática da bolsa”, onde conta a história
de uma mulher, que busca conquistar um homem de seu interesse através do
conteúdo de sua bolsa, colocando objetos que pudessem dizer sobre ela, como
livros, um bichinho de pelúcia etc. Para esse texto, a tática é basicamente
essa, buscar artifícios para que todos me conheçam logo de cara. Entretanto, a
tarefa de escolher seus próprios atributos para apresentar-se é bastante
complicada e complexa. Eu, particularmente, não reajo muito bem quando preciso
buscar o estimulo para referir-se a mim. Poderia aqui falar de características
que na verdade, nem sei se existem, o julgamento que fazemos de nós mesmos não
é tão confiável assim.
Me vem à cabeça também agora outro
texto do Verissimo chamado “Meu Valor”, em que ele, sem personagens, diz que
costumamos nos dar mais valor do que realmente temos e que nossa avaliação deve
ser objetiva. Acredito que seja por essa razão que eu tenha tanta dificuldade
em me definir e falar de mim, a supervalorização e o narcisismo exacerbado do
ser humano me incomodam e um pouco e vejo como a porta de entrada dos grandes
problemas da convivência em sociedade.
Por fim, farei o que não fiz durante
todo o texto: ser objetivo. Escolho encerrar falando sobre o que espero para os
próximos anos de universidade. Chego ao curso de Letras com grandes
expectativas, não só pelo aprendizado, mas também pela oportunidade de conhecer
novas pessoas, com novas ideais e que muito provavelmente comunguem com as
minhas. Escolhi a licenciatura por acreditar nas próprias pessoas e no poder de
transformação que todos temos sobre nossas próprias realidades. Posso dizer que
chego aqui como um ser completamente em formação, despido de quaisquer
pré-julgamentos e com vontade de sair diferente do que entrei.
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