Aluno 106
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Analisando minhas recordações para escolher uma lembrança que
me marcou, não poderia deixar de lado aquela que mais me torna quem sou. Por
volta de quatro anos atrás, minha irmã insistia para que eu fosse a uma
atividade onde haveriam muitas brincadeiras, meninos e meninas da minha idade,
local onde eu poderia fazer vários amigos. É claro que como uma pessoa tímida,
as palavras “interação” e “pessoas” me assustavam, e muito. Foi a contragosto
que a quatro anos atrás botei os pés num grupo escoteiro, foi há quatro anos,
que fiz uma de minhas melhores escolhas na vida.
Primeira
atividade, ouvia palavras como “BOIA”, “Cobrir” e “Formar”. Tais palavras me
faziam lembrar do militarismo, pensei comigo mesma “O que é que estou fazendo
aqui?”, mas decidi esperar, afinal, o pessoal estava sendo tão bacana comigo.
Final do dia: Ual! Que diferença. Como pude não querer estar aqui antes? O
companheirismo foi o principal aspecto que me chamou atenção. Atividades que
exigiam trabalho em grupo, me fizeram aprender que nem sempre se consegue fazer
tudo só, e que mesmo eu, que tinha certa aversão a grandes grupos, adorei fazer
parte daquele. Foi assim que ingressei no Grupo Escoteiro Moacara - RS 32, e lá
permaneci até ter que me mudar para Porto Alegre. Algumas das minhas melhores
lembranças foram feitas graças ao escotismo, poder dormir sob um céu estrelado,
fazer rapel, escalada, boia cross entre outras atividades me fez muito feliz, e
em cada acampamento, em cada jornada, em cada fogo de conselho, em cada rio
atravessado com balsa, eu absorvia novos valores. Aprendi a “andar com as
próprias pernas”, aprendi a respeitar o valor do alimento que se tem, e
principalmente, aprender a dividi-lo, aprendi que ajudar ao próximo é tão bom
quanto ser ajudado, aprendi a dar valor as coisas simples que recebemos como
“básicas”, mas que muitas pessoas não tem. Aprendi o valor de uma amizade.
Acredito que lá desenvolvemos mais do que o físico, o caráter e o social,
pilares defendidos pelo movimento. Não, escotismo não é só montar barraca e
fazer nós, escotismo é uma escolha de vida. Uma atividade que perdura a cem
anos com os mesmos valores, para mim, é digna de respeito. Me considero uma
pessoa muito melhor desde que entrei no escotismo e se eu pudesse voltar quatro
anos atrás, com toda certeza do mundo, eu faria tudo de novo.
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