Aluno 106
Reescrita
De galho em galho,
saindo do que é cômodo, buscando o novo. Acho que posso me definir como um
camaleão aventureiro, guerreiro. O meu início não foi dos mais comuns, minha
família se formou com o divórcio do primeiro casamento de meu pai e a viuvez de
minha mãe, ambos vindos com filhos de seus respectivos antigos casamentos.
Dessa forma, sou a décima filha de minha mãe e sétima filha de meu pai. Somos
todos naturais de pequena Anita Garibaldi, cidadezinha no interior de Santa
Catarina. Acredito que por ter tantos meios irmãos o desejo pela independência
sempre foi forte em mim. Desde pequenos aprendemos a cuidar uns dos outros e a
si mesmo. Ainda que por ser a irmã mais nova, eu recebesse maior atenção,
sempre gostei de fazer as coisas por minha conta. Em vista de melhores condições e oportunidades,
aos quatorze anos, me mudei para a casa de uma de minhas irmãs, por parte de
mãe, que mora em Caxias. Durante quatro anos morei lá para poder estudar. É
extremamente diferente viver sem a figura paterna e materna, porém minha irmã,
essa que me recebeu em sua casa, tomou o papel dos dois em minha vida.
A capacidade de me
apaixonar por tudo ao mesmo tempo, e de repente perder o gosto, me torna
mutável. Das poucas certezas que tenho, cito o escotismo, a música e os livros.
Dessa maneira, sou escoteira, música e amante dos livros. Por conta dessa
paixão pelos livros, mais uma mudança ocorreu, decidi estudar Letras, para
isso, estudei e acabei parando na UFRGS. Atualmente vivo numa república com
seis meninos, e por mais estranho que possa parecer ser a única fêmea da casa,
a experiência tem sido muito divertida, busco tirar conhecimento de todas as
situações inusitadas que acabo por entrar, como por exemplo, escutar conversas
sobre meninas sob o ponto de vista deles, debatendo, começo a entendê-los. As
vezes me estresso, admito, encontrar a tampa da privada pra cima no banheiro
não é algo que me agrade, mas não posso negar que me sinto em casa
novamente, convivendo com meus irmãos. Ás vésperas dos dezenove anos, não tenho
mais a antipatia pelo funk, e já superei minha aversão pelo sertanejo. Acho que
se tornar eclético é quase que automático quando mudanças ocorrem na vida.
Quanto aos anos que projeto em Porto Alegre, tenho consciência das surpresas,
alegrias e dificuldades que podem surgir, porém, aí se apresenta a vantagem de
ser camaleão, cada novidade é um desafio, e cada desafio pra mim, deve ser
vencido.
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