domingo, 19 de junho de 2016

Aluno 106
Reescrita


Por volta de quatro anos atrás, minha irmã insistia para que eu fosse a uma atividade onde haveriam muitas brincadeiras, meninos e meninas da minha idade, local onde eu poderia fazer vários amigos. É claro que como uma pessoa tímida, as palavras “interação” e “pessoas” me assustavam, e muito. Foi a contragosto que a quatro anos atrás botei os pés num grupo escoteiro, foi há quatro anos, que fiz uma de minhas melhores escolhas na vida.
            Primeira atividade, ouvia palavras como “BOIA”, “Cobrir” e “Formar”. Tais palavras me faziam lembrar do militarismo, pensei comigo mesma “O que é que estou fazendo aqui?”, mas decidi esperar, afinal, o pessoal estava sendo tão bacana comigo. Naquele dia aprendi meu primeiro jogo escoteiro “Buldog”. Como a menina competitiva que sou, logo fui perguntando sobre as regras para saber o que era preciso para ganhar. Descobri que o jogo não tinha por finalidade um ganhador, mas sim, a união dos grupos que iam se tornando cada vez maiores, para pegar “o buldog”, a última pessoa do círculo. O dia todo foi de atividades que exigiam trabalho em grupo, atividades que me fizeram aprender que nem sempre se consegue fazer tudo só, e que mesmo eu, que tinha certa aversão a grandes grupos, adorei fazer parte daquele. Final do dia: Ual! Que diferença. Como pude não querer estar aqui antes? O companheirismo foi o principal aspecto que me chamou atenção. Nessa era digital com a vida sempre tumultuada, é difícil encontrar um local onde as pessoas realmente se preocupam umas com as outras. Aprendi o valor de uma amizade. Foi assim que ingressei no Grupo Escoteiro Moacara - RS 32, e lá permaneci até ter que me mudar para Porto Alegre. Buscando em minha memória, encontro minhas melhores lembranças feitas graças ao escotismo, entre elas posso citar: poder dormir sob um céu estrelado, fazer rapel ou escalada. Todas essas atividades me fizeram muito feliz, e em cada acampamento, em cada jornada, em cada fogo de conselho, em cada rio atravessado com balsa, eu absorvia novos valores, tão surpreendentes quanto aquele do meu primeiro dia de atividade. Aprendia então o significado de “andar com as próprias pernas”, respeitar o valor do alimento que se tem, e principalmente, aprender a dividi-lo, aprendi que ajudar ao próximo é tão bom quanto ser ajudado, aprendi a dar valor as coisas simples que recebemos como “básicas”, mas que muitas pessoas não tem. Acredito que lá desenvolvemos mais do que o físico, o caráter e o social, pilares defendidos pelo movimento. Não, escotismo não é só montar barraca e fazer nós, escotismo é uma escolha de vida. Uma atividade que perdura a cem anos com os mesmos valores, para mim, é digna de respeito. Me considero uma pessoa muito melhor desde que entrei no escotismo e se eu pudesse voltar quatro anos atrás, com toda certeza do mundo, eu faria tudo de novo.

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