1 Versão
Aluno 68
Antes
de tudo você deve ter um altar devidamente organizado, erigido à deidade de sua
escolha. Num momento tranquilo do dia, de preferência numa terça-feira ou
sábado, você deve se recolher e se colocar diante do altar. Primeiro deve abrir
um círculo para purificar o espaço do trabalho, que pode ser mental, traçado no
ar, ou riscado no chão com uma pemba (uma espécie de giz branco que se compra
em lojas esotéricas). Em seguida deve se saudar as divindades ancestrais,
acender duas velas, uma que represente a força feminina, outra a masculina, e
com deferência colocar a testa no chão diante delas. A seguir é a vez de saudar
sua deidade pessoal, seja diante de uma vela, estátua, foto, ou qualquer objeto
que traga seu aspecto, do mesmo modo coloca-se a testa no chão, em sinal de
absoluta reverência. Estas etapas podem ser feitas tanto em silêncio devocional
quanto cantadas declamando versos às deidades. Também podem ser feitas
oferendas e libações com especiarias peculiares a sua deidade: mel, vinho,
champanhe, joias, sangue, sêmen; muito importante conhecê-la bem e respeitá-la.
A
próxima parte, muito importante, são as invocações. Invocar é o ato de convocar
e ao mesmo tempo convidar, numa mistura equilibrada de autoridade e suavidade,
todas as energias necessárias para participar do círculo. Invoca-se nessa parte
o que muitos chamam de Reis ou Espíritos dos pontos cardeais, cada um regendo
um elemento da natureza. Primeiro invoca-se os reis do norte e saúda-se os
elementais da Terra; um punhado de sal, terra, galho, uma flor, são objetos que
podem representá-los. Depois invocamos e saudamos os reis do leste, e os
elementais do Ar; um incenso, uma lâmina pequena ou penas podem representá-los.
Na sequência invocamos os reis do oeste e os elementais da água; um cálice, uma
taça, um pote com água ou conchas são suficientes. Por último saudamos os reis
do sul e os elementais do fogo; uma vela é mais que perfeito. Terminada as
invocações necessárias, contando com a proteção dos reis, um círculo bem
fechado e a atenção de sua deidade, podemos dar início aos trabalhos.
Antes
você deve se “colocar em alfa”, isto é, deixar sua mente num estado atento e
tranquilo, quase que gnóstico. Meditação, contagens cíclicas entre, zero, sete
e catorze, masturbação ou ouvir músicas lisérgicas podem ser meios de se entrar
em alfa (alguns magos também se utilizam de substâncias alucinógenas, mas isso
não faz parte do meu conhecimento e não é totalmente aceito entre os estudiosos).
Uma vez atingindo alfa podemos seguir finalmente para a primeira etapa do
feitiço.
Você vai precisar de uma folha de
ofício e caneta. Nesse momento deve-se focar a pessoa em questão, com muita
franqueza, sem omitir nenhum sentimento. Toda raiva, desconforto, tristeza,
angústia, todas as sensações que a pessoa opressiva causa devem vir à tona por
alguns instantes. Quando você sentir que está no auge da raiva, no pico do
desespero, deve pegar a folha de papel e deixar fluir sobre ela qualquer coisa
que sintetize essas sensações. Desenhos, frases, palavras soltas, símbolos
desconexos, não se preocupe com a estética, a intenção é retirar do seu
inconsciente, no meio do transe em alfa, a síntese dessa memória nociva.
Talvez
você precise descansar por 24 horas, talvez precise de 7 dias, ou talvez já
esteja pronto para a última etapa. É natural que haja um pouco de fraqueza,
existe o risco de adoecer por uns dias. Queimar esse papel significa cortar
definitivamente os laços, e isso pode ser brusco demais conforme o tempo que
possuem. Respeite o seu tempo. Importante ressaltar que se você precisar de uma
pausa, encerre seu círculo com muita gratidão, e jamais apague as velas
assoprando, é tido como ofensa aos reis que regem o sul.
Na
última etapa também se usa papel e caneta. Basicamente você irá repetir todos
os procedimentos da primeira etapa: abrir o círculo, saudar as deidades,
invocar os reis (se a pausa foi necessária), colocar-se em alfa e transcrever
as sensações no papel. Espera-se que nessa etapa o pico de desespero seja menos
opressivo, pois parte já foi dissolvida com o fogo no “cortar dos laços”. Essa
parte consiste em congelar a influência que essa pessoa pode continuar tendo.
Além de transcrever as sensações durante o transe, deve-se escrever o nome da
pessoa no papel. Por fim dobre-o, agradeça aos espíritos que o assistiram,
honre as deidades (não se esqueça de sempre colocar a testa no chão), feche o
círculo e apague as velas. Em seguida coloque o papel em algum recipiente com
água e depois coloque no freezer. Deixe lá por, no mínimo, sete dias, mas o
mais recomendado é se esquecer do papel lá dentro.
Quando passar os sete dias, ou
casualmente encontrar o papel, jogue no rio, no mar, ou na privada.
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