segunda-feira, 20 de junho de 2016

Medo de voar

Reescrita
Aluno 95


95 sempre teve medo de viajar de avião. Ele não gosta da sensação de saber que não está tocando o solo enquanto está nas alturas. Para ele, uma experiência assustadora foi fazer sozinho uma viagem longa e de mais de 10 horas. Era inverno onde morava, e ele decidiu que iria viajar para o hemisfério norte, a fim de fugir do frio e curtir as férias no calor. Decisão difícil, tendo em vista seu medo de voar. Com apoio de amigos e familiares, finalmente chegou a conclusão que iria se divertir, além de provavelmente perder o medo. “Avião é o meio de transporte mais seguro do mundo”, diziam seus familiares. “Se o avião cair, você não vai sentir nada”, diziam seus amigos, caçoando de seus receios.
95 estava com bastante medo, porém, tudo corria bem durante a viagem. A luz forte e cegante do sol refletia com força nas nuvens cor de neve, que agora deslizavam abaixo da aeronave. Os comissários de bordo em trajes azuis, sempre solícitos ao atender os passageiros, fizeram 95 esquecer que estava dentro de um avião. O clima de animação dos demais passageiros também ajudou, pois todos estavam ansiosos para chegar o quanto antes no destino: San Diego, Califórnia. Aqui e ali ouviam-se conversas sobre praia, mar, surfe e as maravilhosas possibilidades que esperavam por 95 no desembarque.
De repente, o sol que outrora brilhava, desapareceu. Não era noite, era uma tempestade de verão! Não bastasse o medo natural de 95, o avião onde estava precisava passar por ela. Luzes de apertar os cintos ligadas, comissários de bordo recolhidos em seus assentos e passageiros preocupadas à volta. O clima de tensão substituiu rapidamente a animação. As luzes do sol foram substiuídas pelas luzes esporádicas e violentas dos raios. O medo de 95 era tamanho que mal conseguia raciocinar, sentia falta de ar, não conseguia conversar com mais ninguém, as mãos suavam frio e ele ficou colado na cadeira como um boneco de pano, movimentando-se apenas com o chacoalhar do avião, que não era pouco. O piloto avisou pelo sistema interno que a nave iria passar por uma turbulência. Turbulência? Parecia que 95 estava andando em uma montanha russa de madeira, cheia cupim, sem uma roda e durante um terremoto. Ele sentia constantemente o frio na barriga causado pela queda livre, pois a turbuência costuma jogar os aviões muitos metros abaixo. Como se isso não bastasse, quanto mais ele ingressava na tempestade, maior parecia a perturbação dentro da aeronave.
95 não recorda muita coisa da fatídica viagem. Acredita que teve um ataque de pânico, pois sua perturbação mental foi tão grande quanto a do avião, causada pela tempestade. Quando se deu por conta, já estavam em terra. Ele, todavia, não lembrava mais quem era, onde estava, nem o que tinha ido fazer. Férias? Não sabia o que era isso. O pavor foi tamanho durante a viagem que ele levou algumas horas até relaxar; precisou ser auxiliado no desembarque e foi o último passageiro a passar pela imigração.
            E o pior, como 95 faria para aproveitar suas férias, sabendo que a única forma de retornar para casa seria pelo mesmo transporte utilizado para chegar ali. E agora? Seu medo de avião transformou-se em fobia e ele quase se recusou a embarcar para a viagem de volta. Após muita insistência, uma comissária convenceu-o a entrar na aeronave e ofereceu-lhe um calmante. O calmante acalmou a mente temporariamente. 95 voltou para casa, mas agora com a certeza de que nunca mais viajaria de avião.

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