Reescrita
Aluno 95
95 sempre teve medo de viajar de avião. Ele não gosta da
sensação de saber que não está tocando o solo enquanto está nas alturas. Para
ele, uma experiência assustadora foi fazer sozinho uma viagem longa e de mais
de 10 horas. Era inverno onde morava, e ele decidiu que iria viajar para o
hemisfério norte, a fim de fugir do frio e curtir as férias no calor. Decisão
difícil, tendo em vista seu medo de voar. Com apoio de amigos e familiares,
finalmente chegou a conclusão que iria se divertir, além de provavelmente
perder o medo. “Avião é o meio de transporte mais seguro do mundo”, diziam seus
familiares. “Se o avião cair, você não vai sentir nada”, diziam seus amigos,
caçoando de seus receios.
95 estava com bastante medo, porém, tudo corria bem durante a
viagem. A luz forte e cegante do sol refletia com força nas nuvens cor de neve,
que agora deslizavam abaixo da aeronave. Os comissários de bordo em trajes
azuis, sempre solícitos ao atender os passageiros, fizeram 95 esquecer que
estava dentro de um avião. O clima de animação dos demais passageiros também
ajudou, pois todos estavam ansiosos para chegar o quanto antes no destino: San
Diego, Califórnia. Aqui e ali ouviam-se conversas sobre praia, mar, surfe e as
maravilhosas possibilidades que esperavam por 95 no desembarque.
De repente, o sol que outrora brilhava, desapareceu. Não era
noite, era uma tempestade de verão! Não bastasse o medo natural de 95, o
avião onde estava precisava passar por ela. Luzes de apertar os cintos ligadas,
comissários de bordo recolhidos em seus assentos e passageiros preocupadas à
volta. O clima de tensão substituiu rapidamente a animação. As luzes do sol
foram substiuídas pelas luzes esporádicas e violentas dos raios. O medo de
95 era tamanho que mal conseguia raciocinar, sentia falta de ar, não
conseguia conversar com mais ninguém, as mãos suavam frio e ele ficou colado na
cadeira como um boneco de pano, movimentando-se apenas com o chacoalhar do
avião, que não era pouco. O piloto avisou pelo sistema interno que a nave iria
passar por uma turbulência. Turbulência? Parecia que 95 estava andando em
uma montanha russa de madeira, cheia cupim, sem uma roda e durante um
terremoto. Ele sentia constantemente o frio na barriga causado pela queda
livre, pois a turbuência costuma jogar os aviões muitos metros abaixo. Como se
isso não bastasse, quanto mais ele ingressava na tempestade, maior parecia a
perturbação dentro da aeronave.
95 não recorda muita coisa da fatídica viagem. Acredita que
teve um ataque de pânico, pois sua perturbação mental foi tão grande quanto a
do avião, causada pela tempestade. Quando se deu por conta, já estavam em
terra. Ele, todavia, não lembrava mais quem era, onde estava, nem o que tinha
ido fazer. Férias? Não sabia o que era isso. O pavor foi tamanho durante a
viagem que ele levou algumas horas até relaxar; precisou ser auxiliado no
desembarque e foi o último passageiro a passar pela imigração.
E
o pior, como 95 faria para aproveitar suas férias, sabendo que a única
forma de retornar para casa seria pelo mesmo transporte utilizado para chegar
ali. E agora? Seu medo de avião transformou-se em fobia e ele quase se recusou
a embarcar para a viagem de volta. Após muita insistência, uma comissária
convenceu-o a entrar na aeronave e ofereceu-lhe um calmante. O calmante acalmou
a mente temporariamente. 95 voltou para casa, mas agora com a certeza de
que nunca mais viajaria de avião.
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