sexta-feira, 17 de junho de 2016

Reescrita
Aluno 102


Em meu curto tempo de vida até então, diria que vivi pouco, porém houve um dia que me marcou para sempre. Pode parecer fanatismo, coisa de adolescente ou “apenas uma fase” como dizem os mais velhos. Bem, o que há de errado nisso? Alguns buscam apoiar sua fé na religião e eu apoiava a minha em uma pessoa: Lady Gaga. E o dia 13 de novembro de 2012 foi o dia em que, mesmo que de longe, pude conhecer essa mulher única.
Sabendo da oportunidade de conseguir um lugar em uma pista reservada especialmente para as 500 primeiras pessoas da fila, eu não poderia desperdiça-la e lá estava eu às quatro da manhã. Nessas quinze horas de espera, passei a ver o mundo com outros olhos, olhos mais gentis, olhos sem preconceitos. As pessoas que lá estavam, aquelas tão estigmatizadas pela sociedade por serem em sua maioria LGBTs, possuíam uma gentileza que eu nunca havia visto. Conversavam, riam, cantavam e dividiam seu lanche com todos, sem se importar com aparências, crenças ou orientação sexual. Assim, sem nos importarmos também com as mudanças climáticas repentinas que ocorreram, ora chovia, ora fazia um sol fortíssimo, estávamos lá firmes e fortes pois possuíamos uma alegria em comum.
Até hoje lembro com todos os detalhes uma das cenas mais emocionantes daquele dia. Na hora da abertura dos portões fazia sol e chovia ao mesmo tempo. Nos posicionamos em duplas para passar pela segurança, como fomos orientados a fazer. De mãos dadas com nossos novos amigos, andamos. A cada passo dado, a chuva ia se misturando às lágrimas dos 500 fãs emocionados que iam se posicionando em frente ao palco.
O show estava começando. As luzes se apagaram, as lágrimas haviam retornado, os gritos entusiasmados já eram ouvidos. Gaga surge no palco montada em um cavalo de metal acompanhada de seus dançarinos. Quando passa pela passarela ao meu lado ouve meu grito. Seu olhar se volta para mim. Naquele momento nada mais existia ao meu redor, era apenas eu e ela. Quando retornada a realidade, me perguntava se poderia chamar aquilo de real. Esses momentos hoje são nada mais que imagens abstratas, embaçadas pelas minhas lágrimas e abafadas pelo alto volume da minha voz, mas me recordo de cada sentimentos que tive. Entre gritos e pulos, a cada canção que terminava eu me perguntava “Isso está acontecendo de verdade?”. A boa notícia era que sim, estava acontecendo; a má notícia era que não duraria mais por muito tempo.
Após viver toda essa loucura, estar entre o mundo real e o imaginário, foi difícil voltar à rotina. Não havia um dia em que eu não revivia todos estes momentos em minha memória. Ia contando os dias que precediam. Um dia, uma semana, um mês, um ano. Pois bem, hoje fazem 3 anos, 5 meses e 4 dias. Não foi apenas uma fase. O sentimento resiste ao tempo passado e se houvesse mais uma oportunidade eu faria tudo de novo. Repetiria cada grito de novo, cantaria cada verso de novo, derramaria cada lágrima novamente. Nesse um dia vivi muito mais do que nos outros 17 anos de vida que tive.





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