sexta-feira, 17 de junho de 2016

Tupiniquim

Aluno 88
Reescrita


Eu fiz o sonho de minha mãe ser o meu sonho: viajar e estudar fora do país. Quando menos esperava, fui para Londres viver em uma host family. Alguns amigos e professores tinham me dito que britânicos, e especialmente ingleses, eram mal-educados, arrogantes, etc. Então, fui para lá já “preparada” para ser recebida por rudes pessoas. Porém, esse estereoótipo foi desfeito logo ao chegar no aeroporto de Heathrow: uma senhora me avisou que meu nariz estava sangrando, por causa do frio, e me ofereceu um lenço para me limpar. Ela me ajudou quando estava sozinha e perdida no encantamento de ter finalmente chego naquela cidade gelada e com constantes garoas.
            Depois de uma hora dentro de um ônibus fui conhecer minha família nova na cidade de Bath. A casa era repleta de gatos, cachorros, galinhas e de novos irmãos. O mais novo tinha cinco anos, o mais velho vinte e seis. A solidariedade deles era grande. Era notável que eles não recebiam estrangeiros somente por serem pagos, mas principalmente por estarem mais perto de outras culturas. O pacote que já estava pago, não incluía almoços nem vale-transportes, mas eles faziam questão de me ajudar. Eu não via aquelas coisas sobre arrogância que haviam me alertado, só via bondade e ânsia de me conhecerem.
            Porém, meu estereótipo, ao contrário do deles, não havia sido quebrado, e nem seria tão fácil. A primeira vez que recebi o que eles achavam sobre o Brasil foi ao ler no jornal local algo sobre os “samba boys”. Com a minha surpresa com esse termo, meu irmão mais velho começou a me chamar de samba girl.
            Em outro acontecimento, me perguntaram se vivíamos em árvores juntamente com os macacos no Brasil. Já desistindo de tentar quebrar todos esses rótulos, respondi a um britânico que meu nome era Tupiniquim, e ele encantado com essa palavra totalmente desconhecida anotou-a e falou que colocaria esse nome em algum filho seu.
            Sentia-me como na música de Gilberto Gil: Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui/Naquela falta de juízo que eu não/Tinha nem uma razão pra curtir/Naquela ausência de calor, de cor, de sal/De sol, de coração pra sentir, como tupiniquim longe da terra natal. Porém, mesmo com esse desconforto, me sentia confortável por estar entrando em contato com outras pessoas, com histórias totalmente diferentes das que conhecia e contextos extremamente diferentes dos brasileiros.
            Toda viagem proporciona aprendizados, até mesmo viagens para outras cidade ou estados e agora pretendo chegar a todo e qualquer lugar, sem qualquer especulação sobre as pessoas e nem sobre como irão me tratar. Nessa viagem a outro continente desfiz esses rótulos que tinham formado para mim, e mesmo não conseguindo desfazer totalmente os que tinham sobre nós, brasileiros, acredito que fiz o mesmo para algumas pessoas que hoje já tenho muitas saudades.

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