quinta-feira, 9 de junho de 2016

Parecer_Aluno67

A proposta de escrita deste texto é descrever um fato que a levou a um aprendizado. Perceba, entretanto, que você narra uma situação relativamente longa. A sua narrativa parece possuir uma unidade temática que se mantem, eu diria, até o segundo parágrafo, pois o último muda o rumo narrativo do texto. Sendo o objetivo da proposta, porém, eu lhe sugeriria a repensar o fato que você descreve; ou, se for o caso, manter esse acontecimento que você narra dando mais concretude a ele, permitindo que seu leitor possa montar uma imagem melhor do que a contecia no hospital.
            O aprendizado narrado, entretanto, não me pareceu claro. Seria interessante, também, deixar esse aprendizado claro ao seu leitor. Minha sugestão de reescrita seria, então, que você desse mais enfase ao fato narrado, mas detalhes, que você criasse uma imagem melhor desse acontecimento. Assim como esclarecer o aprendizado obtido.

            Boa reescrita!

Não se preocupe, vai dar tudo errado.

1 Versão
Aluno 67


Se você, leitor, também sofre com a implicância do destino, então provavelmente irá entender e identificar-se com a história que irei contar. Se logo pensou em encerrar a leitura aqui por não encontrar-se nessa descrição, repense: todos passamos, nem que seja por um dia, por aquele tipo de situação em que tudo dá errado. Por mais que sejamos positivos, um mar de surpresas desagradáveis chega para destruir a ilusão criada por aqueles que nos disseram “calma, vai dar tudo certo”. Foi o que aconteceu no inverno de 2013, quando uma simples inflamação de apêndice desencadeou outras dessas surpresas.
Eu já estava sentindo dores pelo corpo há algumas horas, e então decidi parar de fazer uma lista de 40 exercícios de Biologia, a tarefa de casa. Não tomei essa decisão apenas por estar me sentindo mal, já era tarde e no outro dia, quinta-feira, acordaria cedo. O que não esperava era que não conseguiria ao menos dormir e precisaria, algumas horas depois, estar num posto de saúde para entender o que acontecia. Era só o início de uma peregrinação que me levou até o posto de outra cidade, onde apenas um dia depois constatou-se que estava com apendicite aguda. Não me preocupei: vários amigos já tinham exibido orgulhosos suas cicatrizes deixadas pela cirurgia, era algo muito comum de que não conseguiria escapar. Iria dar tudo certo, assim pensava enquanto a ambulância me transportava até o hospital.
Já na sala de cirurgia, segui a sugestão do anestesista e me imaginei caminhando por um campo florido, passeei 5 segundos pelo paraíso e então dormi. Ao abrir os olhos algumas horas depois, já sem o apêndice, o que passava em minha mente não era mais uma bela paisagem. Com muita dificuldade de respirar e sofrendo de taquicardia, não entendia o que estava acontecendo e nenhum dos três enfermeiros que me olhavam com os olhos arregalados ajudavam a entender.
Passei por uma bateria de exames que constatou uma pneumonia aspirativa causada por um erro enquanto era anestesiada, o tubo que leva a anestesia cortou minha garganta, o que ocasionou a formação de um coágulo no pulmão. A grande quantidade de sedativos me impede de lembrar de muitas passagens a partir daí. Lembro que acordei na UTI, rodeada por profissionais da saúde, como o fisioterapeuta, que me apresentou uma máscara enorme, dizendo que, quando não conseguisse respirar, uma máquina emitiria um aviso e prontamente seria colocada em meu rosto. Foi quando decidi que não iria dormir enquanto estivesse ali, pois imagine: pegar no sono e acordar com uma máquina apitando, uma máscara cobrindo boa parte do meu rosto e uma equipe de enfermeiros em minha volta. Preferia me manter bem acordada, controlando - como se isso fosse possível - minha respiração, para que nada acontecesse.
Acabei dormindo e não foi necessário o uso da máscara, alguns dias depois o destino deixou de implicar comigo por um tempo e me liberou daquela situação. Pude sair da UTI e ir para um quarto de recuperação, onde passei algumas semanas fazendo fisioterapia respiratória. Num frio muito intenso voltei para casa, mais algumas semanas sem poder sair dali e então pude dizer que estava recuperada, o final tinha sido feliz.
Se você está lendo este texto, significa que, por mais que eu não tenha dormido o suficiente, talvez faltado algumas aulas para escrevê-lo, ou até não tenha ficado tão satisfeita com o resultado, atingi o objetivo de contar-lhe essa história. Saí sem sequelas daquele hospital e termino esta escrita também sem maiores problemas, assim, posso lhe afirmar que não há a necessidade de se preocupar tanto com os desafios da vida, afinal, tudo vai dar errado até que, enfim, dê certo.

Uma das pessoas que aguardam o ônibus

Aluno 67
Reescrita


Meu professor de Geografia costumava dizer que seus melhores estudos de antropologia aconteciam quando sentava num banco da rodoviária de Porto Alegre e observava. De fato, o que se vê são muitas pessoas, dos mais variados tipos. O que não se enxerga é o mundo inteiro de experiências e histórias que carregam consigo, que poderiam ser o enredo de um livro que conquiste leitores ou o roteiro de um filme que lote salas de cinema. No meio de todas essas pessoas que aguardam o ônibus, sou uma das que observa no pouco tempo que tenho para esperar, pois, dentre os passageiros, faço parte da categoria dos que chegam aos últimos minutos.
Foi próximo a uma parada de ônibus que nasci. Não, não foi um acidente de percurso que me fez nascer ali mesmo, vim ao mundo num quarto do hospital da PUC, em Porto Alegre, localizado em frente a um dos vários terminais de ônibus da cidade. Logo fui morar em Punta del Este, próxima a minha família paterna, mas meu aniversário de 1 ano já foi comemorado em Garibaldi, na serra gaúcha, onde vivi por 17 anos.
Cresci naquela cidade silenciosa, rodeada pelos livros da biblioteca que minha mãe gere até hoje. Foi ali que aprendi tudo que sei e criei minha personalidade, foi onde me tornei a pessoa que chega em cima da hora para pegar o ônibus. Acredito que essa característica pode ser relacionada ao local onde vivi, tudo é perto demais no interior. Está com fome? No outro lado da rua tem uma padaria. Dor? Provavelmente em alguns minutos caminhando encontra uma farmácia. Assim, me acostumei a deixar tudo pra última hora. Claro, não posso ignorar o fato de que, vergonhosamente, sou quase profissional na área de procrastinação e até poderia justificar o fato usando como argumento meu signo, os amantes de astrologia me perdoariam, pois “piscianos são assim mesmo, tranquilos, vagarosos”.
Voltei para Porto Alegre depois de um trajeto de indecisões. Na pré-adolescência quis ser publicitária, psicóloga, assistente social, professora. Aí, o tempo já estava acabando, o vestibular chegando e se me atrasasse perderia a viagem de anos que é cursar a faculdade, então parei de pensar nas opções com medo de que surgissem outras e por perceber que nada tiraria de mim a ânsia de trabalhar com educação. Enfim, decidi cursar Letras, e aqui estou. Provavelmente cheguei com um 343, ou D43 que peguei naquela parada em frente ao hospital que nasci e que hoje, coincidentemente, embarco diariamente no ônibus, eu e as outras várias pessoas e suas histórias.

Parecer_Aluno67

A proposta inicial do seu texto é bem interessante. A analogia com a observação do seu professor de Geografia parece iniciar uma linha de pensamento que permeia quase todo texto, no caso, enxergar e “traduzir” as pessoas, utilizando o exemplo dos ônibus e da rodoviária. Contudo, esse texto se propõe a ser uma apresentação pessoal, e o seu primeiro parágrafo não traz informações sobre você.
Seu segundo parágrafo ainda utiliza o exemplo inicial com “ônibus”, relacionando seu nascimento a uma parada. Parece que a apresentação se inicia, de fato, nesse trecho. No entanto, algumas passagens são demasiado abstratas. Você cita que nasceu próxima a uma parada de ônibus, em um quarto de hospital da PUC: a ideia fica um pouco confusa, porque, talvez, o seu interlocutor não consiga relacionar essas duas informações. Nesse caso, você poderia investir mais na concretude, explicando melhor o que considera relevante ao texto.
Já no terceiro parágrafo, há uma quebra da linearidade do texto. Ocorreu uma listagem de informações, como crescer naquela cidade (a qual não tem referência clara), ser sentimental e ser pisciana. Lembre-se, você estabelece uma interlocução com seu leitor. Quais informações são relevantes? Qual faceta sua você gostaria de apresentar?
Reparei que a palavra trajeto aparece bastante no seu texto, fazendo referência a uma evolução histórica na sua apresentação pessoal. Essa palavra faz um link com a sua ideia inicial dos ônibus e da rodoviária. Seria essa sua unidade temática? Se sim, seu primeiro/segundo e último parágrafo são coerentes e ainda acrescentam concretude ao texto. Dizer que você nasceu próxima a uma parada de ônibus a qual, hoje, tantos anos depois, você utiliza para pegar o ônibus que te leva à faculdade, foi um ponto essencial para a sequência lógica do texto. Quem sabe, como sugestão e apenas sugestão, você altera algumas passagens no desenvolvimento e investe em informações mais relevantes e condizentes com esse aspecto, para dialogar melhor com o seu interlocutor?

Boa reescrita!

Uma das pessoas que aguardam o ônibus

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Aluno 67

Meu professor de Geografia costumava dizer que seus melhores estudos de antropologia aconteciam quando sentava num banco da rodoviária de Porto Alegre e observava. De fato, o que se vê são muitas pessoas, dos mais variados tipos. O que não se enxerga é o mundo inteiro de experiências e histórias que carregam consigo, que poderiam ser o enredo de um livro que conquiste leitores ou o roteiro de um filme que lote salas de cinema. Pretendo, aqui, falar um pouco sobre meu mundo.
Foi próximo a uma parada de ônibus, dessas que circulam várias pessoas e suas histórias, que nasci. Não, não foi um acidente de percurso que me fez nascer ali mesmo, vim ao mundo num quarto do hospital da PUC, em Porto Alegre. Logo fui morar em Punta del Este, próxima a minha família paterna, mas meu aniversário de 1 ano já foi comemorado em Garibaldi, na serra gaúcha, onde vivi por 17 anos.
Cresci naquela cidade silenciosa, rodeada pelos livros da biblioteca que minha mãe gere até hoje. Foi ali também que aprendi tudo que sei e criei minha personalidade, a apresentaria da seguinte forma: sou sentimental, acredito muito nas pessoas e prefiro ouvir suas aflições do que falar sobre as minhas. Aos amantes da astrologia, diria apenas que sou pisciana, com ascendente em escorpião.
Voltei para Porto Alegre depois um trajeto de indecisões. Na pré-adolescência quis ser publicitária, psicóloga, assistente social, professora. Aí parei de pensar nas opções com medo de que surgissem outras e por perceber que nada tiraria de mim a ânsia de trabalhar com educação. Enfim, decidi cursar Letras, e aqui estou. Provavelmente cheguei com um 343, ou D43 que aguardei naquela parada em frente ao hospital que nasci e que hoje, coincidentemente, espero diariamente o ônibus, eu e as outras várias pessoas e suas histórias.