sábado, 20 de maio de 2017

Como comecei a escrever

ALUNO 115
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Ao analisar o tema proposto para este texto, aparentemente muito simples e objetivo, tive dúvidas acerca da palavra “escrever” ao pensar no que realmente ela se referia. O que será que meu interlocutor espera deste texto? Será uma intencionada busca de como anda a alfabetização? Ou seria um viés para conhecer quem são os novos alunos como pessoas?
Não me decidindo por uma das opções, optei por falar sobre as duas. Afinal, não gostaria de desfalcar a pesquisa do investigador, caso fosse a primeira das alternativas e nem passar a imagem de que sou um ser vazio, sem emoção alguma, no caso da segunda opção. Pensar em como aprendi a escrever é uma tarefa impossível. É como andar ou cortar um alimento: alguém lhe mostra, você pratica e repete por toda a vida sem perceber.
Escrever nos concede a oportunidade de sermos autores, de escolhermos como o texto começa e o fim que vai ter, de determinarmos o que queremos que o interlocutor pense a respeito...Exatamente assim, sucede em nossas vidas. Somos autores de nossas próprias histórias.
Neste caso, eu poderia dizer que comecei a escrever minha história no momento em que precisei me enxergar num futuro que independesse dos meus pais, e definir onde eu gostaria de estar e como faria para chegar até lá. Não quer dizer que uma profissão defina uma pessoa, mas ela faz parte desse processo, e decidir que eu quero fazer parte da mudança na Educação Brasileira, que eu acredito que acontecerá um dia, foi o que me fez traçar os passos pra fazer dessa a minha história.

Arrhythmia

Reescrita
Aluno 139


Desde a infância até a vida adulta a minha relação com a escrita teve períodos de intensidade e períodos quase inertes. Equivalente a relação de um coração arrítmico ao fluxo sanguíneo, no qual seu pulso cardíaco varia de acordo com o tipo de estímulo.
Na primeira série estudei em uma escola particular, ela tinha uma postura lúdica em relação a ler/escrever, cujo conceito era o de “aprender brincando”. Através de interpretação oral de histórias pelos professores, esculturas de argila com formato de letras e pinturas, dessa maneira a escrita tornava-se algo palpável. No entanto, logo na segunda série mudei para uma escola pública que a estrutura era precária, faltavam professores, tinha pouco material e didáticas pouco estimulantes, o que consequentemente tornava o mundo da escrita distante de mim.
Depois dos anos de escola pública, já adulto fui em busca da vaga na universidade. O movimento descompassado tornava-se cada vez mais intenso, já que mesmo escrevendo muito mais (textos dissertativos argumentativos), no entanto, meu grau de envolvimento emocional era muito menor. Sendo assim fui transformando-me nesse ser cada vez mais distante do ato de escrever. De maneira que nesses textos o grau de formalidade e impessoalidade era muito mais intenso, era como se um muro de argila tivesse sido construído entre mim e as palavras.
            Acredito que o curso de letras é a droga antiarrítmica que eu preciso, a tendência do tratamento é de amenizar essas variações. Em suma, agora tenho estrutura, professores qualificados e um ambiente que estimule a escrita, me declaro pronto para receber alta.  

Parecer_Aluno139

proposta 1


Pablo, teu texto caracteriza-se por uma série de memórias relacionadas ao teu processo de aprendizagem da escrita. São passagens muito interessantes da tua vida, mas para o leitor que não te conhece, é difícil compreender exatamente o que tu queres dizer, qual a mensagem que teu texto queres passar. O que difere teu texto dos outros? Uma dica é pensar no tema central, e a partir dele filtrar para o teu texto apenas os elementos relevantes para a história. Assim tu poderás detalhar melhor as memórias que ficarem.
Cuida para fazer apenas uma listagem de fatos! Escolhe teu tema e faz com que esses fatos criem vida utilizando imagens concretas para descrevê-los, por exemplo: Como era aplicado o preceito de “aprender brincando?” Aposta na imagem das palavras palpáveis, saindo do papel e faça com que elas saiam do papel no teu texto também! Como era a precariedade da escola pública? Como se deu esse afastamento teu e das palavras? É uma boa ideia esta de falar da aproximação e afastamento da relação com a escrita. O que achas de tentar discorrer mais sobre isso ao longo do texto? Exemplifique! O leitor precisa de detalhes, dados e imagens concretas para acessar a tua história. São essas imagens que possivelmente serão lembradas ao final da leitura. Um exemplo: Como foi consumir tanta informação sobre o mundo editorial e a vida de escritor?
Conecta bem as orações e os parágrafos do teu texto através da utilização de conectivos. Conecta também as tuas idéias ao longo do texto fazendo uso de um questionamento que segue ao longo da tua escrita fazendo o papel da linha de costura.
Sobre os aspectos formais, atenta o segundo parágrafo para a necessidade da preposição EM quando tu escreves “os próximos anos na escola”. Além disso, atenta para a utilização de vírgulas no terceiro parágrafo! Muitas daquelas vírgulas podem virar pontos finais para que teu período não seja demasiado longo.

Veja bem, o intuito destes comentários é o de auxiliar teu processo de escrita, que envolve releitura e reescrita! Teu texto está bem construído, e com estes ajustes pode ficar ainda melhor! fiquei com receio de fazer muitas correções formais, pois o aluno comentou no texto que sua barreira para escrever é a dificuldade no português.

Normas para apresentação das tarefas nesta disciplina

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aluno 139


No começo dos anos 2000, comecei a minha relação com a escrita em um colégio particular, Colégio ULBRA São João em Canoas RS. Um de seus preceitos era o “aprender brincando”, esse tipo de filosofia tornava todo o aprendizado mais leve. O pouco que me recordo desse processo era a relação que tínhamos com as palavras como algo palpável, fora do papel, acessível de fato.
            A partir da segunda série e os próximos anos na escola eu só estudei em instituições públicas, nas quais havia uma certa precariedade na estrutura física e didática, vários professores meus se ausentavam por dias e propunham atividades nada instigantes na escrita. Consequentemente, com o passar dos anos acabei ficando cada vez mais distante do ato de escrever na escola.
Nos últimos 5 anos, senti uma forte vontade de voltar a escrever, fiz algumas tentativas, com pouco sucesso, rascunhei alguns poemas, algumas músicas, no entanto nada que passasse de um simples impulso momentâneo. Além disso, consumi muitas videoaulas, podcasts e artigos sobre o mundo editorial e como sobreviver como autor no Brasil, sempre tive esse desejo de escrever algo do qual eu me orgulhasse algum dia, contudo o nível do meu português é uma barreira nesse processo, nunca me senti apto a externalizar as coisas que tenho na cabeça para o papel e expor a opiniões alheias.
Aproximadamente a um ano atrás, decidi que quero ser professor de português/literatura portuguesa, por diversos fatores como o amor que eu tenho pelas relações humanas, o amor pela língua e o amor pela literatura. Os anos que antecederam a minha entrada na UFRGS basicamente li literatura obrigatória e escrevi textos no estilo dissertativo argumentativo, obviamente com toda a pressão do vestibular nas costas. Mesmo a passos curtos venho evoluindo aos poucos a minha escrita, espero que com essa disciplina eu continue aprimorando e praticando por muito tempo esse ato.

Inspiração ou Transpiração


REESCRITA
ALUNO 145


Meu primeiro contato com a escrita se deu na primeira série do ensino fundamental, onde finalmente saí do mundo de colorir desenhos e passei a utilizar as palavras aprendidas no ensino infantil para criar algo que tivesse um significado maior do que uma casinha entre duas montanhas e um pôr do sol. Por ser filha de um jornalista, me fascinava a ideia de escrever um texto que meu pai pudesse ler, assim como ele fazia com os textos dos repórteres do jornal onde trabalhava, mesmo que na época eu não soubesse direito a diferença entre escrever um texto qualquer e escrever uma matéria para ser publicada.
No entanto, nada me dava mais prazer do que escrever redações sobre como haviam sido as férias, o que tinha feito no final de semana ou sobre algum assunto aleatório dado em aula. Antes de entregá-las para a professora, costumava deixar as redações coladas na tela do computador, seguido de um bilhete pedindo a opinião de meu pai, que sempre seguia uma linha mais realista e - no meu ponto de vista de criança - um pouco cruel, mostrando erros cometidos e cobrando correções. Não foram poucas as vezes que, depois de receber uma crítica nada aprazível sobre textos em que havia me empenhado muito para escrever, saía atrás de minha mãe para buscar um nem tão sincero “Que maravilhoso! Não dá bola pro teu pai, ele é acostumado a ser duro com os repórteres”. No fundo eu sabia que eram apenas palavras de consolo e que mais cedo ou mais tarde enfrentaria aquelas observações, feitas em caligrafia sinuosa e inclinada, nem que fosse apenas pelo prazer de receber a redação das mãos dele sem nenhuma correção e um costumeiro convite para fazer palavras-cruzadas ou debater sobre um livro lido recentemente.
Desde então, e a cada dia mais, fui me descobrindo na escrita e me apaixonando pelo poder das palavras de modificar situações e pensamentos, porém isso foi me afastando pouco a pouco dos padrões textuais considerados elementares pelo meu “editor-pai”, adepto do pragmatismo baseado na realidade nua e crua. Os meus textos costumavam ser emotivos e, na maioria das vezes, mergulhados em sentimentos e imaginação. Na falta de alguém para dividir meus rascunhos sem provocar discussões fervorosas entre razão e emoção, passei a enviá-los aos amigos mais próximos, simpáticos às minhas histórias cheias de casos de amor mal resolvidos, com voltas e reviravoltas acabando em finais clichês ou grandes tragédias.
Hoje agradeço por cada correção de vírgula, tempo verbal e acentuação feita pelo meu pai: sem elas, não teria descoberto que o aprendizado vem dos erros, e não dos acertos. Entretanto, o maior ensinamento veio de meus amigos, pois eles me mostraram que o verdadeiro prazer de escrever não advém de mostrar para o leitor o conhecimento gramatical que possuo ou quantas palavras rebuscadas sei aplicar em diferentes contextos, mas sim a importância de cativar a pessoa que está lendo e envolvê-la na mistura de sentimentos colocados no papel. Erra quem pensa que escrever é um dom, pois se trata de um longo e perseverante processo, e acima de tudo, de um exercício de amadurecimento e imersão total nas palavras.