sexta-feira, 9 de maio de 2014

Alguém

Reescrita
Por Aluno 22

            Todos têm algum traço peculiar em nossa personalidade, não é nada que possa nos definir, pois acredito que os seres humanos são complexos demais para isso, mas sim algo que se destaque em meio nossas qualidades e defeitos. No meu caso é a timidez que já me acompanha a vinte e dois anos e acaba ganhando um altar particular em minha vida. Pois já quando tinha seis anos lembro-me que minha mãe costumava brincar com parentes e amigos me chamando de: "bicho do mato", no entanto isso nunca me incomodou, porque era maneira dela se justificar pelo fato de eu não gostar de cumprimentar as pessoas e quando ela se justificava por mim se fazia desnecessária alguma atitude sociável de minha parte. Mas foi quando eu entrei na escola que a coisa ficou cada vez pior cada leitura em voz alta era um filme de terror em minha cabeça, cheguei ao ponto de fazer orações para não ser escolhido, mesmo assim parecia que tinha um alvo enorme em minhas costas os professores pareciam fazer questão que eu lesse constantemente aquilo na época me fazia muito mal até a quinta serie.
            Quando eu já estava quase me habituando ao fato de ler em voz alta embora minha timidez me atrapalhasse muito, na sexta serie entra um professor, de história, novo na escola em que eu estudava e eu como bom tímido sentei bem no fundo da classe pra não chamar nenhuma atenção. Porém de nada adiantou, pois esse professor fazia muitos trabalhos em grupo, o que já me condicionava ao fracasso, afinal que tímido trabalha bem em grupo? A resposta era lógica nenhum e para piorar os grupos deviam apresentar algum momento histórico para toda a turma, não bastasse isso apresentação não podia ser lida, portanto na hora da apresentação o aluno não poderia portar nenhum tipo de anotação. Vamos fazer uma pausa na minha história para podermos analisar bem o tamanho do meu problema. Então depois que eu me acostumei a ler em público em que era só me concentrar no que estava escrito baixar a cabeça e ficar no automático aparece um professor querendo que eu abandonasse isso e usasse minhas próprias palavras era muito azar para ser verdade. Logo minhas primeiras apresentações foram bizarras as palavras pareciam se esconder em meu subconsciente na época me lembro de querer estar em qualquer lugar menos ali as mãos suavam olhava fixo para o fundo da sala era ridículo ainda que tentasse fazer o meu melhor, hoje reconheço que aquelas apresentações ajudaram muito no controle que hoje exerço sobre a minha timidez foi tratamento de choque até a oitava série.
            Quando mudei de escola e comecei a cursar o ensino médio foi que as coisas estavam perto de melhorar para mim, o medo de ler em público já não era insuportável mesmo assim ainda existia em mim uma dificuldade de comunicação, portanto um dialogo banal comigo podia ser algo desastroso, porém nessa mesma época contra vontade de minha mãe fui trabalhar na cidade baixa,um bairro boêmio de  Porto Alegre, de garçom durante a noite e como Cazuza dizia "de dia e tudo dever e a noite e recreio" aquele ambiente boêmio e descontraído  me fez muito bem , a comunicação foi se tornando natural não precisava mais pensar muito antes de dizer algo e isso com o tempo foi se refletindo nos outros setores de minha vida, pude notar também que tudo que eu havia lido em todo meu período escolar havia me dado um leque de informações enorme,  o que só me fez aumentar ainda mais meu gosto pela leitura e apesar  de  novamente estar sendo obrigado a me comunicar sinto que barreiras dentro de mim vão sendo quebradas a cada dia que passa. Logo o aprendizado nunca para, e esse é o motivo de eu estar cursando hoje uma universidade para que possa melhorar como pessoa como profissional e por que não assim poder ajudar a melhorar também a vida de outras pessoas. 

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