Aluno 155
Reescrita
Ás 5 horas o despertador toca, sento na cama e reclamo “preciso mesmo ir à aula hoje?” decido que preciso e mesmo não querendo levanto, tomo um banho, troco de roupa, engulo o café, olho no relógio e já são 5:45 o ônibus já vai passar. Ás 6:20 desço do primeiro ônibus, pego o segundo, chego na faculdade às 7:10. Espero a aula que comece às 7:30 mas quase ninguém chega às 7:30 então a aula começa às 7:45 ou quase às 8h. Assisto a aula até às 10 horas, troco de sala a próxima aula começa às 10:30, já com fome assisto a aula que vai até às 12:00 horas. Corro para pegar o outro ônibus porque tenho aula no centro, chego no centro em cima da hora da aula que começa 13:30 mas vem o dilema almoço e chego atrasada na aula ou como um lanche e passo fome até chegar em casa? Como o lanche tenho trabalho para apresentar não posso me atrasar, a aula começa fala um, fala o outro, a professora interrompe, para comentar o assunto, o colega continua falando, chega a minha vez, as mãos tremem o suor no rosto e a voz falha, minha vez de falar. A aula acaba às 15:20, acabou se estendendo pois o colega ficou com uma dúvida. Corro para pegar o ônibus na frente da faculdade, perco o ônibus o próximo só as 16:30, resolvo ir caminhando até o centro para conseguir outro ônibus, antes das 16 horas já estou sentada no ônibus, desço do ônibus com dificuldade pois agora o ônibus está lotado, depois de descer no meu ponto ainda tenho que caminhar mais quinze minutos, mas antes tenho que passar no mercado para comprar o jantar, reclamo o caminho inteiro pois estou cansada e não aguento mais o ritmo da faculdade. Ao chegar em casa e ainda tenho as tarefas domésticas, a água, comida e limpeza dos dois gatos e três cães, ainda falta lavar a louça e juntar o lixo, hoje tem lixeiro não posso perder.
Vou juntando todos os lixos da casa, reclamando e de mau humor, vou em direção a lixeira da rua e antes de abrir o portão, sinto a brisa do fim do verão e vejo como a noite está tranquila, sem nuvens parece que não vai chover amanhã, mesmo com a iluminação da cidade ainda posso ver algumas das estrelas pequenas brilhando no céu, e em meio a todo esse silêncio da noite vai passando em frente a minha casa um senhor empurrando um carrinho de supermercado com materiais reciclados e uma criança em cima daquilo que para nós é lixo, o senhor ia cantando e a criança o acompanhava ambos sorrindo. Um suspiro, eu solto e com ele um leve sorriso vai se formando nos meus lábios que tanto reclamaram ao longo do dia. Esse momento, por mais que pequeno me fez perceber que os motivos do meu mau humor não faziam o menor sentido. Ver aqueles dois que tinham tão pouco e que mesmo com as dificuldades de um dia longo ainda conseguiam sorrir e cantar, pois naquele carrinho de compras, o que aos nossos olhos são lixo, não era apenas lixo e sim o fruto do trabalho duro de um dia, que irá alimentar e vestir a família deles.
Apesar de pequenos, os privilégios que tenho são muitos, e aqueles dois sorrindo despertou em mim a lição que a minha avó sempre diz “dê valor aos teus privilégios, nem todos podem ter o que tu tem e mesmo assim são felizes” Mas as palavras delas vinham acompanhas de um vazio, pois quem eram esses “nem todos”. Eram os outros que deixamos de ver, ao não enxergar o outro não enxergamos a nós mesmos.
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