domingo, 9 de julho de 2017

Aluno 155
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Ás 5 horas o despertador toca, sento na cama e reclamo “preciso mesmo ir à aula hoje?” decido que preciso e mesmo não querendo levanto, tomo um banho, troco de roupa, engulo o café, olho no relógio e já são 5:45 o ônibus já vai passar. Ás 6:20 desço do primeiro ônibus, pego o segundo, chego na faculdade às 7:10. Espero a aula que começar às 7:30 mas quase ninguém chega às 7:30 então a aula começa às 7:45 ou quase às 8h. Assisto a aula até às 10 horas, troco de sala a próxima aula começa às 10:30, já com fome assisto a aula que vai até às 12:00 horas. Corro para pegar o outro ônibus porque tenho aula no centro, chego no centro em cima da hora da aula que começa 13:30 mas vem o dilema almoço e chego atrasada na aula ou como um lanche e passo fome até chegar em casa? Como o lanche tenho trabalho para apresentar não posso me atrasar, a aula começa fala um, fala o outro, a professora interrompe, para comentar o assunto, o colega continua falando, chega a minha vez, as mãos tremem o suor no rosto e a voz falha, minha vez de falar.  A aula acaba às 15:20, acabou se estendendo pois o colega ficou com uma dúvida. Corro para pegar o ônibus na frente da faculdade, perco o ônibus o próximo só as 16:30, resolvo ir caminhando até o centro para conseguir outro ônibus, antes das 16 horas já estou sentada no ônibus, desço do ônibus com dificuldade pois agora o ônibus está lotado, depois de descer no meu ponto ainda tenho que caminhar mais quinze minutos, mas antes tenho que passar no mercado para comprar o jantar, reclamo o caminho inteiro pois estou cansada e não aguento mais o ritmo da faculdade. Ao chegar em casa ainda tenho as tarefas domésticas, a água, comida e limpeza dos dois gatos e três cães, ainda falta lavar a louça e juntar o lixo, hoje tem lixeiro não posso perder. Vou juntando todos os lixos da casa, reclamando e de mau humor, vou em direção a lixeira da rua e antes de abrir o portão, vejo passando um senhor empurrando um carrinho de supermercado com materiais reciclados e  uma criança em cima daquilo que para nós é lixo, o senhor ia cantando e a criança o acompanhava ambos sorrindo. Nesse momento os motivos do meu mau humor já não fazem mais sentido então largo os sacos de lixos no chão e por um breve momento que talvez tenha durado menos que um minuto percebo que mesmo morando em uma periferia de uma cidade considerada ainda tenho um imenso privilegio, estava eu, reclamando da vida desde as 5 horas da manhã já eram quase 18 horas e eu ainda não tinha parado de reclamar, pelo contrario o mau humor e desgosto com a minha vida só tinha aumentado. E ver aqueles dois que tinham tão pouco e que mesmo com as dificuldades de um dia longo ainda conseguiam sorrir e cantar, pois naquele carrinho de compras, o que aos nossos olhos são lixo, não era apenas lixo e sim o fruto do trabalho duro de um dia, que irá alimentar e vestir a família deles.
Uma lição que foi me foi dita inúmeras vezes pela minha avó, “dê valor aos teus privilégios, nem todos podem ter o que tu tem e mesmo assim são felizes” Mas as palavras delas vinham acompanhas de um vazio, pois quem eram esses “nem todos”. Eram os outros que deixamos de ver, ao não enxergar o outro não enxergamos a nós mesmos.  

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