Aluno 139
Reescrita
Douglas e eu tivemos uma infância muito parecida, nossos pais são de Igrejas evangélicas extremamente conservadoras. Nós moramos em Canoas, cidade pequena do Rio Grande do Sul, praticamente na mesma rua. Meu pai se chama Júnior e Juairez pai de douglas, eles são muito parecidos no modo como nos criaram. Eles não admitiam desvios que a igreja condenava, como o uso de bebidas alcoólicas, o sexo antes do casamento e as modificações corporais. As semelhanças nas nossas criações divergiram-se quando meu pai saiu de casa, eu pude ter uma vida um pouco mais leve, sem toda aquela opressão que a igreja colocava sobre mim. Infelizmente com Douglas a situação só piorava.
Cada vez mais sufocado pela rigidez da igreja Douglas começou a se interessar por coisas fora dela, por exemplo: namoradas; álcool e tatuagens. Fazer uma tatuagem era um dos seus planos mais ousados, porém Juairez seria completamente contra essa atitude. Cansado dessa vida cheia de repressões Douglas decide romper barreiras e finalmente resolve fazer a sua tão sonhada (e libertadora) tatuagem.
A recepção da família não teria como ser mais catastrófica, sua mãe em prantos berrava a plenos pulmões “-Tu é uma vergonha para a família Douglas, o filho que mais me causou trabalho!”. Seu pai em um acesso de fúria quebrou cadeiras, destruiu copos e com um soco destruiu o espelho do banheiro. E finalmente um pouco mais manso, Juairez com os punhos ensanguentados fala em tom cadavérico “-Tu é o meu Judas guri, sai da minha casa antes que eu faça coisas pecaminosas contigo!”
Em maio de 2017 Douglas ainda tem morado comigo, sua relação com o seu pai continua em aberto. O que pude aprender é que é preciso ter cautela ao tomar decisões que possam atingir quem a gente ama, calcular as nossas escolhas levando em conta a opinião das pessoas à nossa volta mesmo que isso signifique conter nossos impulsos em prol da paz do nosso meio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário