Reescrita
Por Aluno 42
Esta história aconteceu
a quinze anos, numa cidadezinha, que atualmente conta com pouco mais de 20.000
habitantes, por isso o termo acima no diminutivo. A cidade: Ladário, interior
do estado do Mato Grosso do Sul.
Lá na minha cidade,
expressão que costumo usar, eu era uma adolescente comum, que gostava de sair
pra dançar, adorava “festinhas americanas” com os amigos, ocasiões quando cada
convidado levava alguma coisa para contribuir: salgadinho, refrigerante ou
mesmo dinheiro. Eu por sua vez, estudava e ia muito bem no colégio. Minha avó
sempre dizia que eu era “a mais estudiosa dos irmãos”, talvez porque nunca
havia ficado em recuperação; (somos quatro meninas, um menino e eu sou a mais
velha).
Pois bem! Com quinze
anos conheci um rapaz de vinte e um, por uma amiga em uma dessas festas. Em
pouco mais de um mês estávamos namorando. Meus pais autorizaram o namoro e a partir
daí só saíamos para festas juntos e ele passava horas na minha casa e tudo estava
maravilhoso. Ele foi o meu primeiro namorado!
Mas um dia percebi que
algo estava estranho: sentia muito sono, não conseguia acordar para ir ao
colégio e enjoava até com água, que mais parecia vinagre, tendo em vista meus
enjôos. De cara não contei para minha mãe, mas meu namorado contou para a mãe
dele e ela, preocupada, mais do que depressa foi comigo ao médico. Eu não
queria estar grávida, aos dezesseis anos, mas estava. Senti uma mistura de medo
e tristeza ao mesmo tempo, e ainda existia a angústia de ter que contar aos
meus pais. Apesar do choque e de um pouco de decepção, claro, todo apoio
necessário me foi dado, tanto dos meus, quanto dos pais do meu namorado: eles
construíram casa e nos deram de presente e nos ajudaram com o enxoval para o bebê;
não só financeira, mas também psicologicamente, me acompanhando nas consultas
médicas por exemplo.
A maternidade e o casamento eram
sonhos de vida pra mim, somente quando estivesse com uns trinta anos ou mais e
depois de muito viajar e de estar estável profissionalmente. Não era hora de
tamanha responsabilidade, mas casei com o meu namorado, casamento este que
durou pouco mais de um ano, devido à imaturidade de ambos. Não estávamos
preparados para tantos desafios e responsabilidades que ficaram mais
perceptíveis após o nascimento do bebê, um menino, Gabriel, que chorava por
horas durante a noite, que ficava doente e precisava ser levado ao hospital.
Mesmo adolescente, abri
a porta para a responsabilidade que batia. E meu namorado? Continuou sendo só
filho no momento em que deveria ser também pai, brincando com o filhote,
levando-o ao pediatra, ensinando a falar, andar, coisas assim. Como o casamento
não deu certo, fui e ainda não deixei de ser “pãe”, mistura de pai e mãe,
levando ao colégio, ao futebol, à natação, ao kumon, festinhas, passeios,
pediatra, dentista, etc. Ensinei a patinar e andar de bicicleta, a ler e a
fazer continhas de somar, como também alguma coisa sobre as regiões do Brasil.
Aquele menininho fazia
meu coração saltar de alegria e de desespero, a cada sorriso de contentamento
ou quando abria o berreiro de tanta cólica que sentia. Os primeiros passos, as
primeiras palavras, que por sinal não foram papai ou mamãe e sim “goool”; foram
fases inesquecíveis e apaixonantes. Com ele fui aos poucos entendendo os
motivos das lágrimas que vez ou outra via escorrerem o rosto da minha mãe; de tristeza,
por causa das sutis indelicadezas que praticamos contra as mães, como aquela
batida forte de porta de vez em quando, ou de alegria pelos pequenos gestos de
carinho, como um beijo e um abraço inesperados. Eitaaaa vida! Os filhos têm a
capacidade de levar seus pais às lágrimas algumas vezes.
Ter sido mãe aos
dezesseis anos foi e continua sendo a tarefa mais árdua da minha vida, porém a
que mais significou e ainda significa aprendizado dia após dia. Apesar de todas
as dificuldades, acredito ter sido uma boa “pãe”, mas com a convicção de que
adolescência e maternidade não combinam. Adolescente tem que curtir a vida,
viver “irresponsavelmente”, namorar, viajar, estudar, etc.
A jornada tem sido trabalhosa
sem deixar de ser gratificante. Óbvio que a vida não tem sido um mar de rosas,
mas tampouco só de espinhos.
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