1ª
Versão
Por Aluno 33
A Literatura é um meio capaz de fazer com que, por meio de personagens e
enredos fictícios, o leitor consiga realizar uma espécie de “fuga” do meio no
qual está inserido para poder compreender a sua própria realidade. Independente
do contexto histórico e social em que foi escrita uma obra, esta possui um
impacto extremo na sociedade atual e auxilia o indivíduo a compreender o seu
interior e a interpretar o meio em que vive. Tal fato pode ser comprovado no
fato de que, numa sociedade, observa-se diferentes raças e caricaturas humanas
apaixonadas pelo hábito de ler, ou seja, não é necessário trabalhar
profissionalmente com a área de Letras para estar ciente de toda a importância
universal que a Literatura fornece. O que realmente importa é compreender e
saber que dentro de um bom livro pode existir uma história que nos alimente um
aspecto crítico e, ao mesmo tempo, sentimental.
Primeiramente,
ao estabelecer uma conversa com a professora Silvana, a qual é especialista em Literatura Brasileira ,
espera-se que a mesma tenha por puro hábito e prazer um livro para apreciar em
seus momentos de trabalho e também de lazer. Por outro lado, foi feito contato
com uma trabalhadora do meio jurídico, Neida, Servidora de Justiça Estadual. Esta
também é apaixonada por Literatura, porém a usufrui apenas em seus momentos de
lazer, mesmo tendo uma profissão em meio ao ramo do Direito que exige leitura
de outros textos.
Dentre
as perguntas que foram questionadas, Silvana e Neida contaram como foram os
seus primeiros contatos com os livros - através de uma pessoa, um momento - e o
que as fez adquirir intenso carinho pelas palavras em histórias. Descobriu-se
que ambas as entrevistadas tiveram fortes influências e contato com os livros
quando crianças e através de pessoas adultas que as incentivaram. Silvana
começou a ler os contos de fadas de livros que eram do seu próprio pai,
enquanto Neida encantava-se com uma pequena biblioteca que existia na escola de
Jardim de Infância em que estudou. A sua professora trazia os livros do pequeno
recanto de livros onde nenhum aluno podia frequentar, despertando intensa
curiosidade em Neida.
Silvana também teve intenso contato com a Literatura na
oralidade com a sua avó paterna, quando ia na casa da mesma, afirmando que foi
lá onde passou os momentos mais intensos e inesquecíveis de sua infância. Como
Silvana disse em sua entrevista:
“Eram histórias de anjos (e ela jura
até hoje que brincou com um deles), de santas católicas e das suas estripulias
que fazia quando era criança. Até hoje, quando vou visitá-la, peço a ela que
relate a minhas filhas algumas destas inesquecíveis narrativas, cheias de
detalhes que faziam com que eu viajasse através da minha imaginação. Não é à
toa que me apaixonei pela Literatura e segui minha vida profissional, paixão
esta que foi confirmada durante a graduação e a pós-graduação, influenciada
pelos professores maravilhosos que tive. Assim, meu amor pela literatura foi e
continua sendo gradativamente incorporado dentro de mim, de tal forma, que
minhas duas filhas também, sem nenhuma pressão, são apaixonadas por esta arte”.
As
duas pessoas entrevistadas também acreditam no poder da Literatura como uma
forma de compreensão de sua realidade e, ao mesmo tempo, uma espécie de
“escape” para conseguir entender a mesma. A Especialista em Literatura Brasileira
afirma que as pessoas ainda conseguem buscar em meio aos livros suas alegrias e
angústias, a resolução de seus problemas e conflitos sociais para entender um
todo e a si mesmo também. Isso, de fato, consegue ser comprovado quando se vê
pessoas que lêem para relaxar, para esquecerem-se de seus conflitos pessoais e
tudo que as aflige, bem como a Literatura também faz companhia a alguém em
momentos de solidão. Os livros também possuem a incrível capacidade de
compreensão humana, conseguindo por meio de uma história de ficção conversar
com o próprio interior do leitor, fazendo com que o mesmo identifique-se com
toda aquela narrativa em que está mergulhado. Não é de menos que, ao passar a
última página de um livro maravilhoso, o leitor sente-se satisfeito e completo:
não está sozinho, está junto ao seu livro, o seu grande amigo.
Silvana, que tem uma vida dedicada ao trabalho com
adolescentes, usa os valores que aprendeu com a Literatura para poder
compreendê-los melhor e auxilia-los para que encontrem a resposta de seus
problemas. Neida acredita no poder da Literatura como formador de conhecimento
e senso crítico do indivíduo, para que ele a use como uma espécie de refúgio
quando não consegue compreender a sua própria realidade, e assim poder
enfrentar os seus medos e frustrações:
“A partir do momento em que inicia um novo livro, o
leitor se depara com uma história a qual não é o protagonista, que não lhe
pertence, onde pode identificar-se com diversas personagens – vivendo, assim,
em dois mundos: o seu e o do livro que lê. Esse “choque de realidade” é
importante para que a pessoa entenda que a sua vida não é como nos livros”.
Além disso, quanto a uma importância mais coletiva da
Literatura, as entrevistadas concordam e creem no poder de um coletivo
conseguir compreender o meio em que está inserido, isso quer dizer, através dos
livros poder compreender a história na qual está vivenciando no momento em sua
vida. Contudo, essa espécie de facilidade de compreender a sua realidade por
meio da leitura só é conquistada se o hábito de ler torne-se um prazer, em que
o indivíduo seja motivado, propiciar o contato, e não obrigado a ler. Caso seja
relembrado como Silvana e Neida apaixonaram-se pela Literatura, pode-se
perceber que existiu uma motivação de pessoas fascinadas por histórias que as
incentivaram; todavia, a busca e o interesse – ter curiosidade de conhecer a
biblioteca do colégio, conforme Neida, ou querer escutar as histórias da avó de
Silvana – partiram das duas mulheres ainda quando crianças.
Por
final, a pergunta era qual clássico as entrevistadas mais se identificavam e
que possuía uma espécie de importância singular em suas vidas, promovendo
comoção, análise crítica e reflexão. Neida mencionou dois livros que leu pela
primeira vez quando mais jovem, O Menino no Espelho, de Fernando Sabino, usando
como justificativa de enxergar-se nele por uma definição do próprio autor do
livro quanto à narração da história: “reingresso no universo mitológico
que todo adulto habitou na infância, a projeção do ideal de pureza que só uma
criança pode alcançar”. O outro é Clarissa, de Érico Veríssimo, encantando-se
com a forma que o autor gaúcho retratou o pensamento e perspectiva de vida da
menina. Não é de menos que diversas mulheres, jovens e adultas, identificam-se
com a euforia e caráter sonhador da protagonista da obra.
Silvana, por sua vez, adotou como um
clássico de sua vida Branca de Neve e os Setes Anões, história infantil que
instiga as crianças a saberem lidar com o mal ao longo de sua vida, marcada
pela figura da Madrasta Má. Em sua graduação em Letras, teve contato com o
texto O caso do Vestido, de Carlos Drummond de Andrade, dizendo que “[..]tive uma interpretação do final do poema bastante
pessoal e a forma como minha professora conduziu e entendeu minha posição foram
bem marcantes pra mim”.
Dentre
as inúmeras áreas de Literatura que Silvana conheceu ao longo de sua
trajetória, apaixonou-se pelas obras em que instigam de forma psicológica o
inconsciente humano, dando destaque a duas importâncias de sua vida: Noite na
Taverna, de Álvares de Azevedo e os romances da escritora gaúcha Lya Luft – suas
duas principais áreas de pesquisa em meio acadêmico – sendo o primeiro
importante no sentido de ser amante da carga emocional dos personagens e o
contexto envolvente da trama; já no segundo, identifica-se com toda a
perspectiva feminina presente nos romances, e assume identificar-se um pouco
com cada uma delas, pois, como Silvana afirmou, “Literatura também é
identificação, a busca do seu EU”. Há também o seu romance favorito, Cem Anos
de Solidão, de Gabriel García Márquez, em que elogia e exalta a genialidade
literária completa da Literatura Fantástica e todo o universo fictício de
Macondo, cidade que se passam todos os acontecimentos do livro.
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