Reescrita
Por Aluno 23
Quando eu vim
para esse mundo, eu não atinava em nada, hoje eu sou Lúcia Fernanda, iê... Meu
camarada. Sim, era pra ser Gabriela, mas sempre quis que fosse Lúcia Fernanda
porque desde pequena tenho um grande caso de amor com a música. Não me recordo
de nenhum momento em que a música não estivesse presente e se me perguntar qual
foi a mais importante não saberei dizer, embora lembro-me de todas que marcaram
minha trajetória até aqui.
Desde a
barriga da minha mãe “Mãezinha do céu eu não sei rezar, só sei dizer que eu
quero te amar” tornou-se o meu alento na hora de dormir. Um pouco mais velha, quando
eu já escolhia minhas fitas, todos meus aniversários eram embalados ao som de
“segura o tcham, amarra o tcham, segura o tcham tcham tcham tcham tcham”, tudo
muito bem coreografado e figurinado por mim e minhas amigas.
Minha família
sempre foi muito unida e tudo era motivo para nos reunirmos e fazermos uma festa,
com um dos meus tios dj, discos e mixagens nunca faltaram. Era um tal de “Homem
primata, capitalista e selvagem ”pra lá ,“Geração coca-cola” pra cá. Todas
estas músicas e bandas me fazem viajar no tempo e sentir muita saudade de uma
época em que eu usava all star de estrelinha, camiseta do grêmio e tinha cabelo
crespo.
A infância
passou e logo chegou a adolescência, e foi nesta etapa que houve um marco muito
grande na minha vida. Eu e meus pais nos mudamos da casa e do bairro onde
morávamos e fomos morar em um condomínio de apartamentos. No meu novo lar
conheci muitos amigos novos, mais velhos e com um gosto musical específico,
rock. A partir deste momento “Nothing else matters” e “Patience” não paravam de
tocar, agora já no som com cd.
O gosto pela
música fez com que eu aprendesse a tocar violão para, no mínimo, conseguir tocar o solo de “Come as you are”, e no final foi
muito além disso. O professor de violão se tornou meu namorado e com um grupo
de jovens começamos a participar de festivais de música, tocávamos de “Cazuza”
até “Roberto Carlos”, ganhamos alguns prêmios e sem dúvida alguma, o melhor de
tudo foram os ensaios em estúdios e a animação para os pequenos shows, tocar
“IWill Survive” com o coro da plateia não tem preço.
Assim como a
infância, a adolescência chegou ao fim, hoje o namoradinho professor de violão
se tornou marido e os instrumentos foram trocados por livros. Eu sempre canto para
ele “E eu perdi as chaves, mas que cabeça a minha, agora vai ter que ser para
toda a vida”, sim essa é a nossa música, cantada pela nossa banda favorita
Engenheiros do Hawaii a qual hoje, nos raros momentos em que conseguimos tocar,
é o som que fazemos. Estar com os amigos se tornou tarefa difícil em meio à
faculdade e ao trabalho, mas nunca abriremos mão de uma boa noite na nossa casa
de shows favorita aonde entramos em um túnel do tempo e podemos cantar de
“Comer Tatu é bom, que pena que da dor nas costas” até “Só o que eu posso lhe
dizer, bom é quando faz mal”.
Olhando minha
vida, vejo o quanto todas as canções pelas quais me apaixonei, chorei e gritei fizeram com que o caminho fosse
mais feliz. Hoje eu posso afirmar “Nessa terra de gigantes que trocam vidas por
diamantes” eu aprendi que “Se o bem e o mal existem você pode escolher, é
preciso saber viver”.
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