sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pensando a Literatura...

Reescrita
Por Aluno 6 e Aluno 31


“o ensino da L.B. incentiva o aluno a relacionar e entender seu contexto sócio-cultural ele poderá entender quais eram os pilares que sustentavam o Brasil em épocas antigas e que, de certa forma, originaram o que temos hoje”                                      
     Francieli Corberllini


Estudar a literatura brasileira não se restringe ao deleite de um encontro oficial com o Conselheiro Aires de Machado de Assis, ou encantar-se com o relato das proezas, em batalhas, do Capitão Rodrigo Cambará de Érico Veríssimo, antes de tudo, é entender a literatura como fonte onde se encontram as raízes culturais de nosso povo. Sejam contos, romances, poesias, todas trazem informações preciosas sobre modo de agir e crenças do universo social onde foram criadas. A literatura transforma através do tempo gerações e gerações pelo novo olhar de mundo que os leitores adquirem pelos escritos. Sobre estas bases históricas é que as sociedades atuais justapõem tijolo a tijolo na edificação de sua própria história. Não há dúvidas que a produção literária reflete padrões sociais de uma época quando o leitor compreende, por exemplo, que a sujeira que hoje vistas na grande maioria das cidades brasileiras nada mais é do que o reflexo do comportamento dos colonizadores portugueses (que tinham por habito despejar a latrina pela janela) conforme relata o historiador Gilberto Freyre em “Casa Grande e Senzala”. O exemplo apontado ajuda os brasileiros a constatar que a leitura literária ajuda a entender tanto o comportamento quanto o pensamento atual e futuro das sociedades.
Contrariamente, as escolas brasileiras parecem distantes da nossa idéia sobre como a literatura ajuda a entender o passado e influencia no futuro, pois não atribuem relevância ao estudo desta arte quando deixam de trabalhar no intuito de fazer o aluno pensar e acorrentar o que lê com as suas experiências de vida. De forma simplista os textos servem apenas para encontrar dentro da trama os personagens sem, contudo, entender o papel social de cada um. Assim, podemos dizer que, para jovens leitores de nível médio, nomes como Joaquim Manuel de Macedo, ou Jorge Amado não são mais do que um romancista meloso e o autor de “Dona Flor e seus dois maridos”. Ou seja, em sala de aula os autores assumem lugares exemplificativos de gêneros literários, contrariando a idéia de que literatura é conteúdo para a formação de opiniões e estabelecimento de conceitos. Há negligência por parte do ensino escolar quando o passado não é utilizado no entendimento do presente e na construção do futuro. Não podemos esquecer que a Literatura é a transfiguração do real, uma realidade recriada através do espírito do autor e retransmitida através da língua para os gêneros com os quais ela toma forma e nova realidade.
É, sobretudo, no ambiente escolar que ocorre o contato - se não o primeiro o mais significativo - entre os alunos e as obras literárias da sua cultura, exatamente por ser a escola a provedora do conhecimento e da humanização da sociedade pela interação social que oportuniza. Infelizmente, a estudante de Letras da FAPA, Francieli Coberllini confirma o que foi dito acima sobre a falha das instituições brasileiras do século XX ao nos expor com maestria sua concordância com as idéias deste texto quando trata do tema sobre o papel da escola no fomento à reflexão de obras literárias. A estudante constatou, pelas primeiras experiências como docente, que as obras literárias são pouco exploradas nas aulas deixando no limbo sem compreender exatamente o porquê de estudar conteúdos chamados por eles de “arcaicos”, tal atitude somente favorece o desinteresse dos estudantes. Francieli ainda destaca que o tratamento superficial dado aos textos resulta na perda da essência do conteúdo, pois, segundo seu entendimento, o professor deveria fazer a mediação entre aluno e obra literária trazendo a superfície questionamentos e análises e não apenas abordar enredo e limitar-se à descrição de cenário, personagens, subjugando à pano de fundo como nos cenários teatrais reflexões profundas como buraco negro sobre aspectos tanto histórico quanto social.
A universitária trás um dado que nos leva, no mínimo, a concordar com a falta de importância que os programas educacionais têm dado à literatura brasileira. Segundo ela, existe uma disparidade no ensino quanto à matéria: algumas instituições a tem como obrigatória por crêem em sua influencia como criadora da identidade nacional, contrapondo-se a outras onde há total descaso, pois sequer as mencionam em programações didáticas, negando, assim, que o estudante conheça e entenda sua própria cultura. Em realidade constatamos que são poucas as visitas às bibliotecas de alunos que buscam, salvo exceções, busca por si conhecerem a literatura de seu país.  Isso ocorre, possivelmente, por não entender o contexto histórico ou a linguagem utilizada nas obras ditas clássicas como o já referido Machado de Assis reconhecido como um dos maiores críticos sociais do Brasil. Em suas obras tanto o léxico quanto a realidade de vida distanciam-se em quilômetros dos jovens que não conseguem correlacionar as realidades. Exatamente neste ponto entra (ou assim deveria ser) o papel da escola e do professor, em concordância com que disse Francieli, para mediar o conhecimento entre as obras e os alunos, fazendo paralelos entre as diferenças e similaridades existentes em um e outro.
Lamentavelmente, o que se nota nas escolas cujos acentos destinados à literatura estão vagos, tal como cinema sem público, os professores sequer pensam em deixar as cômodas cartilhas, já prontas e aplicadas por anos, para investirem em novas concepções de aprendizagem. Seria demasiado custoso suportar o peso de uma pena para reescrever, recriar novas metodologias e apagando com a borracha facilmente encontrada nas salas de aula uma didática arcaica e enraizada no ensino brasileiro.
 A futura professora vai ao encontro de nosso entendimento do Importante papel da literatura como formadora da identidade nacional ao citar dois exemplos bastante contundentes de produções literárias significativas para este projeto. Primeiramente, destaca “Iracema” de José de Alencar que traz a luz o nacionalismo através das figuras indígenas encontradas à época da colonização, e a valorização das Terras do Brasil com descrições da flora e fauna. Já em “Memórias de um Sargento de Milícias” de Joaquim Manuel de Almeida apresenta, pela primeira vez, a idéia do malandro brasileiro ao criar o personagem Leonardo. A história se passa no período do Segundo Império parecendo assim, tão distante quanto os contos de Homero e as aventuras de Harry Potter, da nossa realidade. No entanto, o autor antecipa com maestria a visão que ainda hoje se tem do povo brasileiro.
Em última análise, é impossível desconectar a literatura brasileira da vida cotidiana visto que ela está presente tanto na música como a canção “Monte do Castelo”, na qual Renato Russo faz citações da “Carta” de Camões, quanto na novela “Escrava Isaura” que reproduz a obra de Bernardo Guimarães. Neste sentido as concepções apresentadas por Coberllini quanto relevância da literatura como forma de perceber o presente e projetar o futuro de nossa cultura reforçam as idéias que temos sobre o tema.


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