Reescrita
Por Aluno 6 e Aluno 31
“o
ensino da L.B. incentiva o aluno a relacionar e entender seu contexto
sócio-cultural ele poderá entender quais eram os pilares que sustentavam o
Brasil em épocas antigas e que, de certa forma, originaram o que temos hoje”
Francieli Corberllini
Francieli Corberllini
Estudar a literatura brasileira não se restringe ao
deleite de um encontro oficial com o Conselheiro Aires de Machado de Assis, ou
encantar-se com o relato das proezas, em batalhas, do Capitão Rodrigo Cambará
de Érico Veríssimo, antes de tudo, é entender a literatura como fonte onde se
encontram as raízes culturais de nosso povo. Sejam contos, romances, poesias,
todas trazem informações preciosas sobre modo de agir e crenças do universo
social onde foram criadas. A literatura transforma através do tempo gerações e
gerações pelo novo olhar de mundo que os leitores adquirem pelos escritos. Sobre
estas bases históricas é que as sociedades atuais justapõem tijolo a tijolo na
edificação de sua própria história. Não há dúvidas que a produção literária
reflete padrões sociais de uma época quando o leitor compreende, por exemplo,
que a sujeira que hoje vistas na grande maioria das cidades brasileiras nada
mais é do que o reflexo do comportamento dos colonizadores portugueses (que
tinham por habito despejar a latrina pela janela) conforme relata o historiador
Gilberto Freyre em “Casa Grande e Senzala”. O exemplo apontado ajuda os brasileiros
a constatar que a leitura literária ajuda a entender tanto o comportamento
quanto o pensamento atual e futuro das sociedades.
Contrariamente, as escolas brasileiras parecem
distantes da nossa idéia sobre como a literatura ajuda a entender o passado e
influencia no futuro, pois não atribuem relevância ao estudo desta arte quando
deixam de trabalhar no intuito de fazer o aluno pensar e acorrentar o que lê com
as suas experiências de vida. De forma simplista os textos servem apenas para
encontrar dentro da trama os personagens sem, contudo, entender o papel social
de cada um. Assim, podemos dizer que, para jovens leitores de nível médio, nomes
como Joaquim Manuel de Macedo, ou Jorge Amado não são mais do que um romancista
meloso e o autor de “Dona Flor e seus dois maridos”. Ou seja, em sala de aula os
autores assumem lugares exemplificativos de gêneros literários, contrariando a
idéia de que literatura é conteúdo para a formação de opiniões e estabelecimento
de conceitos. Há negligência por parte do ensino escolar quando o passado não é
utilizado no entendimento do presente e na construção do futuro. Não podemos esquecer
que a Literatura é a transfiguração do real, uma realidade recriada através do
espírito do autor e retransmitida através da língua para os gêneros com os
quais ela toma forma e nova realidade.
É, sobretudo, no ambiente escolar que ocorre o
contato - se não o primeiro o mais significativo - entre os alunos e as obras
literárias da sua cultura, exatamente por ser a escola a provedora do
conhecimento e da humanização da sociedade pela interação social que oportuniza.
Infelizmente, a estudante de Letras da FAPA, Francieli Coberllini confirma o
que foi dito acima sobre a falha das instituições brasileiras do século XX ao
nos expor com maestria sua concordância com as idéias deste texto quando trata
do tema sobre o papel da escola no fomento à reflexão de obras literárias. A
estudante constatou, pelas primeiras experiências como docente, que as obras
literárias são pouco exploradas nas aulas deixando no limbo sem compreender
exatamente o porquê de estudar conteúdos chamados por eles de “arcaicos”, tal
atitude somente favorece o desinteresse dos estudantes. Francieli ainda destaca
que o tratamento superficial dado aos textos resulta na perda da essência do
conteúdo, pois, segundo seu entendimento, o professor deveria fazer a mediação
entre aluno e obra literária trazendo a superfície questionamentos e análises e
não apenas abordar enredo e limitar-se à descrição de cenário, personagens, subjugando
à pano de fundo como nos cenários teatrais reflexões profundas como buraco
negro sobre aspectos tanto histórico quanto social.
A universitária trás um dado que nos leva, no mínimo,
a concordar com a falta de importância que os programas educacionais têm dado à
literatura brasileira. Segundo ela, existe uma disparidade no ensino quanto à
matéria: algumas instituições a tem como obrigatória por crêem em sua
influencia como criadora da identidade nacional, contrapondo-se a outras onde
há total descaso, pois sequer as mencionam em programações didáticas, negando,
assim, que o estudante conheça e entenda sua própria cultura. Em realidade
constatamos que são poucas as visitas às bibliotecas de alunos que buscam,
salvo exceções, busca por si conhecerem a literatura de seu país. Isso ocorre, possivelmente, por não entender
o contexto histórico ou a linguagem utilizada nas obras ditas clássicas como o
já referido Machado de Assis reconhecido como um dos maiores críticos sociais
do Brasil. Em suas obras tanto o léxico quanto a realidade de vida
distanciam-se em quilômetros dos jovens que não conseguem correlacionar as
realidades. Exatamente neste ponto entra (ou assim deveria ser) o papel da
escola e do professor, em concordância com que disse Francieli, para mediar o
conhecimento entre as obras e os alunos, fazendo paralelos entre as diferenças
e similaridades existentes em um e outro.
Lamentavelmente, o que se nota nas escolas cujos
acentos destinados à literatura estão vagos, tal como cinema sem público, os
professores sequer pensam em deixar as cômodas cartilhas, já prontas e
aplicadas por anos, para investirem em novas concepções de aprendizagem. Seria
demasiado custoso suportar o peso de uma pena para reescrever, recriar novas
metodologias e apagando com a borracha facilmente encontrada nas salas de aula
uma didática arcaica e enraizada no ensino brasileiro.
A futura professora vai ao encontro de nosso entendimento do
Importante papel da literatura como formadora da identidade nacional ao citar dois
exemplos bastante contundentes de produções literárias significativas para este
projeto. Primeiramente, destaca “Iracema” de José de Alencar que traz a luz o
nacionalismo através das figuras indígenas encontradas à época da colonização,
e a valorização das Terras do Brasil com descrições da flora e fauna. Já em “Memórias
de um Sargento de Milícias” de Joaquim Manuel de Almeida apresenta, pela
primeira vez, a idéia do malandro brasileiro ao criar o personagem Leonardo. A
história se passa no período do Segundo Império parecendo assim, tão distante
quanto os contos de Homero e as aventuras de Harry Potter, da nossa realidade.
No entanto, o autor antecipa com maestria a visão que ainda hoje se tem do povo
brasileiro.
Em última análise, é impossível desconectar a
literatura brasileira da vida cotidiana visto que ela está presente tanto na
música como a canção “Monte do Castelo”, na qual Renato Russo faz citações da
“Carta” de Camões, quanto na novela “Escrava Isaura” que reproduz a obra de
Bernardo Guimarães. Neste sentido as concepções apresentadas por Coberllini quanto
relevância da literatura como forma de perceber o presente e projetar o futuro de
nossa cultura reforçam as idéias que temos sobre o tema.
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