1ª
Versão
Por Aluno 6 e Aluno 31
Estudar a literatura brasileira é, além de prazeroso, buscar as raízes
culturais de nosso povo. Não há dúvidas que a produção literária reflete padrões sociais de uma época,
ajudando a entender o presente e influenciando o futuro. Contudo, a escola não
trabalha no sentido de fazer o aluno pensar e relacionar o lido com o que
vivencia. Ela apenas apresenta de forma simplista as obras clássicas como meros
exemplos, não abstraindo os pensamentos e sentimentos a fim de formar opiniões
e estabelecer conceitos. A verdade é que a literatura está presente nos padrões
culturais existes e não pode ser desconsiderada pelo ensino escolar.
É no ambiente escolar que ocorre o contato, se não o primeiro o mais
significativo, com as obras literárias, exatamente por ser ela destinada a
promover o conhecimento e a humanização da sociedade. Infelizmente esta não é a
realidade no Brasil do século XXI conforme expõem com maestria a estudante de
Letras da FAPA, Francieli Coberllini ao tratar do tema sobre o papel da escola
no fomento à reflexão de obras literárias. A estudante constata, pelas
primeiras experiências como docente, que as obras literárias são pouco
exploradas nas aulas deixando lacunas na compreensão do aluno resultando no seu
desinteresse. Com o tratamento superficial dos textos perde-se a essência do
conteúdo, pois o professor que deveria fazer a mediação entre aluno e a obra
literária trazendo a superfície questionamentos e análises, aborda apenas o
enredo ficando limitado à descrição de cenário, personagens, subjugando ao
segundo plano o aprofundamento de reflexões de aspectos tanto histórico quanto
social.
A universitária trás um dado que nos leva, no mínimo, a concordar com a
falta de importância que os programas educacionais têm dado à literatura
brasileira. Segundo ela, existe uma disparidade no ensino desta matéria.
Enquanto alguns currículos trazem como obrigatório este estudo, por crêem na
influência da literatura como criadora de uma identidade nacional. Outras
instituições têm total descaso e sequer os mencionam nas programações
didáticas, negando-se ao estudante conhecer e entender sua própria cultura. Dificilmente,
salvo exceções, o educando busca por si conhecer a literatura de seu país, isso
porque possivelmente não entende o contexto histórico ou a linguagem utilizada,
já que tanto um quanto o outro parecem distante da sua realidade de vida.
Exatamente neste ponto entra (ou assim deveria ser) a escola e do professor, para
mediar o conhecimento das obras e dos alunos fazendo paralelos entre as
diferenças e similaridades. Lamentavelmente, o que se nota é que nestas escolas os professores sequer pensam em deixar as cômodas
cartilhas já prontas para investirem novas concepções de aprendizagem. Seria
demasiado custoso a eles remover uma didática arcaica tão enraizada ao ensino
brasileiro.
A futura professora apresenta o
importante papel da literatura como formadora da identidade nacional ao citar
exemplos bastante contundentes de produções significativas como “Iracema” de José de Alencar, que traz a
luz o nacionalismo e a valorização das terras do Brasil, e “Memórias de um Sargento de Milícias” de Joaquim Manuel de Almeida
que apresenta, pela primeira vez, a idéia do malandro brasileiro. Ao
caracterizar o personagem Leonardo na história que se passa no período do
Segundo Império - o que parece a primeira vista tão distante da nossa
realidade- marca com maestria a visão que ainda hoje se tem do povo brasileiro.
Em última análise não restam dúvidas que a literatura permeia o cotidiano
do brasileiro seja na música, cinema ou TV. Não é preciso apenas ler Bernardo
Guimarães para nos deparamos com a sofredora Escrava Isaura, José de Alencar
para ver a bravura do heróico índio Peri, ou mesmo a apaixonada e divertida
Dona Flor de Jorge Amado. Estes personagens são trazidos à vida através das
novelas, mini-series e filmes que tanto diverte e cativam os brasileiros em
seus lares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário