sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pensando Literatura

1ª Versão
Por Aluno 6 e Aluno 31




Estudar a literatura brasileira é, além de prazeroso, buscar as raízes culturais de nosso povo. Não há dúvidas que a produção literária reflete padrões sociais de uma época, ajudando a entender o presente e influenciando o futuro. Contudo, a escola não trabalha no sentido de fazer o aluno pensar e relacionar o lido com o que vivencia. Ela apenas apresenta de forma simplista as obras clássicas como meros exemplos, não abstraindo os pensamentos e sentimentos a fim de formar opiniões e estabelecer conceitos. A verdade é que a literatura está presente nos padrões culturais existes e não pode ser desconsiderada pelo ensino escolar.
É no ambiente escolar que ocorre o contato, se não o primeiro o mais significativo, com as obras literárias, exatamente por ser ela destinada a promover o conhecimento e a humanização da sociedade. Infelizmente esta não é a realidade no Brasil do século XXI conforme expõem com maestria a estudante de Letras da FAPA, Francieli Coberllini ao tratar do tema sobre o papel da escola no fomento à reflexão de obras literárias. A estudante constata, pelas primeiras experiências como docente, que as obras literárias são pouco exploradas nas aulas deixando lacunas na compreensão do aluno resultando no seu desinteresse. Com o tratamento superficial dos textos perde-se a essência do conteúdo, pois o professor que deveria fazer a mediação entre aluno e a obra literária trazendo a superfície questionamentos e análises, aborda apenas o enredo ficando limitado à descrição de cenário, personagens, subjugando ao segundo plano o aprofundamento de reflexões de aspectos tanto histórico quanto social.
A universitária trás um dado que nos leva, no mínimo, a concordar com a falta de importância que os programas educacionais têm dado à literatura brasileira. Segundo ela, existe uma disparidade no ensino desta matéria. Enquanto alguns currículos trazem como obrigatório este estudo, por crêem na influência da literatura como criadora de uma identidade nacional. Outras instituições têm total descaso e sequer os mencionam nas programações didáticas, negando-se ao estudante conhecer e entender sua própria cultura. Dificilmente, salvo exceções, o educando busca por si conhecer a literatura de seu país, isso porque possivelmente não entende o contexto histórico ou a linguagem utilizada, já que tanto um quanto o outro parecem distante da sua realidade de vida. Exatamente neste ponto entra (ou assim deveria ser) a escola e do professor, para mediar o conhecimento das obras e dos alunos fazendo paralelos entre as diferenças e similaridades. Lamentavelmente, o que se nota é que nestas escolas os professores sequer pensam em deixar as cômodas cartilhas já prontas para investirem novas concepções de aprendizagem. Seria demasiado custoso a eles remover uma didática arcaica tão enraizada ao ensino brasileiro.
 A futura professora apresenta o importante papel da literatura como formadora da identidade nacional ao citar exemplos bastante contundentes de produções significativas como “Iracema” de José de Alencar, que traz a luz o nacionalismo e a valorização das terras do Brasil, e “Memórias de um Sargento de Milícias” de Joaquim Manuel de Almeida que apresenta, pela primeira vez, a idéia do malandro brasileiro. Ao caracterizar o personagem Leonardo na história que se passa no período do Segundo Império - o que parece a primeira vista tão distante da nossa realidade- marca com maestria a visão que ainda hoje se tem do povo brasileiro.

Em última análise não restam dúvidas que a literatura permeia o cotidiano do brasileiro seja na música, cinema ou TV. Não é preciso apenas ler Bernardo Guimarães para nos deparamos com a sofredora Escrava Isaura, José de Alencar para ver a bravura do heróico índio Peri, ou mesmo a apaixonada e divertida Dona Flor de Jorge Amado. Estes personagens são trazidos à vida através das novelas, mini-series e filmes que tanto diverte e cativam os brasileiros em seus lares.

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