Reescrita
Por Aluno 2
Quando o tema foi apresentado, senti indecisão, uma
vez que considero que viver é aprender. Logo, como escolher um único acontecimento
que para mim tenha significado um aprendizado? Parece injusto. Vivemos nos
aprimorando e o que nos ensinou algo ontem pode não ter o mesmo significado amanhã.
Dessa forma, elegi um evento não por ele próprio, e sim em razão das coisas
fundamentais que ocorreram após ele para moldar a pessoa que hoje eu sou.
Quando eu morava com meus pais, as coisas eram bem
diferentes. A palavra não foi uma
constante no que eu chamo de meu primeiro processo de aprendizado. Eu não podia
sair, era proibida de expressar minhas opiniões assim como de ouvir as músicas
de que gosto, usar as roupas que me agradam, me relacionar com meus amigos e
até de cursar uma universidade. Demorou até ter condições para isso, mas tão
logo consegui emprego, juntei dinheiro e decidi sair de casa. O que claro, não
foi aceito sem insistência. E até mesmo alguma discussão acalorada, mas eu
consegui, e é isso o que importa.
Passado o choque inicial, as coisas mudaram: para
melhor, obviamente, e então começaram os maiores aprendizados. Soa clichê, eu
sei, mas a responsabilidade é um dos aspectos mais significativos e
transformadores, que só pode ser conhecido pela vivência. Buscar pela carreira
profissional ideal veio logo em seguida, assim como a liberdade para me dedicar
às coisas que me apraziam, como a escrita, aprender a tocar algum instrumento
musical e escolher um curso superior do meu agrado. A independência é
trabalhosa, mas muito gratificante.
É esse o momento que vivo hoje. Mesmo que no passado
certos momentos não tão bons tenham ocorrido, hoje eu os vejo como partes
importantes desse processo, sem as quais é provável que as coisas não tivessem
tomado os mesmos rumos. Mudar de casa foi para mim o mais essencial dos eventos
no tocante ao mais precioso dos bens do qual nenhum ser humano deveria ser
despojado: a liberdade.
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