1ª
Versão
Por Aluno 16
Eu e minha família somos loucos por
cachorros, sempre fomos, temos a mania de juntar todos que estão na rua, levar
para casa, cuidar, dar banho e deixar o animalzinho pronto para adoção. Sempre
encontramos uma família que o ame e que o trate com muito afeto. Somos assim:
não conseguimos ver ninguém sofrer e tentamos fazer nossa parte para a
construção de um mundo melhor. E enquanto ainda não podemos transformar nossa
casa em um albergue, ajudamos os cães que estão mais ao nosso alcance. Vale
dizer que sempre temos os "cães fixos", os quais ficam até o
fim da vida em nossa casa.
Naquele tempo, eu tinha duas cadelas
fixas: uma Pit bull e uma Linguicinha (Dachshund). A Linguicinha
tinha um nome deveras criativo: Violeta, já a Pit bull, nem tanto: Pitty. Como
todos sabem, a raça da Pitty não é das mais amistosas. Ainda que ela fosse
muito amável com as pessoas, odiava os mesmos de sua espécie. Não podia
conviver com os outros cães e é por isso que a deixávamos em um canil separado,
pois além de sua ferocidade, ela era muito forte e podia acabar com os outros
cachorros em minutos. A Violeta também não era das mais fáceis de se conviver,
mas sua força não assustava ninguém, então ela podia ficar livremente pelo
pátio. Sempre tivemos muito cuidado para manter as duas longe uma da outra,
logo que já vivenciamos um episódio de briga entre elas, a qual Violeta saiu
quase morta (foi uma sorte ela sobreviver).
Certa vez, Violeta fugiu de casa e
voltou prenha. Foi um alvoroço lá em casa, nós não estávamos esperando a vinda
de novos filhotes, mas... paciência! Aguardaríamos a hora do parto e
prepararíamos cartazes para a doação da ninhada. A cadela foi tratada como uma
lady nos meses de gestação, dado que ela já estava um tanto velha para encarar
um parto. Ganhava leite, muito carinho, comida de panela e tardes aconchegantes
na sala; porém, temos uma regra restrita: nada de cachorros dentro de casa à
noite, não importa a situação. Não costumávamos deixar os cães dentro de casa;
não obstante, a gravidez era uma exceção e durante o dia ela podia ficar.
Em uma noite de temporal, Violeta
resolveu parir. Pariu na chuva e no frio da laje da nossa casa, onde os
filhotinhos podiam muito bem pegar uma pneumonia. Pitty, ao se deparar com a
situação, instintivamente abriu a portinhola do canil, pegou os filhotinhos e
os levou para dentro de sua casa, a outra foi atrás e entrou junto a fim de
amamentá-los e fazer todos procedimentos que uma mãe-cachorro faz. Como a casinha
estava muito apertada com os todos os filhotes e as cadelas lá dentro, a nossa
Pit bull resolveu que quem devia sair do local e ficar na chuva era ela, e
assim o fez. Pitty estava na laje gélida e Violeta dentro da casinha da Pitty,
cuidando de seus filhotes. Quando amanheceu, foi essa a cena que vimos, nos
demos conta do ocorrido e fizemos uma boa perícia do acontecimento para poder
entendê-lo.
Elas morreram depois de muito tempo
após o ocorrido, Violeta faleceu com 18 anos e Pitty com 14, o cachorrinhos
foram todos doados e não sei o fim deles. Essa história é inacreditável e
verdadeira. Sempre conto ela com muito orgulho das minhas duas cadelas que
mesmo sendo inimigas mortais, conseguiram ultrapassar a barreira do orgulho e
se ajudar no momento de dificuldade. Levo essa lição para a vida toda, porque
muitas vezes agimos de forma tão egoísta, apenas por insolência. Como diria Seu
Madruga do programa de TV "Chaves": As pessoas boas devem amar
seus inimigos.
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