Aluno 52
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Acordo quatro e meia da manhã. É o grande dia! O maior de todos! Apenas mais um dia. Para muitos, sem importância, mas para mim, um dia importantíssimo, o dia de minha formatura. Como se não bastasse, o dia também é o dia da minha matrícula na UFRGS e o último dia para cancelamento de matrículas na Unisinos (onde estudava até o momento).
Acordo quatro e meia da manhã e faltam exatas doze horas e meia para minha formatura. Falta também, passar por seis ônibus, um trem, duas faculdades, um cabelereiro e um alfaiate até que eu possa subir no palco da minha escola e pegar o meu diploma. Levanto então da minha cama e dou início ao meu dia.
Até Porto Alegre, tudo bem. Já havia feito esse caminho muitas vezes, mas chegando à rodoviária, uma novidade, um desafio, ir para o Vale. Tinham me dito que deveria pegar o 343 ou o D43, como não sabia a diferença, decidi deixar o destino me guiar e peguei o primeiro que apareceu, o 343. Quarenta minutos se passaram e eu começava a perder qualquer esperança de chegar no tal “Vale”, de me formar naquele dia então, nem se fala. Então eu avistei uma placa que dizia “Agronomia”, acho que esse foi o momento mais feliz da minha semana até então. Levantei e pedi para a cobradora me avisar quando fosse minha vez de descer, depois voltei para meu assento. Logo depois, passamos pelo campus da Veterinária, depois o da Informática e quando eu estava voltando a perder a esperança de um dia chegar ao campus da Letras ela me disse que havíamos chegado.
Eram sete horas e trinta minutos, subi as escadas e quando cheguei ao local da matrícula, vi apenas mais uma pessoa, ótimo! Vou resolver isso rápido e dar continuidade ao meu dia, pensei comigo mesmo. Meia hora depois, mais algumas pessoas haviam chegado e finalmente tiveram começo as matrículas, com um “porém”, a ordem de chegada era irrelevante, existia uma lista que dizia a ordem preferencial na qual as matrículas deveriam ser feitas. Onde eu estava nessa lista? Folha dois, linha oito. Minha vontade era de gritar, mas me contive, afinal, pensar positivo era tudo o que podia fazer. Infelizmente o pensamento positivo não se provou tão efetivo quanto eu acreditava ser. Meio dia, foi nesse horário que consegui finalizar minha matrícula. O que faltava fazer mesmo? Cancelar minha matrícula na Unisinos que fica em outra cidade, pegar minha roupa, cortar o cabelo e ir pra minha escola.
Saio correndo da UFRGS, mais feliz e desesperado do que nunca. Ao que tudo indica, agora sou um estudante universitário que nunca irá se formar no ensino médio. Após um ônibus, um engarrafamento e um trem, chego à Unisinos, para minha surpresa, tudo acaba em menos de trinta minutos. Pego o trem e vou tão rápido quanto posso para Porto Alegre mais uma vez. Quando consigo chegar em Charqueadas, são três horas, nunca estive tão nervoso. Vou cortar meu cabelo e assim que o Cabelereiro começa a me dizer que terminou, saio voando pela porta. Passo na loja onde meu terno estava esperando para ser retirado e, sem sair do ritmo de corrida, sigo para casa. Tomo meu banho, rápido como um raio e desesperado como alguém que está prestes a ser pai e saio para minha antiga escola, onde a cerimônia iria acontecer.
Chego a tempo de tirar as fotos e entrar na fila para adentrar o palco, quando a cerimônia começa, percebo que nunca tinha visto tantos olhos me olhando ao mesmo tempo, o auditório estava mais do que cheio, estava explodindo. Com o passar do tempo, me acostumei com a sensação. E por falar em tempo, esse que durante todo dia pareceu faltar, ali sobrava. Aa cerimônia se arrastava, sem dar o menor sinal de que acabaria tão cedo. Duas horas e meia depois, finalmente, tudo acabou, pude receber os cumprimentos dos familiares e relaxar. Agora, formado no ensino médio e aluno da UFRGS.
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