Aluno 99
Reescrita
Para fazer um chimarrão é
necessário que haja uma vontade preestabelecida, motivada muitas vezes por uma
quinta-feira, o dia que passas mais tempo na universidade e por isso chegarás
em casa não só cansada pelo turno integral, mas também doida de frio, não
sentindo mais as pontas dos dedos que se comparam a cubos de gelo. Com a
justificativa posta, começa-se por aquecer a água em uma chaleira, que avisará
por intermédio de um chiado o momento de retira-la do fogo. Deve-se atentar
para esse aviso, pois se aquecer demais poder-se-á morrer com uma queimadura na
boca de no mínimo quarto grau. O recipiente em formato de meio círculo possuí
um braço que lembra uma tromba de elefante, por onde despejar-se-á o líquido na
temperatura de um banho quentinho dentro de uma garrafa que conservará sua
caloria. Enquanto é derramado, um vapor sai pela abertura do local de
armazenamento, aquecendo as mãos e embaçando as lentes dos óculos: quase lá, a
hora do momento sublime aproxima-se.
Ainda é preciso de uma cuia,
recipiente em que a erva, a água e a bomba serão colocadas. Ela poderá ser de
porcelana ou de porongo, um material que lembra madeira, possuindo um formato
de cálice. Algumas possuem muitos desenhos, revestimentos em couro, a
tradicional detém-se a cor marrom. Quando feita a escolha, uma sequência de
colheres com erva-mate, o chá do qual é feito o chimarrão, é depositado até
preencher a silhueta do cálice moreno. Depois disso, inclinar-se-á para a
esquerda, cobrindo até a metade a parte superior com a mão para formar uma
montanha daquele farelo verde que ficará suspenso sobre a borda criando a
imagem de um precipício e seu limite – parte onde será colocada a água.
O processo de ceva-lo consiste na
mistura de um dedo de água quente com o mesmo de fria em um copo, para não
queimar o chá; depois disso é só preencher até a borda do precipício, que se
cobrirá com uma espuma causada pelo contato da água e da erva. Por conseguinte,
a bomba, objeto que atua como um canudo para fazer a sucção do líquido, é posta
em seu lugar – também, sempre à esquerda. Opcionalmente, é colocado uma meia
dúzia de frescuras: chás, que muitas vezes nem sabes para que serve, mas como
tens em mente a frase de tua mãe “se bem não fará, mal também não” resolve
usá-los. Depois disso, é só completar o cálice com o conteúdo abrigado na
garrafa.
Com a cuia em mãos, a térmica
debaixo do braço procura-se por um poltrona confortável que abrace suas costas,
assim como o objeto que suas mãos seguram já faz. Já sentada, dá, enfim, o
primeiro gole através da bomba, o gosto extremamente amargo e tão quente que
chega a aquecer o peito e a ponta dos dedos. Completa-se o chimarrão que está
pronto para ser apreciado.
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