segunda-feira, 20 de junho de 2016

Como fazer um chimarrão

Aluno 99
Reescrita



Para fazer um chimarrão é necessário que haja uma vontade preestabelecida, motivada muitas vezes por uma quinta-feira, o dia que passas mais tempo na universidade e por isso chegarás em casa não só cansada pelo turno integral, mas também doida de frio, não sentindo mais as pontas dos dedos que se comparam a cubos de gelo. Com a justificativa posta, começa-se por aquecer a água em uma chaleira, que avisará por intermédio de um chiado o momento de retira-la do fogo. Deve-se atentar para esse aviso, pois se aquecer demais poder-se-á morrer com uma queimadura na boca de no mínimo quarto grau. O recipiente em formato de meio círculo possuí um braço que lembra uma tromba de elefante, por onde despejar-se-á o líquido na temperatura de um banho quentinho dentro de uma garrafa que conservará sua caloria. Enquanto é derramado, um vapor sai pela abertura do local de armazenamento, aquecendo as mãos e embaçando as lentes dos óculos: quase lá, a hora do momento sublime aproxima-se. 
Ainda é preciso de uma cuia, recipiente em que a erva, a água e a bomba serão colocadas. Ela poderá ser de porcelana ou de porongo, um material que lembra madeira, possuindo um formato de cálice. Algumas possuem muitos desenhos, revestimentos em couro, a tradicional detém-se a cor marrom. Quando feita a escolha, uma sequência de colheres com erva-mate, o chá do qual é feito o chimarrão, é depositado até preencher a silhueta do cálice moreno. Depois disso, inclinar-se-á para a esquerda, cobrindo até a metade a parte superior com a mão para formar uma montanha daquele farelo verde que ficará suspenso sobre a borda criando a imagem de um precipício e seu limite – parte onde será colocada a água.
O processo de ceva-lo consiste na mistura de um dedo de água quente com o mesmo de fria em um copo, para não queimar o chá; depois disso é só preencher até a borda do precipício, que se cobrirá com uma espuma causada pelo contato da água e da erva. Por conseguinte, a bomba, objeto que atua como um canudo para fazer a sucção do líquido, é posta em seu lugar – também, sempre à esquerda. Opcionalmente, é colocado uma meia dúzia de frescuras: chás, que muitas vezes nem sabes para que serve, mas como tens em mente a frase de tua mãe “se bem não fará, mal também não” resolve usá-los. Depois disso, é só completar o cálice com o conteúdo abrigado na garrafa.
Com a cuia em mãos, a térmica debaixo do braço procura-se por um poltrona confortável que abrace suas costas, assim como o objeto que suas mãos seguram já faz. Já sentada, dá, enfim, o primeiro gole através da bomba, o gosto extremamente amargo e tão quente que chega a aquecer o peito e a ponta dos dedos. Completa-se o chimarrão que está pronto para ser apreciado.



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