segunda-feira, 20 de junho de 2016

Aluno 100
1 Versão


Falar. Colocar uma letra atrás da outra e então formar uma palavra para que, assim, seu cérebro mande os sinais para o sistema nervoso que comanda a fala. Uma palavra sai e outra a seguir, logo temos uma frase. Esta pode ser comprida, curta, ter muitos verbos, poucos adjetivos. Isso cabe a você decidir.
            Eu abro a boca para tentar dizer oi. São duas letras, apenas, o “o” seguido do “i”. A boca forma um círculo e logo se transforma em linha reta. Respiro depois desse oi, foi apressado demais. A próxima frase é mais complexa, envolve mais palavras. Penso em todas elas, separadamente: “como – você – está ?” e elas parecem soar fáceis. É preciso de mais respirações entre elas e mais uso da língua na formação de cada sílaba. Movimento a boca e formo a primeira, o “como” já foi vocalizado. Falta apenas mais duas palavras, seis sílabas. Preciso ter a entonação certa, pois estou a questionar algo. O você é dito entre tropeço – o cérebro não entende muito, porque usualmente uso o “tu” em situações mais casuais – e então já chegando no fim dessa pequena oração eu digo o está, pronunciado com um tom um pouco cantado, para indicar a pergunta.
            A respiração se torna um pouco mais leve e o cérebro faz um exercício pesado para tentar encontrar outra palavra para dizer. “Achei”, ele deve ter pensado, quando, num sobressalto, minhas cordas vocais trabalham apressadas devido aos estímulos repentinos que meu cérebro envia. Dos lábios sai um “te acho tão bonito”, mas o “te” não é bem pronunciado devido à rapidez que se é dito essa frase e a língua enrola ao completar. Porém, mesmo com os desleixos, a fala foi concluída. O cérebro sossega. O raciocínio para. A língua pousa e a boca seca.
            É preciso, depois de falar, escutar.

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