segunda-feira, 20 de junho de 2016

NÃO ESQUEÇA DE REBOLAR

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Aluno 108


Sempre achei elegante a forma como as modelos desfilavam na passarela, cruzando as pernas e balançando os braços. Todos os dias, quando eu chegava em casa depois da escola, ligava o rádio e treinava a minha caminhada de passarela, acreditava que já era uma expert no assunto. Ficava sonhando como seria se um dia alguém do mundo da moda me visse passando na rua e me chamasse para trabalhar como modelo, porque obviamente todos percebiam o meu talento natural. Até que um dia a direção da minha escola anunciou que haveria um desfile de primavera e qualquer menina podia participar, me inscrevi na hora.
            Os ensaios começaram uma semana antes. A professora marcava no chão com fita adesiva a passarela e nós tínhamos que ir e voltar fazendo uma pose em cada ponta do percurso. Mas por que uma profissional como eu ensaiaria ali, junto com aquelas iniciantes? Não ensaiaria e não ensaiei.
            O dia do concurso chegou e lá fui eu. Vestida pela minha mãe, com meias coloridas até o joelho, bota, saia e duas chuquinhas no cabelo. Estava me sentindo uma verdadeira diva. A passarela era um palco de madeira construído na quadra da escola e as arquibancadas estavam cheias.
            Esperando a minha vez de desfilar o tempo praticamente não passava. Eu via as meninas subindo no palco e simplesmente caminhando, quando chegasse a minha vez eu precisava mostrar como se fazia. Então a professora chamou o meu nome no microfone e eu subi no palco, fiz aquela pose típica das mãos na cintura, mandei beijinho pra plateia e comecei a desfilar. A cada passo que eu dava tentava cruzar as pernas cada vez mais, balançando bem os braços e sem esquecer o rebolado. Eu ouvia os meus fã gritando, rindo,aplaudindo e pensava: estou arrasando, vou rebolar mais.
            Hoje, dez anos depois, essa é uma história recorrente nos domingos de família. E as fotos continuam sendo motivo de riso. Dessa experiência eu tirei muitas coisas, como ser menos arrogante por exemplo. Mas penso que o essencial é o que eu tiro dela hoje olhando em retrospectiva: enquanto eu estiver feliz não importa o que os outros pensam.

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