quinta-feira, 9 de junho de 2016

Um sacrifício diário

Aluno 70
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Durante algumas horas em nossas fatídicas semanas, alguns momentos são reservados para apropriarmos nossos pensamentos em outras realidades. Em diferentes mundos nossas mentes se encontram em devaneio, aonde podemos ser qualquer "coisa", enquanto nosso subconsciente decidir. Realmente, é díficil termos de retirar nossas mentes do mundo dos sonhos e levantar para mais uma batalha diária, travada em uma sociedade que não temos vontade de acordar.
            Todo o ritual de acordar de um sonho, levantar da cama e ir viver é extremamente normal para todos nós. Talvez o problema não seja ter de encarar uma sociedade imensamente destrutiva (violenta), porém, o problema seja que nosso corpo e mente "implora" para que fiquemos ali, naquele conforto momentâneo, naquela cama quente, onde um sentimento chamado "preguiça" nos impede de levantar e irmos travar nossas batalhas. Não me entenda mal, não estou dizendo que o fato de querermos aproveitar pequenos momentos da vida nos torna inaptos para viver em uma sociedade competitiva, não é isso. Estou apenas me referindo a um simples fato que é levantar cedo e fazer algo. Mas e quando estamos naqueles dias que tudo deu errado, no dia anterior, e apenas queremos permanecer imóveis naquela cama aconchegante, quando nossas mentes ficam pensando em todos os problemas e não conseguimos levantar, nem mesmo nossos desejos e motivações mais profundas são suficientes para exercer alguma vontade.
            Meu pensamento inicial para este texto era falar sobre a dificuldade que temos de levantar cedo e aproveitar apenas mais alguns minutos na cama, pensando sobre algo antes de levantar, mas estou vendo que se tornou apenas mais um desabafo sobre a dificuldade que temos (ou talvez apenas eu tenha) de viver neste mundo cruel e covarde (viver em sociedade). O fato de sobrevivermos a este mundo é um sacrifício diário, somos vitoriosos apenas pela atitude de levantarmos a cabeça e encararmos os problemas nas suas devidas proporções. Talvez essa seja uma boa dica para levantar da cama diariamente e ir viver: Sinta- se um vencedor. Porém, quando as manhãs geladas se iniciam (o inverno) é impossível manter um racíocinio lógico e sentir-se um vencedor. Tudo que eu penso é: "Está frio, não quero sair daqui", "nem que a vaca tussa". Mas não adianta nada, tudo isso é apenas um devaneio inútil. O mundo me obriga a sair daquele conforto e lutar para sobreviver. Mas realmente devemos levantar? Será que tudo permanecerá igual, ao nosso redor, sem a nossa presença? Somos realmente importantes para algo ou alguém?
            Não estou dizendo que devemos desistir de tudo por conta de um simples momento que nos custa alguns minutos de indecisão (levantar ou não levantar), absolutamente não. Porém, o sacrifício de levantar e sentir às milhões de situações presentes numa sociedade como a nossa me faz ter vontade de ficar eternamente deitado em uma cama, embaixo dos cobertores, tapado pela ignorância que nos rondeia. No final das contas, o despertador está tocando e eu estou pensando em tudo isso ao mesmo tempo, ou seja, estou pensando em todo esse oceano de possibilidades antes de levantar e acabo por concluir que viver é como um sonho profundo: Estamos tão imersos que acordar talvez não seja uma boa ideia.

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