Aluno 100
Reescrita
Falar.
Colocar uma letra atrás da outra e então formar uma palavra para que assim seu
cérebro mande os sinais para o sistema nervoso que comanda a fala. Uma palavra
sai e outra a seguir, logo temos uma frase. Esta pode ser comprida, curta, ter
muitos verbos, poucos adjetivos. Isso cabe a você decidir. Entretanto, no que
me difere dos outros no quesito formar palavras em minha cabeça e vocalizá-las
é a dificuldade que tenho de o fazer.
Paro na frente de uma plateia, uma
sala de aula. Preciso internalizar bem o que quero começar a dizer para aquele
público, ávido por palavras. Abro a boca, porém meu cérebro ainda não conseguiu
pensar em absolutamente nada de inteligente para iniciar um monólogo de
aprendizagem. Começo com o simples: oi. Temos um “o” em que a boca faz um
círculo e então fica em linha reta no “i”. Rapidamente termino essa pequena
palavra, essa frase sem verbos e simplória. Respiro profundamente, os neurônios
trabalhando para que o silêncio não permaneça por muito tempo dentro daquele
local cheio de ouvintes atentos. Logo, acha-se algo para se dizer, num
sobressalto. “Sejam bem-vindos” sai corrido da boca pois, com o nervosismo que
impera em meu corpo, não tenho tempo de pensá-lo com calma. Ouço os neurônios
trabalhando, revisando a próxima sentença, que será crucial. Suo frio, minhas
mãos tremem, tento não gaguejar (até agora consegui). “Serei a nova professora
de vocês” pronuncio cada palavra pausadamente, uma sílaba atrás da outra, como
se estivesse soletrando para aqueles pequenos seres em frente a mim. Então me
calo. Todos sorriem.
Depois de uma breve apresentação
assim, controlo a ansiedade com maestria e inicio a aula.
Nenhum comentário:
Postar um comentário