Aluno 105
Reescrita
Como filha de artistas, minha vida foi, desde seus
princípios, permeada pela arte. Sou fruto de um encontro, que aconteceu por
acaso, de dois ex-estudantes da UFGRS, na época com a mesma idade que eu, no
ônibus, quando voltavam para nossa cidade. Seus cursos? Música e Artes Cênicas:
artistas, um mais louco que o outro. O músico também nutria uma paixão
avassaladora pelas letras, a ponto de trancar-se durante semanas em casa para
ler Bukowski. Ambos largaram suas faculdades, mas, no caso da atriz, não seu amor
pelo teatro. Tomou-o como profissão e, ainda que eu fizesse parte apenas de um
sonho distante, já atuava com ela, que trabalhou e ensaiou até o último dia de
sua gravidez. Em vida, não consigo retroceder para meu primeiro contato com os
palcos, por isso posso dizer que neles nasci. Muito da mulher que hoje sou,
espontânea e comunicativa, tem a ver com a minha forte ligação com a arte.
A
tangente do meu cotidiano é a arte. Da minha mãe, herdei o teatro, que é muito
especial pra mim e sempre me ajudou na hora de me comunicar e de criar minha
rede de conhecidos. Ainda, o teatro comporta um pouco de uma das minhas
principais características: a impulsividade, o imediatismo, que são super bem
moldados e trabalhados pelas energias teatrais. Cada vez que subo no palco e
atuo, vivo uma vida diferente, sem nem mesmo sair da minha própria: esse é o
encanto da coisa.
Do
meu pai, herdei o gosto pela música e, principalmente, o amor pelo mundo das
letras. Desde muito pequena eu apresentava um gosto peculiar pelos livros, fato
este que se prova com uma história de infância: em um de meus primeiros
aniversários, ganhei um livro de histórias impermeável. Fiquei encantada com
ele e com o fato de poder lê-lo em todos os lugares, inclusive na piscina e no
chuveiro. Ele passou a ser meu acessório obrigatório e mesmo que eu soubesse
sua história de cor, eu o lia repetidas vezes. Acredito que este seja o marco,
o momento que retrata a minha escolha de futuro, ainda que eu não soubesse
naquela época. Por ter a família que tenho, sempre fui inspirada a procurar “a
minha arte”. Tentei de tudo, desde música, artes plásticas e dança, mas
encontrei minha resposta nas inspirações de meu pai: a arte de ler, escrever e
estudar a linguagem foi a arte na qual eu me encontrei como ser, como pessoa.
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