Aluno 108
Reescrita
Para começar é necessário
considerar uma margem de erro de uns dez minutos no horário do ônibus,
considerando que ele vai passar. E é melhor não criar expectativas imaginando
poder sentar e ler durante o percurso porque, mesmo que o veículo tenha 45 lugares,
normalmente ele transporta o dobro deste número em pessoas. Justamente por isso
o figurino deve ser bem planejado, tendo em vista não só o calor humano ali
presente, mas também os prováveis puxões, empurrões e as tropeçadas.
Outra peça importante do
vestuário é o calçado, considerando que ele vai certamente ser pisoteado. E é
importante que a sola não seja escorredia, já que o motorista gosta de acelerar
nas curvas e buracos. Porém este também é uma vantagem de andar de Viamão, pois
a musculação dos braços é feita ao mesmo tempo em que nos seguramos para não
cair no colo de ninguém, poupando o dinheiro da academia.
Mas o maior desafio em um Viamão
lotado é causado justamente pelo grande acumulo de pessoas, porque como diz o
ditado “é impossível agradar a gregos e troianos”. Mas a dica é escolher
sabiamente em que parte do ônibus parar; veja bem, ao passar a roleta temos uma
média de cinco segundos para analisar o quadro geral, então o segredo é usar
este tempo precioso para perceber onde tem janela aberta, onde tem espaço, onde
tem gente falando alto, onde esta a criança que chora e grita. Se todos
seguissem este protocolo eu tenho certeza de que os barracos não seriam
semanais.
Por fim, para chegar até a saída
fazemos um pouco de ginastica, um pouco de contorcionismo, indo na ponta dos
pés, segurando na barra do teto enquanto nos esprememos pela terceira fila de
pessoas em pé. Ao chegar na porta finalmente apertamos a campainha pedindo que
ônibus pare, gritamos “vai descer!”, batemos boca com o cobrador que sempre
argumenta não ter ouvido a campainha, então finalmente descemos –mesmo que uma
parada além do desejado.
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