segunda-feira, 20 de junho de 2016

COMO SOBREVIVER AO VIAMÃO LOTADO

Aluno 108 
Reescrita



Para começar é necessário considerar uma margem de erro de uns dez minutos no horário do ônibus, considerando que ele vai passar. E é melhor não criar expectativas imaginando poder sentar e ler durante o percurso porque, mesmo que o veículo tenha 45 lugares, normalmente ele transporta o dobro deste número em pessoas. Justamente por isso o figurino deve ser bem planejado, tendo em vista não só o calor humano ali presente, mas também os prováveis puxões, empurrões e as tropeçadas.
Outra peça importante do vestuário é o calçado, considerando que ele vai certamente ser pisoteado. E é importante que a sola não seja escorredia, já que o motorista gosta de acelerar nas curvas e buracos. Porém este também é uma vantagem de andar de Viamão, pois a musculação dos braços é feita ao mesmo tempo em que nos seguramos para não cair no colo de ninguém, poupando o dinheiro da academia.
Mas o maior desafio em um Viamão lotado é causado justamente pelo grande acumulo de pessoas, porque como diz o ditado “é impossível agradar a gregos e troianos”. Mas a dica é escolher sabiamente em que parte do ônibus parar; veja bem, ao passar a roleta temos uma média de cinco segundos para analisar o quadro geral, então o segredo é usar este tempo precioso para perceber onde tem janela aberta, onde tem espaço, onde tem gente falando alto, onde esta a criança que chora e grita. Se todos seguissem este protocolo eu tenho certeza de que os barracos não seriam semanais.
Por fim, para chegar até a saída fazemos um pouco de ginastica, um pouco de contorcionismo, indo na ponta dos pés, segurando na barra do teto enquanto nos esprememos pela terceira fila de pessoas em pé. Ao chegar na porta finalmente apertamos a campainha pedindo que ônibus pare, gritamos “vai descer!”, batemos boca com o cobrador que sempre argumenta não ter ouvido a campainha, então finalmente descemos –mesmo que uma parada além do desejado.

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